
O JARDIM DE JACINTOS DE MADAME SOSOSTRIS
de Thereza Christina Rocque da Motta
Obra será lançada nos dias 9/12 (no Rio) e 16/12 (em Niterói)
O Jardim de Jacintos de Madame Sosostris é, em última instância, um livro-diálogo, obra construída a partir de um extenso colóquio entre a poeta Thereza Christina Rocque da Motta e o longo poema A Terra Desolada, do poeta inglês, T. S. Eliot, publicado em 1922. Há que se lembrar que Thereza Christina já escrevera anteriormente Lilases (publicado em primeira edição em 2003; e agora em segunda edição, em 2025), também tecido em diálogo com a mesma obra eliotiana. Daquela feita, eram 22 poemas, sempre a trazer, no verso inicial, alguma passagem de A Terra Desolada. No livro atual, o trabalho se ampliou e se enriqueceu sobremaneira: são 61 poemas escritos com maestria, a acompanhar todo o desenrolar da notável obra de Eliot.
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S. T. Eliot, o mais importante poeta inglês do século 20, sempre trabalhou a partir do que, talvez, se poderia chamar de uma ‘poética do fragmento’, quando – ao lado da utilização de descontínuas matrizes composicionais presentes na totalidade de seus poemas longos, como é o caso de A Terra Desolada – são tomadas de empréstimo, a variados autores, múltiplas fontes e raízes, que serão depois passadas por poderoso filtro de operações mimético-metamórficas. De maneira mais direta, pode-se dizer que o poeta tomava emprestado determinados temas (ou simples versos isolados) de autores da predileção dele e os ‘eliotizava’.
No modo de ver de Ivan Junqueira, com isso, Eliot quis por certo ratificar a crença de que a poesia é, basicamente, um fenômeno de cultura, um continuum destinado a preservar e reviver a herança legada pelos estratos literários de épocas históricas anteriores. Por isso é que, nas palavras de Eliot, ao tentarmos isolar, em um grande poeta, algum traço de originalidade capaz de engrandecer seu ‘talento individual’, ou de nele revelar preocupações viscerais com preconceitos e exigências de ineditismo criador, “nós geralmente vamos encontrar que, não apenas a melhor, mas a parte mais individual do seu universo é aquela em que os poetas mortos, seus ancestrais, afirmam suas imortalidades com mais vigor”. (Do Prefácio de Afonso Henriques Neto.)

