
O ESTADO DA ARTE E OS GÊNIOS PRESUNÇOSOS
Por Rodolfo Guimarães Neves
Não. Este texto não vai se referir a Pernambuco e seu povo.
Na verdade, trata-se de algo completamente diferente. A proposta aqui é outra. Refiro-me ao estágio atual, em seu nível mais alto de desenvolvimento, de uma área do conhecimento ou da técnica a ela referente. Envolve o grau mais sofisticado da pesquisa científica, em que tudo de mais atualizado do objeto de estudo é mapeado pelo pesquisador.
Tenho um sobrinho inteligentíssimo, recentemente admitido na universidade. Exatas. Sempre me preocupou o fato de todos, ao longo de sua vida, elogiarem a inteligência desse rapaz. Temia que ele se tornasse presunçoso demais e negligenciasse algum ponto importante em suas pesquisas. Devido a isso, dei-lhe este alerta nos primeiros meses de vida universitária:
“estude muito para alcançar o Estado da Arte do ramo do conhecimento que deseja desenvolver, pois você pode ser um gênio, mas não é adivinho. Caso desconheça as conquistas científicas da sua área de estudos, provavelmente vai acabar numa ideia que alguém já havia descoberto.”
O problema do pesquisador começa quando acha que já sabe de tudo e a soberba começa a falar mais alto. Ele pode até fazer um ótimo trabalho técnico ou de pesquisa, mas corre sério risco de reinventar uma peça que já consta no museu da vanguarda científica global. Isso para um “plágio não intencional” é um passo.
Humildade e trabalho duro são os antídotos. “No pain no gain”. Estudar é uma atividade incessante, uma vez que a produção científica também não para. Fica evidente que a figura do orientador é primordial nesse processo. Parcerias e intercâmbios também se mostram como caminhos muito úteis. Ora, um dos maiores gênios da Grécia Antiga, Sócrates, já afirmava que só sabia que nada sabia, e Newton só chegou mais longe sobre “ombros de gigantes”. Quem somos nós, pobres mortais, a querer curar o câncer do zero? Não se pode imaginar que talento e criatividade dão conta numa pesquisa científica, pois muitos já foram talentosos e criativos antes da gente. Se isso vale até para Arte, imagine na Ciência.
Saindo da esfera do individual para a do coletivo, o Estado (sem Arte) pode estar gastando milhões em pesquisas apenas para alcançar um patamar intermediário de um país mais avançado. Não à toa, programas de transferência de tecnologia são cruciais nas contratações de bens e serviços de alta tecnologia. Imagino a quantidade de dinheiro desperdiçado em pesquisas inúteis no Brasil.
Portanto, aos governantes e gênios de plantão, segue meu apelo: não desperdicem recursos e energia na reinvenção da roda.

Rodolfo Guimarães Neves


com Márcio Calixto
com César Manzolillo















