
com César Manzolillo

A ÚLTIMA TRINCHEIRA
A poeira da estrada havia grudado na alma de Maurício. Ao longo de três anos nas trincheiras, explosões e um silêncio ensurdecedor mais temido do que bombas. Quando cruzou a porta de casa, o abraço de Tatiana e o olhar assustado de Vinícius soaram como um sonho distante. O homem que voltou não era o mesmo que havia partido, e o lar, antes um refúgio, era agora sufocante, pequeno demais para os fantasmas que habitavam sua mente.
Dois dias depois, a tensão acumulada rompeu o fio frágil da normalidade. A louça batida na cozinha e o tom de voz de Tatiana serviram de estopim. Maurício explodiu, e o grito do soldado ecoou pela casa transformando-se em fúria física. Ele então agrediu a mulher derrubando-a contra as cadeiras da sala, o terror congelando o ambiente. Ao ver a mãe no chão, acuada e ferida, Vinícius avançou contra o pai com toda a força de seus 15 anos. O desfecho foi trágico e imediato: o corpo do soldado tombou no mesmo chão que ele tanto ansiou voltar a pisar.
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