Meu Grupo na UERJ

Coluna de Márcio Calixto

Arte Digital com IA: Chris Herrmann

 

Meu Grupo na UERJ

 

Logo depois que escrevi uma crônica sobre Whiltney, escrevi uma explicação sobre Daiana. Sou team Daiana, fato. Porém, ainda vivo um luto para partida de Selvagem. A partir daí, resgatei memórias sobre Helô e Simone. Este foi meu grupo na UERJ, minha família construída no feliz e no triste desse processo que se firma em uma Universidade.

Fomos da FFP, a Faculdade de Formação de Professores. Havia um ar misto de felicidade e preocupação, pois já conhecíamos as agruras da profissão. Ali, em especial, não teríamos outra formação, a não ser a da sala de aula. Tirando Simone, que conseguiu trilhar outra carreira, eu, Dai e Helô não, nos fadamos  à experiência dos fracassos a que a educação está imposta, sem espaços para melhorias ou fuga desse processo de neoliberalismo econômico que hoje toma a escola.  Estávamos no primeiro período, em uma universidade pública.  Sonho realizado. Também a se realizar. Aos poucos, parecia que as rédeas de nossa vida estava em caminho de nossas mãos.

Helô foi tomada pela gravidez, logo em pleno segundo semestre, ela se viu em uma encruzilhada particular de decisões que a levaria para fora da UERJ. Para nós, era um desfalque enorme. Sentimos a vida toda, quando ela precisou sair. Ficamos em 3, nunca preenchemos esse espaço. Claro que minhas amizades da Universidade não se restringiram a nós. Fiz outros amigos, que também levo até hoje. Helô, ao mesmo tempo, que se conservou como nossa, mesmo fora, teve de atender a outros aspectos da vida. Era a distância sentida.

Ao escrever sobre Daiana, pude sentir a presença de Helô e seu caminho de vida com alguma proximidade. Da época do aniversário do meu Arthur, pude reorganizar todos. A foto, que hoje tem o reflexo de Whiltney, tem também a gente. Pensar na foto me fez pensar em todos. Escrever também. Se tem algo que aprendi com o trivial da crônica é que também se deve avaliar o trivial do que nos é crônico. Sinto o bafejo da morte, não serei da morte vencedor. Ninguém o é. Esse texto vence a morte de alguma forma. Espero que a crônica consiga vencer todos os tempos.

 

 

MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação



Coluna de Márcio Calixto

 

Author

Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de 3 filhos, convicto carioca suburbano bibliófilo residente em Jacarepaguá. Um subúrbio de samba, blues e Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.

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