
Coluna de Chris Herrmann
Arte Digital: Chris Herrmann
LEVEZAS
“Na tentativa de carregar o mundo, me pesaram os (ass)ombros.”
Chris Herrmann
DAS LEVEZAS
Falo de ti
como quem toca
um vidro guardado,
e encontra ainda
o calor da mão que partiu
: há memórias que respiram
mesmo quando o corpo
não cabe mais nelas.
Às vezes, penso
: não fomos fim,
fomos mudança.
Um ciclo que se abriu
no exato lugar
onde o coração
aprendeu a ficar quieto,
sem deixar de ser inteiro.
Guardo o teu nome
onde guardo o que é raro
: no intervalo entre aquilo
que fomos e aquilo que,
por afeto,
continuamos sendo.
E descubro que amar
não é sempre seguir junto,
mas continuar perto
mesmo longe.
Há vínculos
que não aceitam ruptura
: são raízes que viram água,
são pontes que não desabam
porque foram feitas
de compreensão.
E eu te digo,
sem pressa
: o que vivemos foi vasto,
o que ficou é leve.
A amizade
: essa constelação discreta
que ilumina o que resta
e acalenta o que não volta.
Mas tudo bem
: alguns amores
respiram no passado
e florescem no presente.
Tu és um deles.
A OUTRA LEVEZA
ela me balança
e eu não caio.
Quando não me
aguento,
ela me carrega.
Quanda ela me pesa,
sou contrapeso
por natureza.
Juntas, balanceamos
nossas levezas.
COM LEVEZAS
vivi contra a parede
das angústias
fui engolida pelos becos
e buracos negros
das decepções
hoje, ninguém me põe
nos trilhos e grilhões
das verdades
das certezas
(nem eu)
ando tão somente
com as levezas
EPITÁFIO
Farfalhei leve entre as flores,
e levando a lembrança
de todos os meus amores,
vou sem pesar.
BALANÇA
Balança-te
para equilibrar
os pesos…
E valorizar
as levezas
desmedidas.

Autora: CHRIS HERRMANN
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