Preta Gil (1974–2025): voz da liberdade, símbolo de resistência e brilho eterno da música brasileira

Preta Gil. Foto: Folhapress

Uma estrela que jamais se apaga

A música brasileira perdeu neste domingo, 20 de julho de 2025, uma de suas artistas mais autênticas, queridas e combativas: Preta Gil faleceu aos 50 anos, após uma longa e corajosa luta contra um câncer colorretal, diagnosticado em 2023.

Filha do cantor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil e de Sandra Gadelha, Preta foi muito mais que herdeira de um legado: construiu o seu próprio com força, alegria, irreverência e profunda consciência social.

 

Voz de muitas cores

Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu no Rio de Janeiro em 8 de agosto de 1974, e cresceu em meio ao universo da MPB. Sua estreia solo se deu em 2003 com o álbum Prêt-à-Porter, revelando uma artista pop com alma brasileira. Lançou outros discos marcantes como Preta (2005), Sou Como Sou (2012) e Todas as Cores (2017), além de parcerias com grandes nomes da música.

Sua presença de palco era potente e emocional, marcada por alegria, liberdade e representatividade. Canções como “Sinais de Fogo” e “Cheiro de Amor” se tornaram hinos do amor-próprio, da autoaceitação e da mulher livre.

 

Carnaval como forma libertária 

Fundado em 2009, o Bloco da Preta tornou-se um dos maiores do Carnaval carioca. Reunindo multidões em uma celebração de diversidade, resistência e festa, o bloco virou tradição e marco de inclusão. Nele, Preta se apresentava com figurinos vibrantes, cercada de artistas como Ivete Sangalo, Anitta, Ludmilla e muitos outros.

 

Militância e representatividade

Preta Gil foi uma das vozes mais firmes do Brasil em defesa da liberdade sexual, do combate ao racismo, da luta contra a gordofobia e em prol dos direitos LGBTQIA+. Declaradamente bissexual e feminista, ela usava seu corpo como ato político e suas redes como plataforma de educação social.

> “O meu corpo é político. Minha existência é resistência.”

 

Uma luta pública e corajosa

Em janeiro de 2023, Preta anunciou publicamente que havia sido diagnosticada com câncer colorretal. Passou por tratamentos intensos, incluindo quimio, radioterapia, cirurgias e internações complexas. Em agosto de 2024, enfrentou uma recidiva com metástase, e nos últimos meses realizava tratamentos experimentais nos Estados Unidos.

Mesmo em meio à dor, manteve-se ativa nas redes, fortalecendo a comunidade com sua vulnerabilidade e sinceridade. Foi símbolo de esperança, força e transparência.

 

Família e legado afetivo

Preta deixa seu pai, Gilberto Gil, sua mãe Sandra, seu filho Francisco Gil (Fran, dos Gilsons), sua neta Sol de Maria, além de inúmeros amigos, fãs e colegas da arte.

Seu último show aconteceu em 2023, antes da cirurgia. Mesmo fora dos palcos, seguiu se expressando — com música, com amor, com coragem.

 

Um legado que não termina

Preta Gil não foi apenas uma artista: foi um fenômeno cultural. Uma mulher que nunca se curvou aos padrões, que fez do palco um espaço de liberdade e da vida uma obra de arte pública.

Ela vive agora nas canções, nas cores de seu bloco, nos gritos de empoderamento que ecoam por sua causa, e nas lembranças eternas do Brasil que ela tanto representou.

 

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