

Foto : Caio Gallucci
Acho que nunca comecei a escrever para os artistas em palco nos meus textos para o teatro, mas, dessa vez, ficou impossível seguir sem ser dessa forma.
Para este elenco do espetáculo Território do Amor: Badu Moraes (Elizeth Cardoso), Bianca Tadini (Maria Callas), Daniela Cury (Barbara), Fernanda Biancamanno (Edith Piaf), Juliana Romano (Dalva de Oliveira), Larissa Goes (Dolores Duran), Maria Clara Manesco (Marlene Dietrich), Neusa Romano (Maysa), Tatiana Toyota (Mercedes Sosa) e Letícia Mamede (swing). Já o barqueiro é interpretado pelo ator, cantor e instrumentista Marco França. A todos vocês, acompanhados pela orquestra, deixo aqui o meu coração, o meu muito OBRIGADA por tamanha beleza que vocês me presentearam enquanto abraçavam os ofícios de vocês.
Para as atrizes, também preciso dizer: a representatividade de nós, mulheres — todas que um dia sofremos por amor — está em boas mãos. Mais uma vez, parabéns por abraçarem magnificamente a todas nós e a vocês mesmas.
Das vozes que alcançam os céus, somente agradeço a Deus pela oportunidade de ouvi-las. Acredito que os anjos também devem se deleitar em cada apresentação de vocês, meninas. Afinal, não é sempre que estamos de frente com a perfeição, não é mesmo?
A vontade que tenho é de ter um quadro de cada uma de vocês na parede da minha casa, porque vocês nos contam histórias de dor, força, coragem e beleza. Carregam nosso passado e presente com tanta excelência que jamais quero tirar vocês da cabeça. Quero que permaneçam em minha memória afetiva para todo o meu sempre.

Foto : Caio Gallucci
Mais uma vez, obrigada!
“O que une as saudosas cantoras brasileiras Elizeth Cardoso, Maysa, Dalva de Oliveira e Dolores Duran com a norte-americana Maria Callas, as francesas Barbara e Edith Piaf, a argentina Mercedes Sosa e a alemã Marlene Dietrich? É justamente o fato de que todas elas, em seus diferentes tempos e sociedades, cantaram, cada uma à sua maneira, as delícias e os dissabores do amor”.
E assim acontece o espetáculo, com textos que nos levam às lágrimas, por trazerem fios de pensamentos nobres. Gabriel Chalita escreveu o ontem, a dor de ontem e a dor de hoje, a dor das crianças de Gaza. Obrigada, Gabriel, pelo tocante texto. Obrigada por nos mostrar as diversas formas de amor que nós, mulheres, carregamos em nossos peitos. Obrigada por trazer a nossa América Latina, muitas vezes invisibilizada. Você deveria ter como sobrenome a palavra “sentimento”.
José Possi Neto assina a direção de arte. Assina com caneta de ouro — e acredito que com a alma também — por tanta delicadeza e beleza descomunal.
A direção musical de Daniel Rocha me levou a uma viagem no tempo e a um mar de águas salgadas, pois dos meus olhos rolavam lágrimas ao ouvir tantas melodias que pareciam fugir do coração de cada uma delas. Nadei no mar dos sentimentos junto ao seu trabalho.
Sobre a direção de movimento, vi expertise. A obra fala sobre grandes cantoras que se foram e, mais uma vez, parece que estão indo para outro lugar — estão sem vida, a vida deste território que chamamos de Terra. Quando o espetáculo começa, tive a impressão de que elas não reconheciam os próprios corpos. Mas tudo com encantamento e muita sofisticação, por meio de movimentos abraçados pela sutileza, que abençoavam também com belíssimas fotografias.

