Bernardo Rodrigues Grain: Um artista e roteirista muito especial – Um Herói da Superação

 

Bernardo Rodrigues Grain nasceu em 21 de abril de 1997, sempre dedicado a escrita, produção de roteiros, livros e ilustrações. Apaixonado pela literatura, quadrinhos e assuntos nerd. Em sua vida enfrentou muitas dificuldades escolares, mas a arte o ajudava a superar todas essas barreiras.

A sua admiração por determinados personagens o levou a confirmar ser autista moderado aos 18 anos. Com a identificação de sentimentos, Bernardo passou a entender com mais clareza que possuía os mesmos problemas desses personagens, pois alguns eram descritos como autistas dentro das narrativas e foi nesse o momento que acabou a compreendeu a sua natureza.

A estrutura e funcionamento desses personagens, passava a Bernardo o entendimento simples e claro, todos eles eram amados, mesmo com as suas dificuldades sendo diagnosticadas ou não.  Esses personagens retribuíam com valor e agradecimento a todos os que lhe amparavam, com suas evoluções pessoais de superação, com as suas limitações e problemas. Com eles Bernardo se fortalecia profundamente à medida que lia as suas aventuras.

Esses personagens eram David Haller, o Legião, que foi descrito como autista em um quadrinho da Marvel comics, Reed Richards, que foi descrito como autista em dois quadrinhos também da Marvel comics, e Timothy Urich e Johnny Do também da Marvel comics. Da DC comics, havia um personagem que também tinha o mesmo viés sendo o Black Manta. Essas influências foram cruciais para o trabalho de Bernardo como roteirista nos dias de hoje.

Também existiam os personagens que nunca foram descritos como autistas, mas em seu íntimo, Bernardo sentia uma afinidade muito grande e uma identificação pela singularidade que apresentavam, passando por situações igualmente difíceis na vida, se comparados ao autismo e apresentavam a mesma similaridade de superação que Bernardo também sentia.

Esses personagens tinham um grau de inteligência e vontade de vencer extremamente fortes, graças as suas inteligências, sendo de uma ajuda extraordinária para Bernardo tratar seu hiperfoco e estímulo e com isso incentivando Bernardo a desenvolver sua própria carreira literária.

Esses personagens foram Peter Parker, Garota da Lua e Joey Gastone da Marvel comics, como também os detetives Sherlock e Mycroft Holmes do escritor sir Arthur Conan Doyle.

Havia também uma identificação com os personagens descritos acima, pois todos sofreram bullying escolar como Bernardo. Esses personagens auxiliaram a superar e vencer o próprio bullying que sofria na Escola, devido ao seu autismo. Bernardo também teve apoio profissional de fonoaudióloga e pedagoga para superar suas barreiras e traumas.

Todas essas referências literárias dos quadrinhos e da literatura, envolvendo o problema PCDs, auxiliaram Bernardo a decidir a escrever passando as suas próprias experiências e dificuldades para outras pessoas, como uma forma de auxílio, com a meta de evolução, ajudando a outros a entender de uma melhor forma o autismo e suas peculiaridades.

Com isso, apresentamos a entrevista com Bernardo Rodrigues, o herói da superação:

Bernardo, eu gostaria que você contasse para o ArteCult um pouco do seu sonho de se transformar em escritor e ilustrador. Em que momento isso se iniciou na sua vida e quais foram os seus desafios iniciais?

Tudo começou quando eu ainda era criança. Eu tenho o hiperfoco gerado pelo autismo, esse sentido acabou por despertar os interesses associados a cultura pop, livros, filmes, jogos, quadrinhos e séries.

Adoro absolutamente tudo relacionado à arte e a história do mundo. A minha vontade e foco está na produção de histórias, como também nos desenhos. Esse processo se iniciou bem cedo, ou seja, desde criança. Comecei produzindo histórias e desenhos simples, sempre enfrentando os meus problemas com o autismo.

O sonho de realizar trabalhos nessas áreas surgiu quando lancei meu primeiro livro. E desde então eu mantenho o foco nessas áreas, essa vontade de trabalhar dentro desses universos. Mas as vezes sinto que o meu problema de autismo me atrapalha.

