Por Onde Andará Macunaíma?

 

Por Onde Andará Macunaíma?

 

era uma vez um mangue

e por onde andará Macunaíma

na tua carne no teu sangue

na medula no teu osso

será que ainda haverá

algum vestígio de Macunaíma

na veia do teu pescoço?

 

Joilson Bessa me disse

Kapi ducéi já ensaia

Macunaíma vem vindo

No auto do Boi Macutraia

 

 

Macunaíma nosso herói sem nenhum caráter foi escrito em 1928, por Mário de Andrade, em uma semana de febre. Bracutaia é uma lenda viva, em Gargaú, praia do litoral de São Francisco de Itabapoana – região norte fluminense.

…E enquanto o Boi Macutraia não vem, vamos buscando em nossas metáforas mallarmaicas / muitas vezes mallarmélicas /diria até que aramaicas / muito mais que baudeléricas / possibilidades dessa fusão metafísica/metafórica: Macunaíma/Bracutaia.

 

Drummundana Itabirina

Por Onde Andará Macunaíma?

 

É bem verdade que em 2022 Macunaíma passou pela Geleia Geral – ReVirando a Tropicália na Santa Paciência Casa Criativa em Campos dos Goytacazes, mas não demorou, depois de ouvir a discussão em torno de sua possível invenção da Semana de Arte Moderna de 1922, rumou para as quebradas de Nossa Senhora da Conceição do Mato Dentro, agora então veraCidade e foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade.

V(l)er mais no meu blog: https://arturgumes.blogspot.com/

 

Disse-me certa vez em Gargaú, um dos filhos de Bracutaia, que quando ele veio de Alagoas, não tinha ainda o seu registro de nascimento, e ele mesmo foi no cartório em São Francisco de Itabapoana e se registrou com o nome: Bracutaia e deu nome ao Bar que ficou famoso, não apenas na praia, mas com uma fama que se espalhou pelo país afora, devido as suas hilárias iguarias conservada na cachaça: cobra, jacaré, tartaruga, escorpião, caranguejo, marimbondo.

 

Para homenagear a sua memória, criamos em 2022 a Biblioteca Bracutaia, que está locada na Ong Beija-Flor na praia de Gargaú, com um acervo de mais de 1000 livros, com todas as vertentes da literatura contemporânea.

 

 

E por onde andará Macunaíma? Pelo polo sul ou norte? Ainda andará nos traços a lápis de José César Castro, o fótografo/desenhista que não é casto?  Talvez com um pouco de sorte nos encontremos com ele naquela preguiça boa, escre/vivendo/falando poesia pelo litoral de São Francisco onde Itabapoana agora é pedra que voa.

 

ARTUR GOMES

 

 

 

 

 

 

Author

Artur Gomes, nascido em 1948 na Fazenda Santa Maria de Cacocamnga, é poeta, ator, produtor cultural e vídeo maker com trajetória marcada pela experimentação estética e pela militância poética. Atuou por décadas na formação artística, coordenando a Oficina de Artes Cênicas do IFF-Campos e dirigindo cursos no SESC. Criador de projetos como a Mostra Visual de Poesia Brasileira e o FestCampos de Poesia Falada, também foi curador de festivais audiovisuais ligados à poesia, como o Cine Vídeo de Poesia Falada. Em 2019, Artur fundou o Sarau Balbúrdia PoÉtica, iniciativa que se tornou um dos principais marcos de sua atuação recente. Com edições realizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Campos dos Goytacazes e Cabo Frio, o projeto promove encontros vibrantes entre poetas, músicos e performers, celebrando a diversidade da palavra falada. A Balbúrdia já passou por espaços como a Taberna de Laura, Bar do Ernesto, Patuscada e Bienal do Livro de Campos, consolidando-se como um circuito itinerante de resistência poética. Autor de mais de vinte livros, entre eles Pátria A(r)mada (Prêmio Oswald de Andrade – UBE_Rio), Artur mantém o blog Nação Goytacá, onde publica a série TransPoÉticas – Coletânea de Poetas Vivos. Sua obra transita entre o erótico, o político e o experimental, com títulos como Jesus Cristo Cortador de Cana, BraziLírica Pereira e O Homem Com A Flor Na Boca. Com sua poética fulinaímica, Artur Gomes segue reinventando os modos de dizer e de reunir.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *