
Abraça inaugura o ano de 2026 com delicadeza, pesquisa e afeto.
O projeto já existia na imaginação da idealizadora, mas ganhou corpo após uma intensa imersão artística: o Laboratório Cênico no Sesc, em busca da poética da Cia Artesanal; a vivência em Dramaturgia Acessível para a Infância com Marcos dos Anjos; e o Ciclo de Oficinas de Teatro para a Primeira Infância realizado no Centro Cultural Banco do Brasil, conduzido pelo grupo Eranos, referência nacional em trabalhos destinados aos bebês e às crianças bem pequenas.
Para Paty, a troca entre artistas, aliada ao apoio de instituições culturais, é o que sustenta uma criação profunda, sensível e responsável — especialmente quando o público é formado por crianças de zero a seis anos.
Ao lado de Paty, que assina também a dramaturgia, está Bellas Silveira, atriz e diretora de movimento. Juntas, as artistas construíram cenas que dialogam com a corporeidade da primeira infância, com ritmos mais lentos, gestos amplificados e estímulos sensoriais que respeitam o tempo dos pequenos espectadores. Bellas retorna recentemente da Europa, onde participou de um festival de dança, trazendo novas ferramentas e percepções sobre movimento, proxêmica e presença cênica — elementos que somam para que a obra alcance um nível performático consistente e afetivo.
O cenário, figurino e adereços assinados por Francisco Leite apresentam uma estética suave e acolhedora, inspirada nos bordados e nas delicadezas do interior nordestino. Cada detalhe carrega a memória daquele que costura para alguém que ama.
“Quando menino, eu brincava embaixo do gabinete de costura da minha mãe e ainda era embalado pelo barulho do pedal, também transformava caroços de manga em bichos. Quando penso no Abraça, é como se eu estivesse decorando o quarto do meu filho, pespontando cada parte com cuidado”, revela o artista.
Essa poética visual cria um ambiente íntimo e mágico, convidando as crianças a explorarem as cores, formas e texturas que compõem o universo da protagonista. Com uma cobra de quase oito metros em cena — personagem fundamental na história — a experiente manipuladora Marise Nogueira acompanha o espetáculo fazendo a supervisão da animação da grande protagonista. Sua presença garante segurança, ritmo e precisão nos movimentos, permitindo que a cobra se torne um ser vivo aos olhos dos pequenos espectadores.
Sobre o espetáculo
Abraça é voltado para a primeira infância e investiga temas psicomotores, além de sensações táteis, sonoras e afetivas. A criação contou com dois laboratórios distintos, nos quais crianças de escola pública e de uma creche privada tiveram contato direto com Ciça, a cobra, ajudando a moldar o comportamento, o tempo e os estímulos da personagem. Cada encontro ofereceu às artistas novos olhares e descobertas sobre como as crianças reagem ao desconhecido, ao medo e ao encantamento.
Trata-se de uma obra sensível e divertida, que utiliza uma linguagem lúdica para abordar o medo do diferente e a possibilidade de transformá-lo em vínculo, confiança e afeto. A grande cobra de pano, com sua textura macia e movimento fluido, torna-se uma ponte entre a imaginação e a realidade — um ser que primeiro assusta, depois intriga e, por fim, acolhe.
A encenação inclui texto autodescritivo e sinais de Libras, introduzidos de forma orgânica na narrativa. Durante o processo, um episódio marcou profundamente a autora: sua sobrinha Valentina, ainda pequena, começou espontaneamente a reproduzir o sinal de “sapo”, feito com as mãos.
“Foi como um presente. Naquele dia, entendi que as crianças pequenas se adaptam naturalmente a novas formas de comunicação. Valentina me ensinou mais do que eu pude ensinar.”
A contribuição de Analu Faria e Christofer Moreira na área de acessibilidade foi fundamental para garantir que o espetáculo fosse inclusivo, respeitoso e sensível às necessidades de cada criança e família.
A musicalidade é assinada por Karina Cavalcanti, que criou uma trilha suave e sensível, pensada para tranquilizar e acolher o público. As canções acompanham o ritmo interno das crianças, respeitando especialmente aquelas neurodivergentes, que respondem melhor a estímulos sonoros que não são abruptos, mas fluídos, constantes e reconfortantes.
Sinopse
Uma menina passa o dia em uma cabana em meio à natureza. Com carinho e curiosidade, ela apresenta pequenos insetos e seres às crianças:
borboletas, bichinhos, texturas e objetos encantados.
De repente, um ruído vindo da mata desperta o medo:
seria uma cobra?
Assustada, ela se esconde — mas a curiosidade é mais forte que o temor.
A menina decide se aproximar e, pouco a pouco, descobre que aquilo que parecia assustador pode ser terno, divertido e cheio de possibilidades.
A amizade incomum que nasce entre as duas as leva a explorar o mundo juntas, descobrindo sons, texturas, ritmos e afetos que fazem parte da infância e da vida.
Abraça convida os pequenos espectadores a uma experiência sensorial, poética e acolhedora, onde o olhar, o toque e o som se tornam linguagem — e onde o medo, com suavidade, se transforma em afeto.
Leve suas cangas e prepare-se para sentar bem pertinho dessa aventura!
Ficha Técnica
- Idealização, texto e elenco: Paty Lopes
- Direção de movimento e elenco: Bellas Silveira
- Estrutura musical: Karina Cavalcanti
- Contribuição em acessibilidade: Analu Faria e Christofer Moreira
- Adereços, cenários e figurino: Francisco Leite
- Fotografia: Rodrigo Menezes
- Filmaker: Cido Accioly
- Supervisão de animação: Marise Nogueira
Serviço
Espetáculo ABRAÇA
- Teatro Guignol da Tijuca
- Praça Comandante Xavier Brito
- Dia 18/11/2026 — 16h
- Classificação: Livre
- Entrada: GRATUITA
Mais fotos do espetáculo
(Crédito: Rodrigo Menezes)

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