

Sinopse
Em um hotel na Nova York de 1953 se passa o hipotético encontro entre quatro famosas lendas norte-americanas – a estrela de cinema Marilyn Monroe, Albert Einsten, cientista criador da Teoria da Relatividade (que levou à criação da Bomba H e, consequentemente, à Bomba Atômica), Joe DiMaggio, renomado jogador de beisebol e marido de Marilyn, e o infame senador Joe McCarthy. Encontro que poderia acontecer hoje, trocando os personagens originais por seus pares na atualidade.
Crítica
Claro que o espetáculo exala elegância; essa é uma das marcas do diretor Victor Peralta. Nada em que ele toca está distante de uma estética refinada, e pode-se dizer isso em todos os sentidos. Os artistas são bem trabalhados, bem posicionados em cena, tudo feito com cuidado. Posso dizer o seguinte: Peralta cuida de suas obras com a mesma delicadeza que temos ao recolocar um passarinho recém-nascido no ninho, quando ele cai. Ele é minucioso, tem um olhar atento, e não é à toa que suas obras estão quase sempre indicadas a importantes prêmios de teatro.
A dramaturgia é bastante inusitada: o que Albert Einstein tem em comum com a senhora Monroe? E como, mesmo sem se conhecerem, estavam conectados a uma das piores guerras do mundo? Enquanto a célebre atriz se apresentava para os soldados, Einstein era consultado sobre reações atômicas. É necessário atenção para compreender e absorver essas histórias.

Insignificancia. Scapin (Einstein) e Amanda (Marilyn) em cena. Foto: João Caldas
Fiquei boquiaberta com a dramaturgia, que exige muito de nossa atenção. Embora eu não seja muito fã de dramaturgias estrangeiras que chegam ao Brasil, pois não estamos lá fora para vivenciá-las em seu contexto original, devemos reconhecer e reverenciar o que é bom. Sem contar que não quero ser uma analfabeta dramatúrgica internacional. Portanto, posso dizer: essa dramaturgia passou bem, pela capacidade imagética do autor!
Quanto à iluminação, ao cenário e ao figurino, tudo tem um toque de sofisticação. Todos os envolvidos estão de parabéns.
Agora, sobre os artistas. Quando saí do teatro acompanhado pelo amigo Wanderley Gomes, ele comentou sobre a complexidade do papel de Marcos Veras. Todos sabemos que o ator tem a comicidade na veia, mas, em Insignificância, ele conseguiu ser mais contido, demonstrando um olhar muito pertinente.

Foto: João Caldas
O relacionamento foi perturbado desde o início pelo ciúme e pela atitude controladora de DiMaggio; ele também era fisicamente abusivo. Depois de retornar de Nova York para Hollywood, em outubro de 1954, Monroe pediu o divórcio após apenas nove meses de casamento. Com o fracasso do relacionamento, DiMaggio fez terapia, parou de beber álcool e expandiu seus interesses além do beisebol. Durante vinte anos, o túmulo da estrela recebia flores enviadas pelo jogador. Não sei se na dramaturgia original ou na tradução de Gregório, mas o personagem foi construído de forma bem condizente.
Sobre Amanda, é muito complicado falar dela. Afinal, essa atriz faz parte da minha infância, e vê-la tão madura profissionalmente é complexo. Isso me mostra que o tempo passou para mim também… risos. Amanda é uma grande artista, especialmente nos musicais, mas, em qualquer trabalho, brilha como uma estrela que mora no céu. Ela encarna Marilyn com contida expressividade, dominando caras e bocas, gestos e movimentos que se encaixam perfeitamente em cena. Sua sensualidade é bem dosada, nada exagerado. Uma das cenas que mais me tocou foi quando o “marido” disse que, por fora, ela tinha uma beleza incontestável, mas, por dentro, estava ferida, quebrada. Quem conhece a história de Marilyn entende a força dessa frase. Apesar de ter tido uma carreira de sucesso, sua vida foi marcada por disfunções de todos os tipos. Infelizmente, ela foi uma vítima, e é assim que a vejo.