E eu queria mais ajuda para desenvolver o meu trabalho, ajuda das pessoas certas, voltadas as essas áreas de atuação em específico, que são as mesmas que desejo atuar, pois tenho a mais plena certeza que posso ajudar muitas pessoas que passam pelo mesmo problema que eu tenho.

 

 

Sei que você estudou teatro, inclusive fez o curso de roteiro comigo em 2023, concluindo em 2024. Comente um pouco essas experiências e o que acrescentaram para o seu desenvolvimento não só pessoal, como profissional?

Fiz vários cursos no decorrer da minha vida, em vários lugares, com o objetivo de me aperfeiçoar cada vez mais. Eu fiz um curso de teatro em 2015 até 2023. Esse curso me auxiliou muito, a interagir melhor com as pessoas, eliminando um pouco da minha timidez. Também fiz curso de ilustração com o intuito de melhorar os meus desenhos.

O último curso foi o de roteiro, tendo o objetivo de me aperfeiçoar na escrita e criação de histórias, pois desejo seguir a carreira de escritor e roteirista. E eu venci muitas barreiras com a realização de todos os cursos, lembro que me apresentei no palco, em uma peça de teatro, pela primeira vez, com um público total de duzentas pessoas, foi um grande desafio para mim.

 

Quais foram as peças que você participou?

Eu representei em peças escritas pelos próprios alunos, pois todos eram incentivados pelo professor a escrever, criar e produzir. Nós éramos incentivados a criar tudo do início ao fim.

 

Isso quer dizer que vocês desenvolveram todo o roteiro e atuaram dentro na peça criada por vocês mesmos?

Sim, tudo foi feito por nós. Criamos e desenvolvemos absolutamente tudo. Acredito que todos os cursos me ajudam muito a superar as minhas dificuldades, acabei por me integrar bem aos grupos.

 

Conta um pouco para a gente quais foram, dentro dessa amplitude de cursos que você realizou, as suas maiores conquistas até o momento?

Sem dúvidas foram a inclusão e o acesso ao conhecimento. Na escola, no início, tive muitas dificuldades de adaptação devido ao meu problema, mas enfrentando as dificuldades consegui me formar. Depois que terminei a escola, consegui mais apoio das pessoas e especialistas.

No início dos anos 2000, as pessoas não possuíam tanto conhecimento sobre o autismo e suas limitações, era muito difícil as pessoas entenderem os problemas que eu possuía, com o tempo, nos dias de hoje, as pessoas se especializaram, entendem mais sobre o tema autista.

Sem dúvidas as minhas maiores conquistas foram direcionadas a vencer as minhas dificuldades e me especializar cada vez mais com foco nos objetivos que desejo para o meu trabalho e para a minha vida.

 

Nesses cursos, você possuía colegas com o mesmo problema?

Sim, tive vários colegas com os mesmos problemas, uns com nível de autismo menor e outros maior. Mas sabe, posso comentar que consegui evoluir e melhorar os meus problemas, chegando ao ponto de auxiliar outras pessoas, outros colegas e amigos. O que me motivava a ajudar era bem simples, eu percebia e entendia os problemas deles, que também eram os meus. Eu particularmente os ajudava a todo momento e de uma forma constante.

 

Certo. E conta um pouco para a gente, as melhorias que você teve na sua vida, ou seja, quais foram as evoluções que você teve, com base nessas experiências, com a participação nos cursos e o acompanhamento de profissionais?

Agora estou com a ajuda de uma TEO. Desde o início sempre tive acompanhamento de fonoaudióloga e terapias. Com isso consegui evoluir, e superar as minhas dificuldades escolares de memorização e aprendizado.

Eu sempre tive ajuda de fonoaudióloga, terapia e assistência de pedagogia, e com todo esse apoio consegui evoluir muito.

 

Comente um pouco sobre os trabalhos que você já desenvolveu, ou seja, os livros que já lançou. Conta um pouco a história desses livros para nós.