Capa do Livro ´O Jardim de Jacintos de Madame Sosostris´ | Divulgação
O Jardim de Jacintos de Madame Sosostris
por Christovam de Chevalier
Thereza Christina Rocque da Motta volta à poesia em livro inédito, criado a partir de versos de “A Terra Devastada”, de T.S. Eliot, e lança nova edição de “Lilases”, obra também escrita a partir de versos do referido poema do autor britânico-americano
“Eu não era mais quem eu sabia ser”
(verso do poema de número 15)
Era 1981 quando Thereza Christina Rocque da Motta leu pela primeira vez “A Terra Devastada”, de T.S. Eliot (1888-1965), numa tradução do também poeta Ivan Junqueira (1934-2014). A poeta, então com 24 anos, não imaginava que teria com aquela obra mais do que uma relação de arrebatamento, mas de inspiração/provocação. Uma das autoras mais importantes surgidas na cena literária brasileira dos anos 1980, Thereza volta à poesia com O Jardim de jacintos de Madame Sosostris (Ibis Libris), quebrando um jejum de 8 anos sem publicar livro inédito. Os 61 textos da coletânea foram compostos entre 2021 e 2023 a partir de versos escolhidos – em negrito, no início de cada poema – do referido livro de Eliot. A edição chega às livrarias em dezembro, com prefácio de Afonso Henriques Neto, posfácios de Alberto Lins Caldas e Anderson Lucarezi, além da própria autora, e orelha a cargo de Jacinto Fábio Corrêa.
Juntamente com o livro inédito é lançada também a nova edição de Lilases, publicada originalmente em 2003 e que, a exemplo de “O Jardim de Jacintos de Madame Sosostris”, também teve seus poemas provocados por versos de “A Terra Devastada”, obra à qual Thereza voltou, ao participar, em 1997, de uma oficina de poesia, quando foi lido o referido poema, comandado pelo poeta Claudio Willer (1940-2023). Na ocasião, no escritório onde trabalhava, a poeta escreveu os 22 poemas de “Lilases”, que, a exemplo da publicação original, volta em edição bilíngue, desta vez, com posfácio traduzido de Dominic Tomassetti e, na orelha, textos de Astrid Cabral, Marina Colasanti (1937-2025) e do próprio Claudio Willer, entre outros.
A glosa é uma prática comum na poesia universal e, no caso da Língua Portuguesa, ganhou vulto a partir do século XV. No caso de Eliot, apontado como um dos mais importantes poetas britânicos do século XX, ele usava, em seus textos – nos de “A Terra Devastada”, sobretudo –, versos ou fragmentos extraídos de cânones como Dante, Shakespeare ou Verlaine, entre outros, naquilo que Afonso Henriques Neto chama de “poética do fragmento”. Com “Lilases” e agora com “O Jardim de Jacintos”, Thereza leva adiante a máxima eliotiana num exercício poético criterioso e fiel ao rigor latente na proposta do poeta inglês.
E quem é Madame Sosostris, afinal? A cartomante, presente em “A Terra Devastada”, não só é reavivada, como dá título ao novo livro de Thereza. A obra é também dividida em cinco partes homônimas às do poema que o inspirou: “Enterro dos Mortos”, “Jogo de Xadrez”, “Sermão do Fogo”, “Morte na Água” e “A Voz do Trovão”.
E, em cada uma delas, a poeta traz à baila questões existenciais e dualidades inerentes à vida. Estão ali temas como finitude/permanência; civilidade/barbárie, além da dicotomia entre fato e memória, acomodação e a ruptura com um modo de pensamento ou mesmo de vida. E, com isso, a autora corrobora a percepção do próprio Eliot, quando dizia que, na sua escrita, um poeta traz também a de seus ancestrais.
E o resultado vai além do limiar do que é lido, como salienta o poeta Jacinto Fábio Corrêa no texto para a orelha:
“É possível ouvir o que os dois poetas dizem e calam, sussurros e confissões no diálogo traçado entre os tempos.”
Tempos que são os de outrora e os de agora. E, em se tratando de alta voragem poética, sempre.
Sobre a autora
Thereza Christina Rocque da Motta (São Paulo, SP, 1957) é poeta, editora e tradutora. Publicou, entre outros, Joio & trigo (1982), As liras de Marília (2013), Capitu (2014), Intemperanças (2016), Minha mão contém palavras que não escrevo (2017), O amor é um tempo selvagem (2018), Poesia Reunida 40 anos (1980-2020), Havê-la enquanto se vive (2021), Sheherazade: Novas lendas das 1001 noites e três já conhecidas (2022). Traduziu, entre outros, Marley & Eu, de John Grogan (2006), A Dança dos Sonhos, de Michael Jackson (2011), 154 Sonetos, de William Shakespeare (2009), O Unicórnio e outros poemas, de Anne Morrow Lindbergh (2015), Os Manuscritos Perdidos de Charlotte Brontë (2019), Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll e O Corvo, de Edgar Allan Poe (2020), Mais mortais que os homens, org. Graeme Davis (2021) e A última casa da Rua Needless, de Catriona Ward (2023). Participou do II Encontro de Escritoras, em Rosário, Argentina, em 2000 e da Conference on World Affairs, na Universidade do Colorado, em Boulder, entre 2002 e 2005. Jurada de Tradução do Prêmio Jabuti em 2018. Recebeu a Medalha Chiquinha Gonzaga da Câmara dos Vereadores, em agosto de 2021. Coordena a Ponte de Versos desde 2000, evento incluído no Calendário Oficial de Cidade do Rio de Janeiro em 2024. Fundou a Ibis Libris em 2000.
A Ibis Libris Editora

A Ibis Libris Editora, fundada no Rio de Janeiro no ano 2000, é reconhecida por sua dedicação à literatura brasileira contemporânea, com ênfase especial na poesia, mas também com espaço para prosa, ensaios, biografias e publicações infantis. Ao longo de mais de duas décadas, tornou-se referência na publicação de autores estreantes e consagrados, promovendo a diversidade de vozes, estilos e histórias.
Com um catálogo plural e mais de 600 títulos publicados, a Ibis Libris participa ativamente de feiras literárias nacionais e internacionais, como a Bienal do Livro e a Feira de Frankfurt. A editora também é responsável por eventos marcantes como a Ponte de Versos, tradicional roda de poesia que reúne escritores e leitores em encontros regulares, fortalecendo a cena literária carioca e nacional.
Movida pela crença de que a literatura transforma realidades, a Ibis Libris aposta em uma curadoria cuidadosa e em um trabalho artesanal que valoriza cada obra publicada. Seu compromisso é com a qualidade editorial, o estímulo à leitura e a ampliação do acesso à cultura, mantendo-se como um espaço de resistência, afeto e expressão artística.
Lançamentos
Lançamento Rio: 9 de dezembro de 2025
- Local: Blooks Livraria Botafogo
- Praia de Botafogo, 316
- Rio de Janeiro – RJ
Lançamento Niterói: 16 de dezembro de 2025
- Local: Blooks Livraria Icaraí
- Rua Miguel de Frias, 9 (Antiga Reitoria da UFF)
- Niterói – RJ
Ficha Técnica
O JARDIM DE JACINTOS DE MADAME SOSOSTRIS
de Thereza Christina Rocque da Motta
- Editora: Ibis Libris
- Lançamento: dezembro de 2025
- Número de páginas: 108
- Formato: 16 x 23cm
- Encadernação: brochura
- Preço: R$ 60,00




CHRIS HERRMANN











