A poesia da luz – A arte de Antônio Borges entre natureza, espiritualidade e ancestralidade

 ANTÔNIO BORGES

Artista plástico | Artista-escultor | Artesão | Técnico de montagem de exposições Lumiar – Nova Friburgo, RJ

Obra: Reexistência . Técnica: Escultura natural com iluminação incorporada ao material emoldurado. Ano: 2026. Foto: Divulgação.

 

TRAJETÓRIA ARTÍSTICA

Sua pesquisa estabelece um diálogo entre natureza, matéria, espiritualidade, ancestralidade e regeneração. Em muitas de suas obras, a iluminação é incorporada como parte da própria linguagem artística, revelando formas, sombras e aspectos da matéria que normalmente permaneceriam ocultos.

Embora sua pesquisa e produção autoral tenham se desenvolvido anteriormente, sua trajetória expositiva ganhou força a partir de 2022, quando foi responsável pelo mapeamento e pela reunião de artistas visuais de Lumiar, São Pedro da Serra e região, no âmbito do Fórum Popular de Cultura de Lumiar e Biorregião. Desse movimento nasceu a exposição LumiAR-TE, experiência que também contribuiu decisivamente para a posterior formação do Coletivo Lume, do qual Antônio foi um dos articuladores.

Desde então, participa regularmente de exposições coletivas e projetos culturais na região serrana do Rio de Janeiro. Com o Coletivo Lume, integrou mostras em Lumiar e também exposições realizadas no Museu Casa de Casimiro de Abreu e na Casa de Cultura de Casimiro de Abreu. No Rio de Janeiro, participou de exposição coletiva no Solar de Botafogo, a convite de um marchand de arte.

Entre 2022 e 2026, sua trajetória reúne 13 exposições, paralelamente à atuação profissional como técnico de montagem, instalação e iluminação de exposições, colaborando também com projetos individuais de outros artistas. Em 2026, participou da 12ª edição do LumiAR-TE e integra uma nova exposição coletiva durante o FriJazz, de 17 a 20 de setembro.

 

RECONHECIMENTO CRÍTICO

Seu trabalho recebeu a apreciação do renomado artista plástico e curador Bené Fonteles, que escreveu sobre sua produção:

“Antônio Borges tem sabedoria de redesenhar com a luz sobre e vazando-a da matéria para habitar ambientes em atmosferas afeitas a alumbramentos.” (Bené Fonteles) 

 

ATUAÇÃO

Artista plástico e escultor – produção autoral com materiais naturais, orgânicos e madeiras reaproveitadas, frequentemente associados à iluminação.

Articulador cultural – participação no Fórum Popular de Cultura de Lumiar e Biorregião, no LumiAR-TE e na formação e trajetória do Coletivo Lume (Artistas de Lumiar e Biorregião) de Nova Friburgo (RJ).

Técnico de exposições – experiência em montagem, instalação de obras, estruturas expositivas e projetos de iluminação para exposições próprias e de outros artistas.

Pesquisa artística: natureza · espiritualidade · ancestralidade · regeneração · transformação da matéria · luz · sustentabilidade

 

GALERIA DE OBRAS

(clique para dar zoom)

APRECIAÇÃO CRÍTICA

Texto de Bené Fonteles sobre a obra de Antônio Borges

Não são só esculturas luminosas.

São mágicas da luz a se ocultarem na matéria bem urdidas na precisa mão do artesão sábio.

Os suportes orgânicos colhidos da natureza são recriados pelo seu farto imaginário e dançam e gravitam nos espaços com soltura e leveza de asas.

Antônio Borges tem sabedoria de redesenhar com a luz sobre e vazando-a da matéria para habitar ambientes em atmosferas afeitas a alumbramentos.

Os espaços tornam-se virtuosos pelo encantamento luminoso que verte e agora os pertence pela via de sua extraordinária criatividade de dar corpo material ao invisível.

Ele faz a Luz habitar e contornar sútil a forma e essa recriar nos espaços uma poesia de sabor harmônico e uma beleza que estava oculta ao saber dos olhos.