Os dois primeiros livros foram o Henrique e o Tom, contam como ambos superaram as dificuldades tendo como base a amizade. E eu pretendo lançar um terceiro, seria uma continuação, com a ajuda do curso de roteiro que realizei. Com esse lançamento pretendo terminar essa trilogia.

O Tom é um personagem totalmente inspirado em mim, na minha vida e nas dificuldades que enfrentei, retratando as realidades que passei, principalmente na escola, onde sofri um processo de bullying. Quando estava na escola, eu ainda não tinha o diagnóstico relacionado aos meus problemas de autismo. Sendo assim, nos dois primeiros livros não são apresentados os diagnósticos do autismo, pois eu não tinha o diagnóstico. Pretendo colocar o diagnóstico para o Tom, em meu novo projeto, o terceiro livro, no qual estou nesse momento trabalhando.

Nos dois primeiros livros, o Tom apresenta o tema do processo de inclusão, e como esse processo salvou a sua vida, essa também foi a minha realidade, para que muitos alunos e professores possam entender de uma melhor forma esse problema. Com isso, os processos de isolamento e bullying começaram a acabar. Esses dois primeiros livros apresentam, em sua essência real, como consegui superar os problemas e as minhas dificuldades na escola. Por fim, acabei por me formar e hoje me sinto totalmente adaptado e incluído.

 

E o Tom então é o espelho da sua experiência pessoal. Essa experiência foi transcrita para o personagem Tom, seria isso?

Totalmente, como todos os personagens também, muitos inspirados nas pessoas que me ajudaram. Eu apresento inclusive, como é feita uma boa terapia, como incluir um autista, a forma de inclusão, tudo está nos meus dois primeiros livros, dedicados as pessoas que desejam entender e se adaptar de uma melhor forma aos autistas. Com esses dois primeiros livros, tenho a plena certeza de que ajudo a vida de muitas pessoas.

 

A trilogia que você desenvolveu foi uma obra com foco em auxiliar pessoas que tem o mesmo problema que você, como também os pais dessas pessoas a compreender melhor esse viés do autismo, correto?

Totalmente, desde o início eu tinha essa meta bem clara.

 

Explique um pouco melhor, esse processo para a gente, essa visão da ajuda que você colocou nos livros.

É baseado na amizade, nas pessoas desejarem a amizade dos autistas, incluir, ficar junto, ajudar a crescer e cuidar com muito carinho. Dentro desse cenário o meu personagem autista evolui no decorrer da história. E com todo esse apoio o Tom inicia a sua caminhada realizando e conseguindo conquistar vitórias na sua vida.

 

Como comentando acima, são livros que tem o foco principal e o objetivo de auxiliar pessoas, pais com filhos autistas, correto?

Sim. Essa foi a minha visão, ajudar pessoas. Eu particularmente, gostei muito de criar e escrever os dois primeiros livros, ambos lembram muito a minha vida.

 

 Você está com o projeto de lançar um volume novo, seria o volume 3 do Tom, correto?

Sim, do Henrique também, porque o Henrique foi o primeiro. O Henrique é mais aventureiro.

 

Então você tem dois personagens, o Henrique e o Tom. E todos os dois são espelhados em você e na sua experiência pessoal. O Henrique seria um aventureiro, uma história de aventura? Sendo assim, o Tom tem o foco nas suas experiências de vida, o Henrique já é um personagem mais voltado para a ficção com base na aventura, seria isso?

No mesmo universo, mas sim. Ambos os personagens carregam em suas histórias a minha experiência como autista.

 

Mantendo o foco no Tom, esse seria um livro, também voltado para a autoajuda?

Sim. No livro Tom expresso a minha realidade para as pessoas que possuem autismo. O Tom tem pai, tem irmãos, tem vizinhos, todos os personagens interagem com ele, e aos poucos vai apresentando como cada um reage, como cada um lida com a situação de possuir um filho, um amigo, um vizinho autista.

 

Então você cita o próprio ambiente familiar, a convivência do Tom, como o espelhamento das suas próprias experiências pessoais, correto?

Sim. Mas também coloco nos meus textos as experiências de outras pessoas autistas. Isso foi necessário para um entendimento mais amplo e diversificado do tema, para que todos possam compreender bem a situação de uma pessoa autista. As barreiras e as dificuldades que os autistas possuem.

