Biblioteca Comunitária Maju Coutinho, recebeu seu primeiro lançamento literário: Saias Rodadas: Pensares de ontem, hoje e sempre, da professora, escritora e intelectual Helena Theodoro

No CEAP – Foto: Tainá Salomão

Da professora, escritora e intelectual Helena Theodoro

Quando a memória gira, o pensamento permanece, uma saia que gira pode carregar muito mais do que movimento. Pode carregar histórias, ancestralidade, identidade, resistência e a memória de mulheres que vieram antes e abriram caminhos para as que chegam depois. Foi nesse espírito que a Biblioteca Comunitária Maju Coutinho, instalada na sede do CEAP, na Saúde, recebeu seu primeiro lançamento literário: Saias Rodadas: Pensares de ontem, hoje e sempre, da professora, escritora e intelectual Helena Theodoro.

O lançamento, na segunda (31) transformou a biblioteca em uma verdadeira roda de saberes. Durante cerca de três horas, intelectuais negros, integrantes do movimento negro, estudantes, universitários, ex-alunos e admiradores de Helena Theodoro, de Maju Coutinho e do CEAP se reuniram para celebrar uma obra que propõe justamente esse movimento: olhar para o ontem sem perder de vista o hoje e, sobretudo, o amanhã.

Na mesa, o presidente do CEAP, Ele Semog, o professor e babalawô Ivanir dos Santos, da UFRJ, o professor Rafael Haddock-Lobo, da UFRJ e UERJ, a diretora-executiva do CEAP, Dra. Mariana Gino, além de Helena Theodoro e da jornalista Maju Coutinho, convidada de honra e homenageada que dá nome à biblioteca, fizeram a conversa girar em torno de literatura, cultura negra, memória e da importância de ampliar os espaços de produção e circulação do conhecimento negro.

E havia uma simbologia especial naquele encontro. Saias Rodadas foi o primeiro lançamento realizado na Biblioteca Maju Coutinho, inaugurada pelo CEAP e pela Favelivro como um espaço de acesso à leitura, à cultura e ao conhecimento. O livro de Helena, portanto, não apenas chegou às estantes: inaugurou uma nova possibilidade para aquele espaço, que passa também a receber autores, ideias, debates e encontros em torno da produção intelectual negra.

Livro – Foto: Tainá Salomão

O próprio título da obra ajudou a dar o tom da tarde. A saia que roda carrega movimento, mas também permanência. Gira, dança, muda de direção, atravessa o tempo e continua contando histórias. Em Saias Rodadas, Helena Theodoro transforma esse movimento em pensamento e nos convida a reconhecer os saberes que nascem das experiências, dos corpos, dos afetos e das lutas que atravessam gerações.

Durante a conversa, Maju Coutinho teve participação especial ao refletir sobre a trajetória de Helena, sua escrita como mulher negra e a importância de fortalecer, na região da Pequena África, iniciativas voltadas à literatura e à valorização da memória e da produção cultural da população negra.

A força feminina também atravessou o encontro. Pioneira e referência da filosofia afro-brasileira, Helena Theodoro apresenta uma obra que reafirma a potência do pensamento negro e o papel das mulheres negras na construção da memória, da cultura e do futuro do Brasil. São mulheres que guardam histórias, reinventam caminhos e fazem do conhecimento uma forma de resistência.

Tarde de autógrado – Foto: Tainá Salomão

Para Mariana Gino, a imagem da saia traduz parte dessa trajetória. “Helena Theodoro carrega, em sua história e em sua escrita, a força de Oyá, a potência do samba e o movimento das transformações. Como uma saia que dança ao vento, seu pensamento não permanece parado: circula, provoca, atravessa gerações e abre espaço para novos olhares.”

Depois da conversa, um coquetel oferecido pelo CEAP em parceria com a editora prolongou o encontro. Entre abraços, livros, dedicatórias e novas conversas, Saias Rodadas começou a cumprir aquilo que seu próprio título anuncia: circular.

Maju Coutinho – Ivanir dos Santos – Helena Theodoro – Foto: Tainá Salomão

E a roda não para. Durante o lançamento, o CEAP anunciou que, em novembro, será realizado o FLIPA — Festival Literário da Pequena África, ampliando a ocupação daquele território por livros, autores, leitores e pensamento negro. No fim, a saia continua rodando. Ora lembrando o passado, ora acompanhando o presente, ora apontando para o futuro. E talvez seja essa a grande força de Saias Rodadas: Pensares de ontem, hoje e sempre: mostrar que a memória não é uma peça guardada no armário. Ela veste novas gerações, ganha novos movimentos e continua dançando.

Author

Jornalista por paixão. Música, Novelas, Cinema e Entrevistas. Designer de Moda que não liga para tendência. Apaixonada por música e cinema. Colunista, critica de cinema e da vida dos outros também. Tudo em dobro por favor, inclusive café, pizza e cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *