FESTIVAL ITALIA NOSTRA
Nesse último final de semana de março, nos dias 28 e 29, aconteceu o FESTIVAL ITALIA NOSTRA (@festivalitalianostra), evento gratuito no Parque Carmen Miranda, no Aterro do Flamengo, que tinha como proposta aproximar o público, ainda mais, da cultura italiana. Segundo informações que coletei, foram cerca de 50 expositores, entre restaurantes, marcas e produtores especializados, em uma programação que combinava gastronomia, música e manifestações culturais típicas. Foi a primeira edição do festival, que já se posiciona como o maior acontecimento do gênero no Rio de Janeiro.
E se tem comida típica, ah, certamente vou estar presente, né? Ainda mais quando se trata da gastronomia italiana, que é um verdadeiro pilar da cultura alimentar brasileira, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, na medida em que introduziu hábitos como o consumo de massas, pão, polenta, vinhos e o uso intensivo do molho de tomate. Os imigrantes italianos trouxeram para o Brasil o costume de valorizar refeições em família e, por isso, resolvi visitar o evento, junto com minha mulher e minha filha, para tentar descobrir se objetivos dos organizadores foi atingido.

A promessa era de que, entre os principais atrativos, estariam massas frescas preparadas na hora e uma variedade de sobremesas tradicionais e vinhos. Além disso, a programação cultural incluía apresentações de danças típicas, como a tarantela, e shows de música ao vivo e brinquedos infláveis, como pula-pula e tobogã, para o público infantil.
Sábado ensolarado, cheguei no evento pouco depois do horário de abertura. Apesar de ser o primeiro dia, quando tudo é novidade, ainda estava fácil de caminhar pelo espaço, não havia tanta gente assim e deu pra ter uma ideia de tudo o que era oferecido. Porém, com o passar do tempo, o fluxo de pessoas aumentou consideravelmente e tornou-se uma tarefa hercúlea e penosa acessar os pontos de venda, demandando paciência. Filas intermináveis começaram a se formar, algumas vinham se acumulando, causando uma confusão generalizada. Estava realmente difícil acessar o que se queria, seja pela falta de organização ou por filas que se atrapalhavam entre si. Chegou um momento que já não estava sendo possível ter um acesso decente ao que se queria comer, restando a opção, mais viável, de procurar algum lugar que estivesse menos cheio. Isso sem contar que vários dos estabelecimentos, muitos antes do horário final previsto (20h), já apresentavam falta de um ou vários itens. Aconteceu, inclusive, comigo: depois de muuuiiitooo tempo em uma fila para pegar cannoli e tiramisú, quando enfim cheguei, já não tinha – e ainda eram 14h…
Além disso, sinto que faltou algo mais “cultural”. Música, vestimentas e danças típicas italianas deveriam estar mais presentes – sequer se ouvia, ainda que fosse um som ambiente.

Evento gratuito em um ambiente ao ar livre, com acesso facilitado pela estação de metrô Flamengo, além da opção de transporte por aplicativo e a presença de estacionamento rotativo no local foi a receita infalível para um belo programa de final de semana! Talvez não estivessem esperando tamanha demanda. Refaço: talvez não, certamente não esperavam! Afinal, era o primeiro evento do tipo naquele local, não havia experiência anteriores que pudessem nortear a escolha do espaço, a disposição dos expositores etc. E, para agravar ainda mais a situação, fazia um belo dia de sol carioca, emoldurando e tornando ainda mais incrível o visual do Aterro do Flamengo…

Se vale a crítica, ela está aí. A experiência dessa primeira vez com certeza guiará os gestores para façam os ajustes necessários para a próxima edição.
Mas vamos, agora, pro lado bom, né?
De fato, tínhamos presente no FESTIVAL ITALIA NOSTRA diversos “representantes” da gastronomia italiana: Risotos – e derivados, como o arancini – Massas variadas, pizzas, vinho, gelatos e diversos expositores de produtos… Opção era o que não faltava! Acredito que havia sugestões para todos os gostos, não à toa a gastronomia italiana é reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco.