 

Certo. Bernardo comente um pouco mais sobre o personagem Henrique. No caso do Henrique, seria uma história relacionada com a aventura e a ficção. Você não se limita somente na área de autoajuda, correto?

No livro Henrique, o Tom é um personagem menor no decorrer da história. A ideia do Tom veio depois. Eu escrevi o livro Henrique primeiro. O Henrique não é autista, mas é um personagem que também possui algumas camadas e sentimentos autistas. No terceiro livro irei explorar mais a relação do Henrique com o Tom.

 

Conte um pouco para nós a história do seu primeiro livro o “Henrique”?

Só o Tom é autista, mas os dois são do mesmo povo, são amigos. O Henrique faz a inclusão do Tom, ajuda o Tom em muitas passagens do livro. O Tom faz o papel de conselheiro do Henrique, que é o rei. O Tom é conselheiro do Rei Henrique, mas devido às dificuldades do autismo ele enfrenta algumas barreiras, mas consegue, aos poucos, passar por todas. O livro Henrique é mais voltado a aventura.

 

Qual é a cronologia dos livros?

Eu escrevi o Henrique primeiro, para testar a minha capacidade de criação. Depois eu pensei, vou escrever o Tom como autista, um livro dedicado exclusivamente ao Tom. Alguns temas autistas mais profundos serão revelados somente no livro 3. Como estava no meu último ano de escola, ensino médio, eu preferi escrever a história do Tom, colocando tudo o que eu vivi.

Lancei na véspera da minha formatura. Me formando, também fiz minha primeira peça no teatro, foi no mesmo ano, em 2016.

 

No terceiro livro da trilogia você vai encerrar a história do Henrique e do Tom?

E essa história eu vou trabalhar a partir de agora com o professor Carlos Ewald, vamos trabalhar juntos para a criação dos textos. Posso adiantar que vou mostrar mais o Tom e o recebimento do seu diagnóstico de autismo e explorar as suas reações e comportamentos diante desse diagnóstico. O Henrique interage sempre com o Tom e juntos vivem histórias sensacionais. Tudo será mostrado nessa terceira edição. Farei a conclusão da história de ambos os personagens e a finalização da trilogia.

 

Você tem em mente outros projetos?

Sim, tenho o projeto da criação de um livro de contos, seria uma coletânea, englobando outros personagens, alguns seriam pessoas LGBTs com deficiência, e provavelmente também serão super-heróis.

 

Então vai ser uma coletânea de contos onde você vai abordar vários temas, seria isso?

Sim, também vou ilustrar a obra com meus desenhos, que por visto já estão prontos. São ilustrações da história da minha vida, que fiz desde pequeno. Estou organizando todo o material com o professor Carlos Ewald.

Colocarei os meus desenhos mais importantes para as pessoas verem. O meu hiperfoco também me ajudou bastante nos desenhos. Gostaria muito que as pessoas entendessem que os autistas também são artistas e vivem da arte. Criam, desenham, expressão as suas ideias no papel.

Esse livro será uma coletânea de contos bem legais, abordando vários temas distintos com personagens sensacionais. E vou associar a esse livro, em especial, as minhas ilustrações.

 

Conta um pouco para gente sobre a sua capacidade de desenhar, a sua caminhada no mundo das artes, no mundo do desenho.

Desde pequeno eu desenhava muito. Sempre tive habilidade para o desenho, devido ao meu hiperfoco. Na escola, durante a aula de artes, eu era muito incentivado a desenhar. Eu sempre ilustrava, pintava e guardava, mas foi só em 2018 que eu decidi fazer um curso profissional voltado para a ilustração editorial.

Foi nesse momento que comecei a estudar a fundo para aprimorar a minha técnica, pois também tenho o sonho de trabalhar no mercado das artes.

 

Você ilustrou as capas de todos dos seus livros?

Todas as capas foram feitas por mim, com ilustrações de minha autoria. Que por visto ficaram bem interessantes.

 

Para o livro de contos, em específico, você vai colocar uma ilustração para cada conto ou vai distribuir as ilustrações de forma mais genérica e aleatória no livro para mostrar a sua arte?

