“A CASA DA BENZEDEIRA: Pris Mariano lança seu quinto livro, na Livraria da Travessa. Uma obra de Amor e Ancestralidade.

Pris Mariano e a capa do livro “A Casa da Benzedeira”. Foto: Divulgação.

A Casa da Benzedeira“: Um Canto de Amor e Ancestralidade

 

No dia 23 de junho às 19 horas, a Livraria da Travessa do BarraShopping, no Rio de Janeiro, será tomada por poesia e memória. É quando nasce, em forma de livro, “A Casa da Benzedeira“, quinto título da escritora, cantora e multiartista Pris Mariano, que, com Rodrigo Di Castro, compõe o Duo Rosa Amarela.

Pris Mariano, cantora de alma, pedagoga e psicopedagoga por formação, Reikiana, médium de Umbanda, filha da Umbanda do Oriente, praticante da magia oracular, neta de rezadeira, herdeira da fé de sua mãe, já nos havia presenteado com obras como “Benzedura Ancestral”, “Plantaria”, “Oráculo de Reza” e “Magia Lunar”. Agora, ela nos conduz por um caminho onde o benzimento não é técnica, mas gesto de presença, escuta e acolhimento. O livro é um mergulho poético nos mistérios e renúncias desse ofício sagrado. Revelando que a cura nasce das mãos, mas floresce no coração.

Desde 2020, a autora também lidera palestras e grupos de estudos dedicados ao resgate desses saberes.

Antes das páginas, vieram as canções. O álbum “A Casa da Benzedeira” abriu caminho para a literatura, trazendo em sua melodia o mesmo afeto que depois se transformaria em palavras. Cada faixa é uma reza cantada, uma memória que vibra em som e prepara o espírito para o encontro com o livro.

O projeto se desdobra em um documentário homônimo, dividido em três episódios e disponível no YouTube, roteirizado e dirigido pela própria Pris Mariano. 

Além disso, “A Casa da Benzedeira” carrega uma dimensão política e pedagógica: o ofício das benzedeiras é reconhecido como patrimônio cultural imaterial pela Constituição Federal de 1988 e pelo Decreto nº 3.551/2000. 

Ao transformar oralidade em literatura, Pris oferece uma ferramenta viva que reeduca o olhar para nossa identidade mais profunda.

 

“Hoje não se ouvem mais os murmúrios em forma de oração, o
perfume de alecrim, os saberes populares. Estamos
precisados desses saberes e fazeres das benzedeiras.
Talvez estejam escondidas da intolerância, em quintais
floridos, praticando essa herança ancestral de cura, de forma
silenciosa.
Tratando de feridas que muitas vezes não conseguimos lidar,
benzendo temporal e espalhando o perfume das ervas pelo ar.”

(Autor desconhecido)

 

ENTREVISTA COM PRIS MARIANO

O AC POR AÍ realizou uma entrevista exclusiva com Pris Mariano. Uma leitura indispensável para mergulhar nos significados e na sensibilidade que envolvem “A Casa da Benzedeira“.

Livro, álbum e documentário não são partes isoladas, mas um mesmo corpo que respira e se expande. Juntos, revelam que o benzimento é mais do que tradição: é poesia viva, é entrega, é amor que se perpetua.

Confira abaixo!

1. Simone Miranda: Pris Mariano, como é para você manter viva a tradição da benzedeira em meio a um mundo tão acelerado e moderno?

Pris Mariano: Penso que viver no modo acelerado seja uma escolha. Não é o mundo que está acelerado. O planeta não mudou seu tempo rotacional. São as pessoas que, na verdade, estão acumulando tarefas e consumindo mais, achando que isso é usufruir da vida. Com isso, viver uma prática ancestral, ao meu ver, é o retorno da medicina do afeto. O benzer nos leva ao encontro do afetamento pelas coisas simples. Coisas que pedem contemplação, e não velocidade.

2. Simone Miranda: Qual ensinamento dos mais antigos você carrega até hoje e sente que continua guiando sua caminhada?

Pris Mariano: Foto: Divulgação.

Pris Mariano: O respeito e a busca da simplicidade. Sempre gosto de pensar no que minha mãe me diria hoje. Com certeza ela me perguntaria: “Já rezou hoje, minha filha?”. A fé em algo que nos orienta pelo caminho mais simples é uma herança. Hoje tenho mais entendimento sobre isso.

​3. Simone Mirada: “A Casa da Benzedeira”, o Duo Rosa Amarela e o documentário parecem se entrelaçar… de que forma essas três forças se conectam na sua vida?

​Pris Mariano: São três caminhos que nos levam ao mesmo final: aquilo que gosto de chamar de Pedagogia da Espiritualidade. Quando falamos de espiritualidade, todos a associam ao modo religioso de viver. Mas, neste caso, a entendo como caminho de manifestação. Neste trabalho, há o encontro da arte com o saber ancestral, assim como com a difusão do conhecimento. São três caminhos vivos: música, pesquisa e registro literário. Expressões de um único propósito: dar luz a um conhecimento para que ele não caia no esquecimento. Se esse conhecimento nos afeta a ponto de emergir em uma produção, ele é a nossa parte espiritual trazendo a materialidade da vida. É o sentido antes mesmo do propósito.

