OS CÓDIGOS DE SOFIA: Iniciativa brasileira inovadora promove introdução crítica à IA, sem telas e estimulando o pensamento, a ética e a criatividade

No dia 01/06/2025, durante a conferência Rio2C, tivemos a oportunidade de conhecer e conversar com Giselle Santos, gestora de Inovação, da Human:ia uma profissional apaixonada por tecnologia e educação. Giselle apresentou a palestra “O Código é Humano: Desvendando a IA através de diálogos reais”.

Seria viável compreender inteligência artificial mesmo sem acesso a computadores, celulares ou internet? O projeto inovador Os Códigos de Sofia de Giselle prova que sim. Essa iniciativa  brasileira promove uma introdução crítica à IA utilizando jogos, cartas e histórias em formato offline, estimulando o pensamento, a ética e a criatividade. A meta é permitir que qualquer pessoa, em qualquer lugar, possa questionar e entender o impacto da tecnologia em nossas vidas — tudo isso sem precisar usá-la diretamente.

Giselle Santos, durante sua palestra “” na RIO2C 2025.

Giselle Santos é uma pesquisadora renomada com uma trajetória marcada pela busca de soluções que integram tecnologia e aprendizado possui uma paixão por ensinar e capacitar as futuras gerações a compreenderem o mundo digital e desenvolveu essa metodologia, “Códigos de Sofia”.

A proposta de Giselle descomplica o universo da inteligência artificial para jovens, tornando-o acessível e envolvente.

Após a palestra Giselle nos contou um pouco sobre Os Códigos de Sofia:

 

Confira as imagens da palestra “O Código é Humano: Desvendando a IA através de diálogos reais” de Giselle na RIO2C:

 

Confira abaixo nossa entrevista com Giselle durante a RIO2C!

Confira o material “OS CÓDIGOS DE SOFIA” disponilizado AQUI!

Confira agora a entrevista completa com a pesquisadora e empresária Giselle Santos:

 

Entrevista com Giselle Santos

 

O que inspirou você a criar a abordagem “Códigos de Sofia” para ensinar inteligência artificial para crianças e jovens?

A inspiração veio da urgência. Não dá mais pra esperar que as próximas gerações aprendam sobre inteligência artificial apenas como consumidoras passivas de tecnologia. Os “Códigos de Sofia” nasceram como uma resposta a esse cenário. Não queria um projeto que ensinasse apenas como usar a IA, mas sim um convite para questionar, provocar e entender os impactos sociais, culturais e afetivos dessa tecnologia no nosso cotidiano. A Sofia é uma metáfora dessa inquietação. Ela representa a menina que faz perguntas, que estranha o óbvio, que não aceita respostas prontas. E é exatamente esse o tipo de postura que a gente precisa cultivar em tempos de algoritmos invisíveis e decisões automatizadas.

Como a metodologia dos “Códigos de Sofia” difere de outras abordagens educacionais tradicionais?

O principal ponto é que os “Códigos de Sofia” não partem da tecnologia. Partem das perguntas. Antes de abrir uma ferramenta de IA, a gente abre um debate. Quem está programando quem? Quem ganha com isso? Quem está sendo excluído desse processo? Em vez de ensinar comandos, a metodologia estimula investigações autorais, narrativas críticas e produção de conteúdo com sentido. Misturamos storytelling, cultura pop, grafite digital e projetos mão na massa. A IA não é o fim, é o meio. A Sofia é o fio condutor que faz os alunos refletirem sobre autoria, poder, ética e impacto social.

Quais são os principais desafios que você encontrou ao implementar essa metodologia em ambientes educacionais?

O primeiro é o medo. Muita gente ainda acha que IA é um tema técnico demais, ou que é cedo para discutir isso com crianças e jovens. Outro desafio é a estrutura rígida de muitos ambientesde aprendizagem, que ainda trabalham com uma lógica de ensino muito conteudista, pouco aberta a metodologias críticas e autorais. Também existe um discurso perigoso de que “usar IA já é inovar”, o que não é verdade. Inovar é colocar os alunos no centro do processo, dar voz, abrir espaço para perguntas incômodas. O desafio maior é quebrar essa visão instrumental e criar um espaço onde os estudantes possam pensar com autonomia.

De que maneira os “Códigos de Sofia” preparam os jovens para interagir de forma ética e responsável com a tecnologia?

A gente não entrega um manual de boas práticas. Entregamos dilemas reais. Discutimos limites entre uso e abuso de IA em trabalhos escolares, autoria e plágio, desinformação, deepfakes, bolhas algorítmicas e justiça de dados. Trabalhamos com o conceito de vigilância algorítmica e chamamos atenção para as desigualdades que se reproduzem dentro dos sistemas de IA. Mais do que ensinar o “como usar”, queremos que eles se perguntem: “Por que estou usando?”, “Quem está sendo afetado por essa decisão?”, “Que outras escolhas eu poderia fazer?”. O objetivo é formar leitores críticos de tecnologia e, por que não, futuros criadores mais conscientes.