Eu desejo distribuir as minhas ilustrações, para mostrar a minha arte.

 

Nessas ilustrações você vai colocar pequenos textos de abordagem explicando paras as pessoas ou dando um viés de conhecimento retratando aquele momento da sua vida ou não?

As ilustrações são, de forma geral, tudo o que eu vejo no mundo, o que eu gosto, a imaginação, a minha capacidade de criação. Para também apresentar as pessoas como a minha mente funciona, apresentando tudo o que eu gosto, como também, o que eu não gosto. A arte em sua essência, também retrata o nosso subconsciente. Colocarei ilustrações em preto e branco e coloridas, será uma mistura e todas estarão acompanhadas de textos explicativos relacionados ao tempo e acontecimentos na minha vida.

 

Eu, como professor, vou te fazer uma pergunta um pouquinho mais técnica, simples, você gosta das cores mais quentes ou frias, mais pastéis ou mais fortes?

Eu gostaria de entender melhor esse tema das cores. Eu confesso que tenho muitas dificuldades com o uso das cores, devido ao meu problema de daltonismo. Eu gosto de pintar, mesmo possuindo esse problema, gosto de mostrar as cores e seus tons. As cores que eu mais gosto são o azul e o amarelo. Com o uso das cores consigo me expressar melhor.

 

Correto. Então, a sua arte expressa também as suas vontades, os seus sonhos e objetivos dos quais deseja alcançar na sua vida, seria mais ou menos isso ou elas também abordam esse processo do autismo que você possui?

Então, tem ilustrações que você gosta, que você curte, tem ilustrações voltadas ao viés dos enfrentamentos que tive no decorrer da minha vida, provocados pelo autismo.

 

Qual é a mensagem que você passa para as pessoas que desejam incentivar o seu trabalho? Quais são os seus objetivos dentro desse contexto de trabalho?

Eu desejo muito trabalhar como escritor e desenhista para auxiliar e ajudar a sociedade a melhorar. Mas o problema é que muitas vezes eu busco ajuda em muitos lugares, muitas pessoas têm dificuldade de entender o autismo e acabam por não ajudar. Eu gostaria de um apoio profissional para o lançamento mais amplo dos meus livros no mercado, do meu trabalho, para realmente ajudar pessoas, conseguir um caminho, conseguir avançar. As pessoas têm dificuldades de entender que esse processo deve ser incentivado e adaptado, inclusivo, devido a questão do autismo que possuo.

Preciso de alguém ao lado para ajudar, pois sozinho não consigo. Eu desejo trabalhar em editoras, empresas que aceitem e gostem de crescer com a luta autista, para também incentivar e conscientizar as pessoas.

E eu quero ganhar dinheiro, salário. Ganhar dinheiro é o resultado do nosso trabalho. O meu ponto principal é conseguir um trabalho nas áreas de roteiro, como também na área editorial.

Ter uma oportunidade de incentivo, através de alguma empresa que conheça o meu trabalho e tenha vontade de lançar no mercado. É tudo isso. Eu desejo poder me sustentar, ter meu dinheiro e usá-lo bem, dentro de outras criações e projetos.

Mas também tenho o desejo, lá na frente, de ser futuramente o dono de uma editora, para ajudar pessoas a lançarem também os seus trabalhos. Meu objetivo é bem simples, ajudar.

 

Você gostaria de trabalhar em outros livros escritos por outras pessoas?

Sim. Eu desejo trabalhar em todas essas áreas, não importando se o livro é meu ou de outras pessoas. Trabalhar com ilustrações, capas, estruturação de textos, é o que eu desejo.

 

Qual seria a grande mensagem que você deixaria para as pessoas que hoje enfrentam os mesmos problemas que você enfrentou e enfrenta?

Que busquem autores autistas ou PCDs, que realmente entendam do problema, para que também possam auxiliar pessoas autistas.