Foto: Divulgação

4. Simone Miranda: Houve algum momento nessa trajetória que tocou você tão profundamente que ficou marcado para sempre?

Pris Mariano: Todos os momentos são necessários. Mas, quando olho para trás, vejo o quanto os erros e os acertos foram generosos comigo. Tudo é especial quando os nossos olhos buscam isso.

5. Simone Miranda: Trabalhar em família traz mais força e sentido ou também apresenta desafios no dia a dia?

Pris Mariano: Tá aí um momento que eu poderia dizer que foi especial para que o hoje acontecesse: a formação da minha família! Sem eles não haveria sentido.

6. Simone Miranda: Você sente que a fé da Casa, a música do Duo e o olhar do documentário acabam formando um legado coletivo que ultrapassa a história de vocês?

​Pris Mariano:  Com certeza! Ao longo desse tempo, descobri a importância da mensagem do nosso trabalho. Alimenta-nos muito cada relato que ouvimos. Superações… pessoas que descobriram seu estado de ser a partir de uma canção nossa. Isso é muito profundo. Costumo dizer que somos operários cumprindo ordens de serviço. Cantar, rezar, estudar, compartilhar… são trabalhos que nós colocamos como ferramentas. Na vida podemos escolher muitas coisas; uma delas é provocar coisas boas na vida de outras pessoas. Foi para isso que todos nós viemos aqui. Essa é a minha forma de ver a vida.

 

Confira o convite de Pris Mariano para o lançamento do livro A CASA DA BENZEDEIRA

 

A cantora e o Duo Rosa Amarela

Simone Miranda e o Duo Rosa Amarela no Show Odara no Teatro Vanucci. Foto: ArteCult

Tive também o privilégio de assistir ao espetáculo “Odara” do Duo Rosa Amarela e foi impossível não me emocionar. Durante todo o show, a reza se fez presente através da música, das palavras, dos gestos e da energia compartilhada com o público. A emoção segue durante toda a apresentação, nos conduzindo a um estado de paz, acolhimento e profunda conexão espiritual.

As canções ultrapassam os limites do entretenimento e se transformam em verdadeiros momentos de celebração da vida, da ancestralidade e da fé.

Ao final, fica a certeza de que o trabalho desenvolvido pelo Duo Rosa Amarela e por “A Casa da Benzedeira” vai muito além da arte ou da religiosidade. Trata-se de um convite ao reencontro com aquilo que há de mais humano em nós: a capacidade de acreditar, sentir, compartilhar e reconhecer a espiritualidade como uma força viva que nos acompanha em todos os momentos da existência.

Há um instante em que o tempo parece suspenso, e o que se vive é pura conexão — com a música, com a memória, com o sagrado. É nesse encontro que a “Casa da Benzedeira” se revela em sua plenitude: como corpo vivo que respira em múltiplas linguagens, unindo livro, álbum e documentário em um mesmo chamado de amor e resistência.

 

Sobre Pris Mariano

Pris Mariano. Foto: Divulgação.

Pris Mariano é escritora, professora, pedagoga e cantora brasileira. É integrante do Duo Rosa Amarela, um projeto artístico familiar, que combate preconceitos contra tradições afro-brasileiras, promovendo respeito à diversidade de fé e reafirmando o direito de exercer a espiritualidade através da arte. Sua trajetória criativa transita entre a literatura e a música, sempre marcada pela valorização da cultura popular. Receberam moção honrosa na Assembleia Legislativa do RJ pelo trabalho de difusão da cultura de terreiro.

Nascida em Curicica, no Rio de Janeiro, Pris destaca-se cada vez mais no cenário musical brasileiro. Com apenas um ano de idade, sua família se mudou para a Pavuna, e, aos 7 anos, para Sepetiba, onde continuou a se conectar com as tradições afro-brasileiras que moldaram sua identidade artística. Neta de benzedeiras, Pris cresceu imersa nas práticas espirituais e populares, e essa herança se reflete em sua música, que é um forte meio de resistência cultural.

Como autora, já teve 4 livros publicados e está lançando sua nova obra A Casa da Benzedeira, livro que resgata memórias, saberes tradicionais e o universo das benzedeiras, revelando a riqueza das práticas de cura e espiritualidade presentes no cotidiano brasileiro. Sua escrita combina lirismo e pesquisa cultural, aproximando o leitor de histórias que ecoam ancestralidade e identidade.

Além de “A Casa da Benzedeira”, Pris é autora de

  • Benzedura Ancestral: saberes de ontem para o hoje bendito
  • Magia Lunar
  • Plantaria – Magia Verde
  • Oráculo de Reza (seu primeiro material em formato de cartas/oráculo)

 

 

Siga a Casa da Benzedeira nas redes sociais e confira o documentário:

@acasadabenzedeira

Documentário A Casa da Benzedeira

Álbum A Casa da Benzedeira

 

SERVIÇO

Evento: Lançamento do livro “A Casa da Benzedeira” de Pris Mariano e celebração do projeto multimídia.

  • Data: 23 de junho de 2026.
  • Horário: 19h.
  • Local: Livraria da Travessa — BarraShopping (Av. das Américas, 4666 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ).
  • Entrada: Franca.

 

 

SIMONE MIRANDA

Coluna AC POR AÍ

Vem comigo, vem!  @si.por.ai

 

 

 

 

 

 

 

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