Filhos da Anarquia

Coluna de Márcio Calixto

IArte – Chris Herrmann

 

FILHOS DA ANARQUIA

 

Não sei se conhecem a série, hoje presente na Disney Plus, eu havia começado a ver pela Netflix. Ela explora a realidade do banditismo de grupos de motoqueiros norte-americanos, ao gosto dos Hell’s Angels, que são profundamente ligados ao mundo do crime. A série é fabulosa. Terminei-a tem algum tempo. Se tem algo da dinâmica das séries é o fato de serem filmes esticados. Longa metragens levados muito mais para o verdadeiramente longas. É impossível não gostar do cinema norte-americano. Somos educados por eles, a eles. Viciamo-nos. No entanto, o que me move à escrita hoje é um detalhe dessa obra que me levou a uma nova práxis particular: deixar uma obra destinada aos meus filhos.

A série se passa logo depois que Jax Teller, filho de John Teller (a escolha do sobrenome é perfeita para expor essa dinâmica do personagem em deixar algo dito, escrito à geração posterior), descobre uma espécie de livro deixado pelo pai aos filhos. John, o pai, fez cópias e as entregou a alguns amigos do clube de motos, garantindo que aquele material, de alguma forma, chegasse aos rebentos. Jax, o herdeiro primogênito, recebe uma dessas cópias, algo que o faz mudar a percepção que ele tem do próprio clube e que o move a suspeitar da morte do pai. Os Filhos da Anarquia da cidade da Charming deixam de ser um clube voltado ao crime e começa a viver uma crise em vista do que a obra passa a mover ao herdeiro Jax durante o processo de leitura. Foi dessa inspiração que me moveu a escrever cadernos, tudo a mão, que deixarei apenas aos meus filhos, com tudo aquilo que já vivi ou que profundamente penso.

Em nenhum momento eu os digitarei. Inclusive, essa crônica servirá como uma pista à existência desse material que passei a escrever logo depois da metade do ano passado. Já o era de algum desejo escrever o que pudesse servir apenas a eles. Agora é arrumar um tempo para conseguir colocar na agenda a escrita contínua desse material.

Não sei como defini-lo. Passei a escrever como se fossem memória. Tem também inspiração nas cadernetas que D. Pedro II escreveu ao longo de uma vida de experiências e viagens.

Penso apenas que demorei a iniciar a empreitada. Tinha um desejo há anos, o que me faltava mesmo era a organização particular para tal. Aos que me leem, que possuem algum foro íntimo com minha vida, avise aos meus filhos, que sei que não lerão agora essa crônica, que há uma sequência de cadernos, que irei colecionar, esconder e que ficarão de legado para eles. Só para eles, sei que serão cadernos com produto anárquico de minha antipatia a certos aspectos da vida, destinados aos meus “sons and daugther of mayhem”.

Espero que possam servir a esse nosso retrato psicodélico de particularidades.

 

MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação


Coluna de Márcio Calixto

 

 

com Chris Herrmann

 

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Author

Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de 3 filhos, convicto carioca suburbano bibliófilo residente em Jacarepaguá. Um subúrbio de samba, blues e Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.

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