Curitiba recebeu a turnê especial de 30 anos do álbum Holy Land, do Angra, em uma noite marcada pela nostalgia e pelas novidades. Em 25 de setembro de 2026, sexta-feira, a banda se apresentou na Live Curitiba, no bairro Novo Mundo. A casa abriu às 19h e, aos poucos, foi lotando de fãs curiosos para conferir o resultado de mais uma mudança de vocalista. Agora, Alírio Netto assume o posto de frontman após a saída polêmica de Fabio Lione, assunto que ainda rende discussões nas redes sociais e na mídia.
Quem subiu ao palco primeiro foi a Throw Me to the Wolves, banda formada em São Paulo e conhecida por suas músicas que misturam melodic death metal e metalcore. Atualmente, o grupo conta com Diogo Nunes nos vocais, Guilherme Calegari e Fabrício Fernandes nas guitarras, Fábio Fulini no baixo e Maycon Avelino na bateria.
A banda demonstrou firmeza e maturidade ao abrir o show para uma das bandas mais emblemáticas do metal brasileiro, apesar de sua formação recente. Fundado em 2023, o grupo lançou o álbum Days of Retribution em 2025 e também abrirá os shows do Amorphis no mês de outubro. Além disso, já participou de turnês ao lado de nomes como In Flames, HammerFall, As I Lay Dying e Torture Squad, entre outros.
Pela reação do público, a banda foi muito bem recebida durante sua apresentação. Entre os presentes, havia tanto pessoas que foram principalmente para assistir ao Angra quanto fãs da própria Throw Me to the Wolves, que vestiam camisetas do grupo, cantavam as músicas e até uivavam em determinados momentos, em referência ao nome da banda. A escolha foi acertada e despertou o interesse de quem ainda não conhecia o projeto, além de aquecer o público para a principal atração da noite.
Com a bateria potente de Bruno Valverde, os riffs marcantes de Marcelo Barbosa e Rafael Bittencourt, as linhas de baixo precisas e cheias de personalidade de Felipe Andreoli e a participação surpreendente do percussionista Guga Machado, o Angra iniciou a noite com Nothing to Say, levando os fãs a gritarem de emoção logo nos primeiros acordes. A atmosfera preparava o público para a entrada de Alírio Netto, em sua primeira apresentação como novo vocalista da banda em Curitiba.

Cheio de personalidade e com grande interação com o público, Alírio elevou a energia da Live Curitiba em uma noite que marcou o início de uma nova era para a banda. O grupo deu continuidade ao repertório com outras músicas de Holy Land, incluindo Silence and Distance, Carolina IV, Holy Land, The Shaman, Make Believe, Z.I.T.O., Deep Blue e Lullaby for Lucifer — esta última com os vocais de Rafael Bittencourt, guitarrista e um dos fundadores do Angra. Sua participação foi recebida com entusiasmo pelos fãs, proporcionando um momento mais intimista ao lado do único integrante remanescente da formação original.

As músicas originalmente gravadas com o saudoso Andre Matos foram muito bem interpretadas por Alírio, que, inclusive, era um dos nomes mais pedidos pelos fãs para dar continuidade ao legado da banda após a saída de Matos, nos anos 2000. Apesar da preferência de parte do público, a história tomou outros rumos, com a entrada de Edu Falaschi e, posteriormente, de Fabio Lione. Essas escolhas adiaram a chegada de Alírio ao posto, mas o destino acabou colocando-o no lugar que muitos fãs sempre imaginaram que ele deveria ocupar.

O novo frontman conseguiu entregar interpretações de qualidade das músicas das três eras anteriores da banda, embora, da fase de Lione, tenha cantado apenas Tides of Change I e II. Sua performance foi muito bem recebida pelo público, que cantou e gritou seu nome durante a apresentação. Alírio também se destaca pela interação constante com a plateia, embora a sensação geral tenha sido de pouca conversa e muita música.

O ritmo frenético do setlist ainda contou com Stand Away, Tides of Change, Waiting Silence, Wuthering Heights e Angels and Demons, antes de chegar aos grandes clássicos que encerraram a apresentação: Carry On, Rebirth e Nova Era, levando o público à loucura.
Um dos diferenciais da apresentação foi a presença do percussionista Guga Machado, que utilizou instrumentos como berimbau, atabaque, reco-reco e chocalho, entre outros. O Angra sempre teve a proposta de unir o metal à cultura brasileira, e a presença de um músico tão talentoso fez toda a diferença no show, especialmente em uma turnê dedicada a um dos álbuns mais marcantes da carreira da banda.

De modo geral, a apresentação do Angra foi muito boa e demonstrou a força do grupo diante do público curitibano, que quase lotou a casa de shows, com capacidade para 6 mil pessoas. A estrutura contou com telões que ajudavam a ambientar cada música, mas, como ponto negativo, as luzes utilizadas durante o show pareceram um tanto monótonas e poderiam ter contribuído mais para criar diferentes atmosferas ao longo da apresentação.
Apesar de se tratar de uma turnê comemorativa, sentimos falta de mais músicas da era Lione, representada por apenas uma faixa no repertório: Tides of Change I e II. Final Light poderia ser uma boa opção para o encerramento do setlist, embora, diante das polêmicas recentes, talvez o grupo esteja se distanciando dos álbuns gravados com o vocalista italiano.
Tanto a equipe do Angra quanto a da Live Curitiba foram muito educadas e solícitas, oferecendo todo o suporte necessário durante a cobertura do evento.
Setlist — Angra | Holy Land 30th Anniversary Tour
01 – Intro / Nothing to Say
02 – Silence and Distance
03 – Carolina IV
04 – Holy Land
05 – The Shaman
06 – Make Believe
07 – Z.I.T.O.
08 – Deep Blue
09 – Lullaby for Lucifer
10 – Stand Away
11 – Tides of Change
12 – Waiting Silence
13 – Wuthering Heights
14 – Angels and Demons
15 – Carry On
16 – Rebirth
17 – Intro / Nova Era
Texto: Artur Ribeiro
Revisão: Victória Heloise









