A Ucrânia de Clarice

 

Impossível não pensar em Clarice nesse ataque à Ucrânia. Não lembrar que sua vinda para o Brasil no início de 1922 se deveu à guerra no mesmo lugar de onde hoje tantos, brasileiros inclusive, tentam escapar. Haverá um êxodo de 4 milhões de pessoas por causa da invasão russa. Como não pensar em sua obra, ela tão contestadora, de uma autora que ganhamos de presente pelo destino? Pedro Lispector poderia ter ido para Nova York, e hoje ela seria a maior escritora americana, porque certamente causaria pasmo também por lá, como já causa em suas traduções para o inglês.

Graças a Benjamin Moser, Clarice tornou-se conhecida do mundo. Mas nós, de forma indireta, tornamo-nos irmãos e órfãos de Clarice, porque é impossível não ter sido tocado por algum de seus contos ou romances. Para mim, foi fundamental. Foi quem me fez descobrir-me poeta. Devo isso a Clarice. E hoje a guerra na Ucrânia só me faz lembrar do motivo por que ela veio para o Brasil. A mesma guerra que faz com que o mundo tema uma eclosão mundial.

Rezo pela Ucrânia para que Putin não consiga seu intento maligno. Se há uma coisa que o mundo não precisa é de mais uma guerra mundial pelos mesmos motivos que causaram a Segunda, pelos mesmos métodos que foram usados no passado.
Os homens são outros, mas os instintos beligerantes são os mesmos. Clarice, que, de sua magnânima altura, pode nos ver e alcançar, proteja o mundo e a Ucrânia desse desastre.

#prayforukraine

THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA

 

Sobre a autora

Thereza Christina Rocque da Motta. Foto: Vitor Vogel – 2021-10-22 -Niterói TCRM

Thereza Christina Rocque da Motta é poeta, editora e tradutora. Aos 15 anos, escolheu a poesia como sua forma de expressão e, mais tarde, foi moldando sua prosa. Em 1998, escreveu “A Fada das Pedrinhas” (2018), mas teve de esperar 20 anos para publicá-lo, quando conheceu o ilustrador Felipe Trigueiro. Em 2020, lançou mais dois livros infantis, “Coroco e Coroca” e “Juça e Aninha”. Lançou “Joio & trigo”, seu primeiro livro de poemas, em 1982. Tem 25 livros publicados, entre eles, “Capitu” (2014). É membro do Pen Clube do Brasil e da Academia Brasileira de Poesia.

Fundou a Ibis Libris Editora em 2000 e criou o selo Bisbilibisbalabás em 2002. “Sheherazade” é seu primeiro livro de contos. Em 2021, criou o selo Maat para autoras femininas. Esse ano, a Ibis Libris comemora 22 anos.

Confira também a entrevista exclusiva do ArteCult com Thereza através do projeto AC Encontros Literários. As lives com a escritora podem também ser vistas na playlist “AC Encontros Literários” do nosso canal no YouTube.

@tcrmotta / @ibislibris

 

 

 

 

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