
com César Manzolillo

ONDE O SOL NÃO ENTRA
O impacto do sedã marrom contra a mureta de proteção não deixou chance. Entre os destroços do veículo, o corpo do motorista foi retirado sem vida. O sargento Mendes e o soldado Moreira assumiram a ocorrência. Revirando os pertences nos bolsos do paletó ensanguentado do homem, Moreira puxou uma carteira de couro. Dentro, uma fotografia dobrada ao meio tinha como cenário um típico dia de verão. A vítima sorria ao lado de uma mulher mais ou menos da sua idade com cabelos ruivos até o ombro e de uma menina de cerca de 6 anos que exibia uma saliente banguela. Havia ainda um endereço anotado num papel amassado que indicava uma localização distante aproximadamente dez quilômetros dali. Quando estacionaram a viatura diante do número 36, a casa se encontrava mergulhada em escuridão completa. Mendes tocou a campainha sem resposta. Moreira então deu a volta pelo corredor lateral e notou que a porta da cozinha estava apenas encostada. Lanternas em punho, invadiram o domicílio e anunciaram a presença da polícia. No interior do imóvel, o silêncio era pesado, cortado apenas pelo tique-taque de um relógio de parede. Um rastro escuro e seco manchava os degraus da escada de madeira que conduzia ao segundo andar. A trilha de sangue terminava na porta escancarada do quarto principal. Deitadas na cama de casal, os policiais encontraram, com ferimentos profundos na cabeça e no pescoço, os corpos rígidos e imóveis da mulher e da garotinha da fotografia.
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com Márcio Calixto
com César Manzolillo
com Rose Araújo














