com César Manzolillo
MURITOCA
Em janeiro, os moradores de Muritoca, na cidade de Maniteca, receberam a notícia de que todo o bairro deveria ser evacuado num futuro próximo. Os prédios do local precisariam ser demolidos, o que transformaria o lugar numa região fantasma. O laudo da prefeitura era implacável e, num dado trecho, afirmava: As construções do bairro de Muritoca foram erguidas em área pantanosa e oferecem alto risco de desabamento. Recomenda-se a desocupação da área o mais rápido possível. No final de outubro, as máquinas do governo chegaram para iniciar os trabalhos e encontraram prédios abandonados e desprotegidos, resignados com seu destino. Apesar disso, no dia marcado para o começo da demolição, vários ex-moradores reuniram-se na praça em frente à igreja de Nossa Senhora dos Aflitos numa última e desesperada tentativa de encontrar uma alternativa capaz de evitar o desaparecimento do bairro. Estavam lá seu Adalberto, o barbeiro, dona Inês, a proprietária da papelaria, seu Juarez, o dono da padaria, o padre Jurandir, seu Vicente, o dono do bar e dona Sônia, a diretora da escola primária, que estava acompanhada do Miguelzinho, seu neto de 6 anos. Quando a primeira máquina se posicionou diante da escola, o menino se desvencilhou da avó e postou-se diante do monstro de ferro gritando: Sai! Vai embora! Não derruba a escola! A atitude angustiada do garoto surpreendeu os presentes e adiou o início dos trabalhos por cinco minutos. Mas não impediu que o bairro inteiro fosse transformado em pó.
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