Foto : Caio Gallucci
A iluminação é escandalosa certeira,com seus canhões. Soube desenhar, fazer um mapa de luz também para o cenário, que é deslumbrante. Wagner Freire emana sol, raios de sol, que não se manifestam com ponderação. Simples assim.
Já Renato Theobaldo, ao abrir das cortinas, nos apresenta um cenário faraônico que nos deixa boquiabertos. UAU! Um navio, uma viagem — exatamente assim que muitas vezes pensamos ser a nossa partida para o além. E quando menos esperamos, uma cortina se apresenta. Escadas, panos mais altos, um navio imenso, cordas náuticas — tudo para enfeitiçar. Ele é um bruxo!
O figurinista Kleber Barros e o visagismo de Emi Sato nos levaram a conhecer de perto cada cantora. Que pesquisa gostosa a deles! Que bom saber que eles existem e são abraçados pela competência demasiada.
A obra é encantadora. Vi homens chorando. Vi a plateia calada, vez em quando, como se estivesse hipnotizada. E, como num rompante de dor, os aplausos explodiam. Impossível ser diferente.
Em alguns momentos, fiquei pensando na dor de Dalva de Oliveira, na coragem de Marlene lutando contra Hitler. Vi a dor de Callas, quando preterida, a dor de Edith ao receber a pior notícia da vida dela… E como foram imensas diante de tanta dor? E, quando olhei para dentro de mim, com as minhas cicatrizes, lembrei que nós, mulheres, tiramos forças, muitas vezes, não sabemos de onde. Focamos em uma direção, nos apagamos e, muitas vezes, seguimos por seguir em certo momento de nossas vidas, sem pensar muito onde tudo vai dar. Nos anestesiamos com álcool, com o trabalho compulsivo, e fechando o coração. Mas isso não quer dizer que estamos mortas. Apenas estamos colocando a casa no lugar. E, dentro desse espaço de tempo, conquistamos o nosso espaço e voltamos a viver. Nos tornamos mais maduras e fortes, donas de nós mesmas. Ultrapassamos o limite da dor e alcançamos os nossos alvos. Mas fiquem certos: durante esse processo — que é muito árduo — aprendemos muito. E quando levantamos… sai debaixo!
E assim o espetáculo foi assertivo, porque relata exatamente isso. Mesmo com as dores na alma, elas enxergam o sol. Já cansadas de ver a lua tão imageticamente ser dos namorados, mas nunca desabonando o amor — apenas cuidando mais dele, com muita cautela!
Que sorte a minha por assistir à obra!
Sinopse
Território do Amor
Uma embarcação conduz mulheres que marcaram a história com suas histórias de amor e de dor. Com suas glórias e suas mágoas. Vidas que se cruzam em tempos e espaços diferentes. Vidas semelhantes no sentir. São elas Elizeth Cardoso, Maysa, Dalva de Oliveira e Dolores Duran. Que se encontram com Maria Callas, Barbara, Edith Piaf, Mercedes Sosa e Marlene Dietrich. As canções permeiam o espetáculo e o texto navega nos mais profundos sentimentos humanos. Na alegria da vida, o abandono. No prazer, o medo. Na chegada, a partida. A peça traz o mistério da morte e o mistério da vida. Tudo com a leveza musical, que compõe para alguns a recordação de lindas canções e para outros o aprendizado. O amor nunca sai de cena.
Ficha Técnica
- Texto: Gabriel Chalita
- Encenação e Direção de Arte: José Possi Neto
- Direção musical /Arranjos / Composições Adicionais: Daniel Rocha
- Coreografia e direção de movimento: Kátia Barros
- Figurinista: Kleber Montanheiro
- Cenógrafo: Renato Theobaldo
- Desenho de som: Eduardo Pinheiro
- Desenho de luz: Wagner Freire
- Visagismo: Emi Sato
- Direção de produção: Marilia Toledo e Emilio Boechat
Temporada
De 12/06/2025 até 29/06/2025
Quinta19h
Sexta19h
Sábado17h
Domingo17h
Duração 175 minutos
Valor R$80 (inteira) / R$40 (meia)
Teatro Municipal Carlos Gomes
R. Pedro I (Praça Tiradentes), 4 , Centro, Rio de Janeiro/RJ – 20060-080



Paty Lopes (@arteriaingressos). Foto: Divulgação.

Siga-nos nas redes sociais: @showtimepost