Foto: João Caldas
Quem foi Joseph McCarthy? Um ‘inquisidor’ anticomunista que liderou a maior ‘caça às bruxas’ dos EUA. Diante disso, já entendemos que ele era o antagonista do espetáculo. Norival Rizzo encarnou esse personagem com maestria. Ele enoja em cena, do início ao fim. Sempre que entra no palco, traz consigo a perversão humana que conhecemos muito bem, afinal, nossa política também não está tão distante desse tipo de horror.
E Albert Einstein? Ou melhor, Cassio Scapin? Não me sinto digna de descrever seu trabalho cênico à altura. Nem mesmo se eu comesse um dicionário inteiro conseguiria expressar o que vi! Que corpo é esse em cena? Ele claramente absorveu todas as orientações da consultora de movimento Vivien Buckup. Sempre curvado, com passos que traduziam a idade do cientista, ele foi absolutamente incrível. O trabalho minucioso de ambos resultou em um personagem magistral.
Senhor, quanta maturidade em cena! São sequências de atuações que superam o esperado. Ele brinca, domina o teatro com legitimidade. Penso na conversa entre diretor e ator: “Porra, Peralta, que papel é esse? Einstein? Você tem certeza?” “Tenho”, responde Peralta. “Cara, ele foi um marco na ciência mundial. E tem uma relação com o Brasil: no dia 29 de maio de 1919, na cidade de Sobral, no Ceará, ele conseguiu comprovar, pela primeira vez, sua Teoria da Relatividade!” “Eu sei”, responde Peralta. “Então não vou levar para a cena um Einstein do filme Oppenheimer. Vou abrasileirar essa merda toda. Vou recriar um cientista alemão mais próximo de nós. Certo?” “Vamos enfrentar!”, diz Peralta.
E deu no que deu: um Einstein sensacional. Nunca mais vou imaginá-lo apenas como um homem sério e comedido. Ele se equilibrou entre a vida e a ciência, entre o rigor e a leveza. Na verdade, ele era assim; o mundo é que tenta mudar as pessoas.
A peça tem um final lindíssimo, com uma estética visual marcante, onde é possível reconhecer a grandeza e a identidade do cientista.
Enfim, viva o teatro! Viva Gregório, que soube trazer essa tradução para os dias atuais, mencionando até o Mickey Mouse e um patriotismo porco e mentiroso que convenceu o mundo inteiro.
Ficha Técnica
Elenco: Cassio Scapin, Amanda Acosta, Marcos Veras e Norival Rizzo
Autor: Terry Johnson
Tradução: Gregório Duvivier
Direção: Victor Garcia Peralta
Produção: Rodrigo Velloni
Diretor Assistente: André Acioli
Cenário: Chris Aizner
Direção de Imagem: André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo)
Música Original: Marcelo Pellegrini
Iluminação: Beto Bruel
Figurinos: Fábio Namatame
Designer Gráfico: Peu Fulgencio
Consultoria de Movimento: Vivien Buckup
Fotos de Estúdio: Jairo Goldflus
Fotos de Cena: João Caldas
Visagista: Claudinei Hidalgo
Perucas: Atelier San Roman
Produção de Objetos: Jorge Luiz Alves
Pesquisa e Consultoria Histórica: João Victor Silva
Produção Musical: Surdina
Assistência e Programação de Luz: Pajeú Oliveira
Operação de Luz: Melissa Oliveira
Painel de Led e Gerenciamento de Vídeo: On Projeções
Diretor de Palco: Jones de Souza
Contrarregra: Eduardo Portella
Camareira: Luciana Galvão
Vestido Atriz: Juliano Queiroz
Alfaiate: Agenor Domingos
Assistente de Maquiagem: David Lenk
Cenotecnia: Casa Malagueta
Equipe de Cenotecnia: Alício Silva, Giorgia Massetani, Cleiton Willy, Demi Araújo, Igor B. Gomes, Mariana Maschietto, Shampzss e Danndhara Shoyama
Produção Executiva: Swan Prado
Assistente de Produção: Adriana Souza
Assistente de Designer Gráfico: Daniela Souza
Assessoria de Imprensa: Vicente Negrão Assessoria
Captação, Criação de Conteúdo e Mídias Sociais: GaTú Filmes
Anúncios Online: Lead Performance
Assessoria Jurídica: Martha Macruz
Gestão Financeira: Vanessa Velloni
Realização: Velloni Produções Artísticas
Serviço
Insignificancia. Uma comédia relativa de Terry Johnson
- Onde: Teatro Adolpho Bloch na Glória
- Quando: Sextas e sábados às 20h, domingos às 18h
- Classificação Indicativa: 16 Anos
- Duração: 100min
- Abertura da casa: 60 minutos antes do início do espetáculo
- Estacionamento no local
- Acessibilidade
- Quanto: Plateia A – R$130,00 , Plateia B – R$40,00. Ingreassos: https://www.ingresso.com/espetaculos/insignificancia



Paty Lopes (@arteriaingressos). Foto: Divulgação.

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