Depois de, à duras penas, conseguir uma mesa, partimos, de imediato, atrás do que comer. Já havia me conformado de que algumas das iguarias que seriam minhas primeiras escolhas estariam inacessíveis e, portanto, já havia estabelecido um plano B – que depois se mostrou C ou D… Mas, enfim, conseguimos um risoto de limão siciliano com porchetta, um nhoque de quatro queijos, um penne com carne e uma pizza de pepperoni. Ah, não sem antes abrir o apetite com uma linguicinha artesanal glaceada com mostarda e mel…





Aí foi a hora das meninas saírem à caça de doces. Embora não ligue muito pra eles, já tinha como certo qual das especialidades italianas iria querer. Acompanhei a saga… Por fim, detiveram-se no gelato – “um sorvete artesanal italiano, denso e cremoso, caracterizado por ter menos gordura, menos ar incorporado e ser servido a temperaturas ligeiramente superiores às do sorvete tradicional“.



Como contei antes, queria um cannoli tradicional – “sobremesa proveniente da Sicília, que consiste em uma massa doce frita, em formato de tubo, recheada com um creme de ricota” – e um tiramisú – “sobremesa tipicamente italiana, possivelmente originária da cidade de Treviso, na região do Vêneto, e que consiste em camadas de biscoitos de champagne, também chamados de biscoitos tipo inglês ou palitos a la reine (item este que pode ser substituído por pão de ló), embebidas em café expresso (confeiteiros/as profissionais geralmente dão preferência ao uso do café solúvel, por ele ser mais prático e econômico para executar grandes quantidades da receita), entremeadas por um creme à base de queijo mascarpone, creme de leite fresco, ovos, açúcar, e polvilhadas com cacau em pó e café” – mas, depois de enfrentar uma fila enorme em um dos expositores, fui surpreendido com a falta deles, que acabaram muito antes do final do festival. Por sorte, ainda tinha um outro cannoli, com recheio de creme de baunilha…


Bem, e foi isso. O FESTIVAL ITALIA NOSTRA foi um verdadeiro sucesso! Ressalvando alguns ajustes pontuais para correção de alguns problemas – que, certamente, foram identificados pelos organizadores – a iniciativa de oferecer uma experiência “italiana” autêntica e acessível, num dos cenários mais encantadores da cidade maravilhosa mostrou-se acertada, abrindo caminho para que novas edições do evento possam surgir no calendário de eventos do Rio de Janeiro.
E, como bônus desse passeio de sábado, antes de ir embora, aproveitando que estava ali, fui conhecer o MUSEU CARMEM MIRANDA (@museucarmenmiranda), criado em 1956 e inaugurado em 1976 em homenagem à cantora e atriz Carmen Miranda. Instalado em um prédio circular projetado pelo arquiteto modernista Affonso Eduardo Reidy, concebido originalmente para funcionar como pavilhão principal do playground do Morro da Viúva, conta com um acervo de cerca de 3500 itens, composto de trajes sociais e de cena usados por Carmen Miranda em filmes e shows e fotografias, discos, filmes, partituras, cartazes e troféus, dentre inúmeros objetos-documento.


Eu nunca tinha ido a esse museu, apesar de morar na cidade há mais de quarenta anos. Com entrada gratuita, é um espaço pequeno, de design circular, com um diâmetro de 22 metros, incluindo um pátio interno que favorece a ventilação e a iluminação e abriga a maior coleção de objetos originais pertencentes a Carmen Miranda, incluindo sua indumentária, acessórios, objetos pessoais e uma vasta documentação textual e iconográfica. Vale muito a visita!



Para quem perdeu, não se avexe. Não conversei com nenhum organizador, mas acredito que, muito em breve, por conta do sucesso alcançado, teremos novidades sobre uma nova edição do Festival. E se for nesse mesmo local, fica aí a dica bônus – e imperdível.
Vamos para o próximo!
Até breve!












Excelente!