Eu buscava ajuda, algumas pessoas ajudavam, mas não tinha uma literatura dedicada aos autistas, PCDs, porque essa literatura quase não existe no mercado. Quando nós encontramos algum livro, algum trabalho, identificamos que não é feito pela pessoa autista, são pessoas que não conhecem profundamente os nossos problemas, que não vivem o que vivemos. Eu desenvolvo a minha obra assim, com o objetivo autista, porque eu realmente vivo e entendo o problema. Peço para as editoras investirem mais no autista, mais em nós, se conscientizando das nossas questões, para que possamos evoluirmos juntos. Acreditem em nosso trabalho.

 

Fala um pouco da sua mãe, da participação dela na sua vida, não somente no passado, como também nos dias de hoje.

Nós sempre estamos juntos, nos ajudamos muito. Muitas pessoas fizeram maldades com a gente por não entenderem a questão autista. A gente está vivendo, superando as nossas dificuldades juntos, todos os dias.

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Author

Colunista e criador da marca QuadriMundi, a editoria de quadrinhos, mangás e animações do portal ArteCult.com. Estudou desenho artístico na Sociedade de Belas Artes, Desenho Artístico no SENAC e Desenho de propaganda no SENAC. Formado em Desenho Industrial com Habilitação em Programação Visual. Também estudou fotografia na mesma instituição. Desde quando tinha 5 anos viveu no mundo dos quadrinhos com o seu tio avô Willi Mendell, dono da representação da King Features do Brasil. Publicitário, desenvolvedor web, programador e Game Designer, se dedicou algum tempo a área financeira. Mas sempre desenvolvendo em paralelo suas atividades relacionadas a quadrinhos, jogos e maquetes. Fez varias exposições no Rio de Janeiro entre 1988 e 1995. Começou a trabalhar com o desenvolvimento de jogos (Board Games) no final da década de 80. Desenvolveu os mais variados títulos de jogos nas áreas de história e política a partir de 1990. Com uma equipe que consistia em um bom grupo de amigos, desenvolveu os jogos “Batalha nas Estepes”, “Mare Nostrum”, “Gladiadores” e “Semente do Futuro”. Foi dono de uma fábrica de miniaturas para D&D, AD&D e Gurps de 1988 à 1991. Participou de todas as edições da feira de quadrinhos estruturada pela Devir em conjunto com a Gibiteria Barbaras Magias na década de 1990 no Rio de Janeiro. Em algumas edições da Bienal do Livro estruturou maquetes com cenários de miniaturas para o estande da Devir. No final da década de 1990 foi para a Inglaterra, cidade de Londres onde teve a oportunidade de conhecer muitos profissionais da empresa Games Workshop, aprendendo sobre a concepção e o desenvolvimento de Board Games e miniaturas. Foi presenteado com os jogos Space Hulk e Warhammer 40K dos quais ainda tem em sua coleção até os dias de hoje. Trabalhou em varias agências de publicidade e propaganda, em treinamento executivo por 20 anos, ministrando treinamentos no IME - Instituto Militar de Engenharia e DADM na Marinha do Brasil, trabalhou na Vivo chegando a Assessor da Vice Presidência da empresa e sendo um dos mentores na criação da marca Vivo. Também atuei na Segurança Pública. Estudou na Lipe Diaz Escola de Artes Visuais, desenvolvimento de quadrinhos. Suas principais influências são Jack Kirby, Jonhm Blanche, Jorge Guidacci, Jonhm Buscema, Sal Buscema, Boris, dentre outros mestres do desenho e quadrinhos. Sempre apaixonado pelos quadrinhos, Games e Board Games!! ewald.amazonas@gmail.com

2 comments

  • Matéria muito bem feita fico muito feliz de ver um semelhante meu estar em um nível tão bacana com seus trabalhos parabéns…a vida faz com que onde todos passamos por muitas dificuldades e não precisávamos sofrer tanto… mas Deus sabe de todas as coisas eu hoje entendo pq fui campeão de tudo no Taekwondo porque sou campeão do prêmio ecos de literatura e do prêmio reflexo literário e também por que fui campeão de vídeo game cada hiperfoco e uma forma de se evoluir e aprender com nois mesmos muito feliz por conhecer sua história meu amigo seja sempre feliz pois eu sou feliz todos os dias mesmo com todas as dificuldades.

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