Bené Fonteles

 

EXPOSIÇÕES

 

 

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Confira nossa entrevista super exclusiva com o talentoso artista:

 

1) Antônio, como surgiu seu interesse em transformar materiais orgânicos e naturais em arte? Houve algum momento específico que marcou esse início?

R: Eu sempre enxerguei respostas na natureza, e os formatos naturais e a estrutura física das plantas, se uniram ao meu sentimento e criatividade. Quando escolhi me mudar dos centros urbanos para o interior, há 12 anos, percebi que a proximidade com esses materiais indicava o início de um processo bem interessante.

 

Antônio Borges com sua obra “Gramofolha “. Foto: Destaque

2) Sua pesquisa estabelece um diálogo entre natureza, espiritualidade e ancestralidade. De que forma esses elementos se entrelaçam em suas obras?

R: Na minha pesquisa artística, sinto verdadeiramente que há algo entre o meu estado presente, que se relaciona com a ancestralidade e o poder curativo, regenerativo que a natureza nos apresenta.

 

3) A iluminação é parte fundamental da sua produção. Como você descobriu a luz como linguagem artística e o que ela acrescenta às suas esculturas?

R: A luz está relacionada com a claridade sobre as coisas, ela nos faz perceber as sombras, estimulando a reflexão sobre o que é matéria e o que é visível, mas não palpável.

 

4) Você foi um dos articuladores do Coletivo Lume e da exposição LumiAR-TE. O que significou para você reunir artistas da região e construir esse movimento coletivo?

R: Eu percebi que artistas muito talentosos fizeram uma escolha de vida parecida com a minha, no sentido de optarem por sair dos grandes centros urbanos, e que havia e há sempre a necessidade em cada um, de conseguir expressar a arte, então, criar movimento artístico de qualidade no interior, é uma forma de respirar e se desenvolver, mostrar ao mundo que é possível transformar o mercado de artes nas cidades interioranas, fazendo o movimento inverso do comum, modificando a ideia de que é preciso estar nas capitais para trabalhar com artes visuais.

 

5) Bené Fonteles descreveu sua obra como “mágicas da luz a se ocultarem na matéria”. Como você recebeu esse reconhecimento e de que forma ele dialoga com sua própria visão da arte?

R: Há algo dentro do ser humano, que busca entender a relação da matéria com o invisível. A luz trabalha com a sensibilidade, evidenciando as sombras. Sinto que Bené Fonteles foi tocado por essa sensação, que verdadeiramente é parte do que venho expressando. É uma honra receber as observações de Bené, um artista e curador consagrado, que também vive uma relação intensa de diálogo entre a natureza e o ser, de todas as formas.

 

6) Além da produção autoral, você atua como técnico de montagem e iluminação em exposições. Como essa experiência técnica influencia sua prática artística?

R: O trabalho técnico em montagens e iluminação de exposições, me coloca numa posição essencial para outros artistas, possibilitando que eles possam seguir com seus trabalhos, confiando na grande possibilidade de realização para o público. Quando um artista não consegue equipe técnica, pode-se abrir um campo de frustração, fazendo até com que alguns desistam da carreira.

 

7) Quais são os próximos passos da sua trajetória? Há novos projetos ou pesquisas que você já pode nos compartilhar?

R: A arte é para se relacionar com o mundo. Minha pesquisa segue firme no propósito da transformação, da regeneração, e nesse sentido, apreciar a beleza da existência é como criar o paraíso na Terra.

 

 

SIMONE MIRANDA

Coluna AC POR AÍ

Vem comigo, vem!  @si.por.ai

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Author

Simone Miranda Editora de Conteúdo e Colunista do Portal ArteCult. Através da minha Coluna AC POR AÍ, dou dicas de viagens, gastronomia, escrevo sobre arte, cultura e atualidades. Sou formada em Design para Redes Sociais pelo SENAC - RJ. Sou artista plástica, artesã, amo o belo, escrever, ver o sol nascer... Contemplar a Lua! Gosto de cheiro de mato, banho de cachoeira, e não negocio a minha paz! Sinto a energia das pessoas de longe, portanto, procuro estar somente onde me sinto bem! Conheça minha coluna! Vem comigo, vem! ❤️

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *