Descobrindo – e experimentando – o (grande) sucesso dos eventos étnicos no RIO DE JANEIRO

Vocês já me viram por aqui contando de alguns dos meus rolês por São Paulo, né? Realmente, curto muito viajar até a Terra da Garoa porque sei que, invariavelmente, em todos os finais de semana, sempre encontro festivais étnicos em diversas partes da cidade. Alguns deles já são bem tradicionais e, via de regra, estou sempre presente, como aqueles que acontecem nos bairros da Liberdade e do Bom Retiro. Mas existem muitos outros, de variadas nacionalidades…

Os eventos étnicos representam importantes manifestações de valorização da diversidade cultural, reunindo comunidades em torno de suas origens, memórias e tradições. Mais do que ocasiões festivas, essas iniciativas funcionam como espaços de preservação da identidade dos povos e de transmissão de conhecimentos entre gerações, permitindo que diferentes heranças culturais sejam conhecidas e apreciadas pelo público. A gastronomia costuma ocupar lugar de destaque nessa programação, apresentando receitas, ingredientes e técnicas culinárias que revelam a história de cada comunidade, seja ela formada por povos originários ou por descendentes de imigrantes. A experiência é enriquecida por manifestações musicais, danças tradicionais, exposições de artesanato, narrativas populares e atividades interativas que aproximam os visitantes dos costumes de diferentes partes do mundo. Ao proporcionar o contato entre distintas culturas, esses encontros contribuem para ampliar horizontes, estimular o respeito às diferenças e fortalecer os vínculos entre comunidades, transformando a celebração das raízes culturais em uma oportunidade de aprendizado, convivência e integração social.

E não é que o Rio de Janeiro está começando a entrar na onda? Já até cobri algumas dessas iniciativas aqui pro ARTECULT mas, via de regra, ligados à cultura italiana. Por isso, fiquei imensamente empolgado ao descobrir que, entre os 16 e 18 de outubro aconteceriam dois festivais étnicos bem diferentes: o FESTIVAL SABORES E CORES DA CORÉIA, no UPTOWN BARRA (uptownbarraoficial), e a FESTA ALEMÃ, nos jardins do MUSEU DA REPÚBLICA (@museudarepublica), no bairro do Catete.

Embora o tempo na capital fluminense, nesse final de semana específico, não estivesse assim lá tão confiável, com chuva indo e vindo, resolvi arriscar e me programei para estar nos dois eventos. Afinal, achei bastante interessante a diversidade – Coréia e Alemanha – algo que não sem tem, normalmente, por aqui.

No sábado (18/10) fui até o UPTOWN BARRA – já falei desse shopping peculiar nesse artigo aqui – pra ver um pouquinho do FESTIVAL SABORES E CORES DA CORÉIA, que prometia trazer K-pop, gastronomia coreana, apresentações culturais, dança, experiência interativas e tudo aquilo que envolve a cultura coreana.

Confesso que estava curioso, já que, como sabem, tenho uma certa familiaridade com esse universo da “Onda Coreana” –  Hallyu (한류) – fenômeno global de popularização e exportação em massa da cultura pop e do entretenimento da Coreia do Sul. Aqui mesmo pro ARTECULT já fiz vários artigos sobre isso e, sempre que posso, vou pra Sampa reabastecer minha despensa e, hoje, considero que tenho um bom repertório de pratos coreanos que sei fazer. E que ficam uma delícia, modéstia à parte.

Fui bem cedo, pois sabia que, quanto mais próximo do horário de almoço ou mais próximo dos eventuais atividades ou shows que houvessem sido agendados – já que a  programação cultural previa apresentações, caligrafia coreana, aulão de K-pop, Random Play Dance, batalhas de dança, grupos e covers de K-pop, atividades ligadas aos K-dramas, oficinas culturais, experiências interativas e manifestações tradicionais e contemporâneas da Coreia do Sul, com atrações para crianças e adultos – o acesso ficaria bastante comprometido. Ainda estava dando pra caminhar com certa facilidade e ainda não haviam se formado filas impeditivas.

Assim que cheguei, dei de cara com um ponto de venda da cerveja coreana TERRA e do famoso soju JINRO e, logicamente, essa foi a minha primeira parada.

