Coluna de ROSE ARAUJO

Grupo “Arruma o Coreto” na Praça São Salvador – Foto de Washington Luiz de Araújo
A PRAÇA
Rose Araujo
Os dias revelam hiatos e significâncias.
A praça, à esquerda da esquerda da esquerda da praça, oferta-nos a bruma, da primeira hora ao crepúsculo solar. Convida à partilha, embala o olhar, resiste ao tempo, une vozes, bottons, mãos, levanta bandeiras. Acolhe cariocas da gema do mundo todo, naquele lugar.
De choros, chorinhos, chorões, sorrisos primeiros, singelezas de criança em festas de vida e liturgia, São Salvador abençoa, à salvo das bestas abjetas do nosso tempo.
Em olhos de vida e entrega pulsa e reluz em tons, eixos e cifras. No coreto a Colombina rebobina Pierrôs e brinda aos blocos de outros carnavais. Artesãos, artistas e arteiros colorem bancos e mesas, os postes recebem matérias e mistérios, pipoqueiros batem altos papos ancestrais.
Músicos dedilham o verso em cena atabalhoada, entrecortada de esquetes espontâneas em seus personagens reais.
Thiago desce com Akemi, que combina com Luis e Rose, que aguardam Naná e JC, que já petiscam com Thales e Débora ali, no entorno da praça, e que não combinaram com ninguém.
E a cantoria segue: “…se a madrugada nos trouxesse a lua/se o amor chegasse eu não resistiria/e a madrugada acalentaria a nossa paz: fica!…”
Na pontualidade dos pombos das dezesseis e trinta, o Rio deságua no [a]mar, mantendo nicho e potência, cultura e resistência, de outubro a setembro. Ela é nossa, a praça é nossa, o ano inteiro. Nada mais!
Salve São Salvador!
Salve o Rio, o amor, as primícias, os dias primeiros!
ROSE ARAUJO

Rose Araujo. Foto: Divulgação.

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Belo texto: onírico, lírico e, ao mesmo tempo, real. É o retrato libertário e feliz dessa Praça que tanto amamos. A face que O Rio deveria ostentar pra sempre. Parabéns!