
com César Manzolillo

MELANCOLIA & LIBERDADE
A Edward Hopper
Teresa abriu a janela como quem busca ar, não exatamente o do mundo lá fora. Acendeu um cigarro com mãos lentas, quase cerimoniais. A fumaça subiu, desenhando formas que ela não tentou decifrar. O horizonte, imóvel, parecia indiferente, e isso a confortava. Sentia-se triste, mas não sabia dizer por quê. Talvez fosse o silêncio novo da casa, ou o eco das palavras que não seriam mais ditas. Havia também um alívio, discreto, quase vergonhoso: podia fumar ali, no meio da sala, sem olhares de desaprovação. A liberdade vinha com um gosto estranho, como se tivesse sido conquistada tarde demais. Teresa tragou fundo, não pelo vício, mas pela memória. E ficou ali, entre o céu e o chão, tentando entender se o que sentia era luto ou liberdade. Talvez os dois.

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Acabei de ler! Adorei! E já comecei a compartilhar… comecei no Instagram.
Melancolia & Liberdade! Como você escreve bem., César! Suas descrições dos humanos são perfeitas! Parabéns!
Quem já não passou por situações de liberdade, diante de um luto? Não necessariamente por perda de um ente querido.