
Que janeiro e julho são meses importantes para a alta temporada de grandes lançamentos, isso não é novidade para ninguém.
A novidade, no entanto, é que neste mês de julho tivemos pouquíssimos lançamentos de filmes brasileiros nos cinemas. E os que chegaram às telonas certamente não alcançaram o Top 10 do mês — no máximo, entraram no Top 20. Um exemplo é Cazuza: Boas Novas, que atraiu 6.715 pessoas aos cinemas no mês.
O forte domínio dos blockbusters em julho, impulsionado pela temporada de verão americana, gerou uma verdadeira enxurrada de estreias semanais. E isso, claro, reduziu ainda mais o espaço para os títulos nacionais.
Ampliando o olhar, os dados da Ancine são contundentes: menos de 1% das sessões exibidas em julho no Brasil foram de filmes brasileiros. Um contraste gritante quando comparamos com janeiro de 2025, mês em que produções como Ainda Estou Aqui e O Auto da Compadecida 2 ajudaram o cinema nacional a ocupar cerca de 33% das sessões da rede exibidora.
Diante disso, cabe a pergunta: qual é, de fato, o espaço dos filmes brasileiros nesse momento-chave do calendário?
Analisando os últimos quatro anos, julho de 2025 só não foi pior do que 2022 — um ano ainda marcado por restrições da pandemia. Em 2023, considerado o primeiro ano pós-pandêmico, o cenário começou a melhorar. Já em 2019, antes da crise sanitária, os filmes brasileiros representaram 7,2% das sessões do mês de julho.
A verdade é que o cinema brasileiro tem, sim, potencial para aquecer as salas durante as férias — especialmente quando conta boas histórias e se conecta com o público. Em 2019, Turma da Mônica – Laços estreou em meio a concorrentes de peso como Toy Story 4, Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 e Aladdin (em sua sexta semana) — e ainda assim levou mais de 500 mil pessoas aos cinemas em sua primeira semana.
Em 2025, os principais representantes brasileiros nas férias foram documentários. Além de Cazuza: Boas Novas, Ritas levou 3.697 pessoas ao cinema no mês. Não se trata de filmes fracos ou sem qualidade — pelo contrário. São obras potentes e com apelo cultural. Mas, para o mês de férias, faltaram apostas mais amplas, com potencial de público e distribuição estratégica.
Não podemos esquecer que, neste mesmo ano, O Homem com H ultrapassou 641 mil espectadores, um verdadeiro sucesso. Isso mostra que existe, sim, um público para o cinema nacional — mas é preciso disputar presença, tela e atenção.
Fica o questionamento: vale a pena posicionar grandes estreias brasileiras em julho ou o melhor é priorizar nichos como o documentário, que busca uma outra conexão com o espectador?
Agora entramos em agosto. Novas apostas nacionais estão por vir — e, com elas, novos blockbusters internacionais também. A única certeza é: temos espaço para ocupar os cinemas. Mas só ocupa quem se apresenta.
Essa é uma disputa simbólica pela atenção do público jovem. E mais do que bilheteria, é sobre formação de repertório. Cinema é arte — e precisamos criar conexões com quem ainda não fez do cinema um hábito. Porque é assim que mais histórias começam a ser contadas.
PEDRO ROLLEMBERG
@pe_rollemberg

ArteCult – @CinemaeCompanhia
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