
Coluna de Márcio Calixto

Homem digitando | Arte Digital com IA: Chris Herrmann
AMBIÇÃO
Acredito que todos devemos ter ambições. Trago-me uma: escrever 1000 crônicas aqui na minha coluna. Não sei quanto tempo levará e se terei leitor por tanto tempo. Pensando bem, pode parecer enfadonho buscar tal marca. Espero não cansar aqueles que me leem com a escrita de tal desejo. Porém, vou lançá-lo: hei de escrever mil crônicas aqui na coluna.
Desejar escrever esse tanto me leva a estar atento a qualquer nuance que possa ser transformada em crônica. Ao mesmo tempo, será que haverá espaço no mundo que se forma para esse cronista tão ambicioso? Querer escrever tal número de textos é objeto de um destemor que não sei se tenho. Há pouco, comemorei o meu texto de número 60 aqui. Claro que ele não é meu sexagésimo texto. No entanto, sacramentar 60 textos no sítio me trouxe um orgulho, um desejo de querer mais. Levei quase 10 anos para tal. Meu editor mesmo, o polivalente Raphael Gomide, uma vez me deu esse desafio ao fôlego textual e tenho atendido a seus pedidos. Porém, minha não coluna não é composta por 60 crônicas. Há poemas, contos, enfim, outros gêneros possíveis. Só que agora quero 1000 crônicas.
Não sei a ingenuidade que está me tomando. Penso em Barbosa Lima Sobrinho, que chegou a esta marca. Rubem Braga, minha inspiração, também escrever horrores. Ao ler os dados produzidos pela pesquisa sobre Leitores no Brasil em 2024, perdemos algo próximo de 6 milhões. Na contraposição disso, sei que já sou lido por poucos; estão todos sufocados pelo tempo, pelos afazeres, que pouco também leem.
Não tem como também não pensar no mundo que se desabre pela inteligência artificial, tão usada por incautos que se dizem escritores e que recrudesce cada vez mais o universo de leitores. Alimentado, obviamente, pela hipertecnologia. Só que não irei ceder a essas interposições mundiais. Continuarei escrevendo pela sorte de um dia ser lido. Agora é buscar o que escrever.
Nesse momento, penso no número que me coloco à produção. Mil podem parecer um exagero. Será que há algum sítio que forneça os dados de produção textual de cada autor? Deve haver, mas não irei procurar. Sei que irei escrever e talvez esta seja a melhor decisão que tomo. Vamos aos poucos.
MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação


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