Você poderia compartilhar algum exemplo de impacto positivo que a abordagem “Códigos de Sofia” teve em um aluno ou grupo de alunos?

Um dos momentos mais marcantes foi receber uma carta escrita pelos próprios alunos de uma escola pública em Jaguariúna, interior de São Paulo. Era uma turma da professora Telma Conti. Eles participaram de uma atividade inspirada nos “Códigos de Sofia” e, ao final, decidiram me escrever contando o que tinham aprendido. Não foi um e-mail, nem uma mensagem de rede social. Foi uma carta, com letras diferentes, frases cheias de curiosidade e um orgulho enorme de dizer que agora eles entendiam o que era um algoritmo. Foi um daqueles momentos em que você tem certeza de que vale a pena insistir na educação crítica e criativa. Porque quando um grupo de alunos decide escrever uma carta para compartilhar esse tipo de descoberta… é sinal de que alguma coisa importante mudou ali.

Quais são os planos futuros para expandir ou evoluir a metodologia dos “Códigos de Sofia” na Humania?

Estamos em uma fase de expansão e aprofundamento. Queremos transformar os “Códigos de Sofia” em uma trilha formativa contínua, que envolva não só estudantes, mas também professores, famílias e redes de ensino. Já começamos a desenvolver materiais didáticos e novos roteiros.

 

Sobre os Códigos de Sofia

“Os Códigos de Sofia” nasceu, em três temporadas, para tornar a tecnologia um tema acessível, envolvente e cheio de conexões com o mundo real. Mais do que seguir referenciais como a BNCC e o UNESCO AI Competency Framework for Students (2024), o material foi construído a partir de conversas com famílias, educadores, empresas e jovens como Sofia, que já exploram e questionam o impacto da inteligência artificial em seu dia a dia. 

Em sua primeira temporada, inspirada em uma das tecnologias mais antigas – as rodas de conversa e o pensamento coletivo para análise e resolução de problemas – Os Códigos de Sofia cria um espaço onde reflexão e interação se encontram sem telas. Aqui, a aprendizagem não é uma lista de habilidades para cumprir, mas um convite para explorar a tecnologia de forma crítica, criativa e alinhada às necessidades reais de pessoas envolvidas com o ensinar e aprender.

Os Códigos de Sofia foi criado para ser um material acessível, aberto e colaborativo, disponível gratuitamente no modelo “Pague Quanto Vale”. Isso significa que você pode acessar, usar e compartilhar sem barreiras. Se o conteúdo for útil para você, sua contribuição ajuda a expandir essa iniciativa para mais pessoas e comunidades. Sob licença Creative Commons BY-NC-ND (Atribuição-NãoComercial-SemDerivados), o material pode ser compartilhado livremente, desde que não seja modificado, comercializado ou utilizado sem os devidos créditos. Para adaptações específicas, como versões em Braille ou personalizações para escolas e marcas, é possível estabelecer parcerias, garantindo que a obra permaneça aberta, acessível e construída de forma colaborativa. Na última página dos planos irão encontrar mais detalhes sobre como fazer sua contribuição.

“Não se trata apenas de ensinar sobre inteligência artificial, mas de provocar reflexões sobre como pensamos, decidimos e interagimos com as máquinas”. (Giselle Santos)

Confira o material disponilizado AQUI!

Giselle Santos

Sobre Giselle Santos

Giselle Santos é uma figura proeminente na interseção entre tecnologia e educação. Com uma carreira dedicada a entender e aplicar as tecnologias emergentes, Gisela tem sido uma voz ativa na promoção de uma educação que prepara os jovens para os desafios do século XXI. Sua abordagem única reflete um compromisso em tornar a tecnologia compreensível e relevante para as futuras gerações.

linkedin.com/in/giselle-santos-innovation

Sobre a Human:ia

A Human:ia é a empresa fundada por Giselle Santos, dedicada a desenvolver soluções inovadoras na área da tecnologia educacional. Com foco em preparar jovens para um mundo cada vez mais digital, a empresa busca tornar a tecnologia acessível e significativa para todos.

 

RAPHAEL GOMIDE

AC TECH

Raphael Gomide. foto: Divulgação.

 

 

 

 

 

 

 

Author

Fundador, CEO e Editor-Geral do ArteCult.com (@artecult), Sócio-fundador e Editor-Geral do QuadriMundi (Quadrinhos, Mangás e Animações) @quadrimundi , sócio-diretor do CinemaeCompanhia (@cinemaecompanhia), admin do @portalteamigo no Instagram. Apaixonado pela sua família, por tecnologia e por todas as formas de ARTE e CULTURA. Viva o POVO BRASILEIRO e sua rica e infindável cultura.

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