A cerveja TERRA conquistou espaço de destaque no mercado sul-coreano ao combinar leveza, frescor e uma identidade fortemente associada aos hábitos de consumo do país. Produzida pela HiteJinro, uma das tradicionais companhias do setor de bebidas da Coreia do Sul, a marca aposta em uma American Lager de perfil acessível, com teor alcoólico em torno de 4,5% a 4,6%, elaborada com água, malte, amido e lúpulo. Um dos diferenciais atribuídos à sua produção é o uso de cevada australiana, além da proposta de carbonatação natural, características que contribuem para sua apresentação refrescante. Disponível em embalagens como latas de 355 ml e garrafas de 330 ml, a Terra também ultrapassou as fronteiras do universo cervejeiro para se tornar um elemento reconhecível da cultura pop coreana, aparecendo com frequência em doramas e em cenas que retratam encontros entre amigos e momentos de descontração. Sua popularidade está igualmente ligada ao somaek, combinação bastante difundida na Coreia do Sul que mistura cerveja e soju, destilado tradicional coreano, em uma bebida que simboliza a informalidade e a sociabilidade presentes em muitas ocasiões do cotidiano local.

Presente há décadas na cultura e na vida social da Coreia do Sul, o JINRO tornou-se uma referência internacional quando o assunto é soju, destilado tradicional do país produzido pela companhia HiteJinro desde 1924. De aspecto cristalino e com características que podem lembrar a vodca, a bebida apresenta, em geral, um paladar mais delicado, com sutis notas adocicadas, e pode ser elaborada a partir de diferentes matérias-primas, como arroz, cereais e batata-doce. Seu teor alcoólico varia conforme a versão, partindo de aproximadamente 13% nas opções aromatizadas com frutas e chegando a cerca de 20% em algumas variedades tradicionais. As conhecidas garrafas verdes, geralmente de 360 ml, tornaram-se um símbolo da marca, que reúne desde rótulos clássicos, como Chamisul Original e Fresh, até versões com sabores de uva-verde, pêssego, morango, ameixa e limão, além de edições inspiradas em embalagens antigas. Versátil, o JINRO pode ser apreciado puro, preferencialmente resfriado e servido em pequenas doses, ou utilizado como base para coquetéis que exploram combinações de frutas, ervas e outros ingredientes. Sua popularidade internacional também acompanha a crescente projeção da cultura coreana, na qual o soju ocupa um lugar importante nos encontros à mesa, nas confraternizações e nos rituais de convivência.

Já com o meu “tanque” devidamente abastecido, dei uma primeira volta pelo espaço. Eram várias barraquinhas espalhadas, com diversas especialidades coreanas, igualzinho encontro lá no Bom Retiro. Tinha Japchae, Bulgogi, Kimbap, Toppoki, Bibimbap e muito mais!

Infelizmente, o tempo piorou. Antes que a chuva apertasse, consegui comer um mandu e um Korean Corn Dog e ainda consegui passar no “mercadinho” coreano e comprei um lamen pra fazer em casa…

 

 

 

DEL SCHIMMELPFENG

@del.schimmelpfeng

Author

Del Schimmelpfeng é Analista Judiciário do TJERJ, mas desde que se lembra - e coloca tempo nisso! - ama cozinhar! Apesar de ter feito as faculdades de arquitetura e direito, é se misturando aos pratos, panelas e temperos que se sente inteiro, completo, pleno. É autodidata, nunca fez curso de culinária, tampouco se imaginou um profissional da área. Considera-se apenas um curioso, que procura o conhecimento em tudo e que tenta, de todo jeito, viver da melhor forma possível - apesar de todas as dificuldades. Afinal, não haveria graça se elas não existissem... Participou da seletiva da segunda edição do Masterchef e da décima nona edição do reality "Jogo de Panelas", apresentado por Ana Maria Braga no programa "Mais Você" da Rede Globo, na qual sagrou-se campeão. Possui, ainda, textos publicados em livros de conto e poesia. Blog: https://delschimmelpfeng.blogspot.com Instagram: @del.schimmelpfeng

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