O pão de queijo divertido de Juíz de Fora

Rodrigo Fagundes, conhecido nacionalmente pelo bordão “Olha a faca”, é muito maior do que o rótulo que a fama televisiva costuma impor.

Ao assistir ao espetáculo O Formigueiro, tive a oportunidade de ver duas estrelas brilharem no palco — e ambas estavam nos olhos do artista. Rodrigo estava completamente à vontade em cena, entregue ao personagem, fazendo o Teatro SESI Firjan rir do início ao fim. Aplaudido em cena aberta por pelo menos três vezes, conquistou a plateia com naturalidade e precisão cênica.

Ele é daqueles artistas que parecem escolhidos pelo teatro. Embora a peça trate de uma mãe em estado quase vegetativo — uma vivência que Rodrigo não experimentou na vida real —, o ator imprime tanta verdade à sua interpretação que chega a parecer alguém que já ocupou o lugar de cuidador. A construção do personagem é sensível, humana e profundamente honesta.

Rodrigo foi indicado ao Prêmio de Humor, e não poderia ser diferente. Ele é uma potência quando o assunto é fazer rir — daqueles talentos que provocam gargalhadas sem abrir mão da inteligência e da emoção. “Meu Deus do céu!”, pensei diversas vezes ao longo da apresentação. Ah! o texto do Thiago Marinho também foi indicado ao mesmo prêmio, inclusive o dramaturgo é o diretor da peça.

Autodenominado um “estudioso artista”, Rodrigo trabalha com afinco e respeito pelo ofício, mantendo vivo o frio na barriga diante das estreias, como qualquer artista que leva a cena a sério.

É uma delícia assisti-lo em cena. O Formigueiro, mesmo sendo uma produção independente, tem chamado a atenção do público e da crítica, mostrando a força do teatro quando há entrega, rigor e verdade artística.

Sem sombra de dúvida, o espetáculo é um bálsamo para quem admira a comédia teatral feita com qualidade e sensibilidade.

Como o próprio Rodrigo diz: vá ao teatro gostando ou não. Vá mesmo que a peça não agrade. Vá.
E eu concordo plenamente com ele: vá ao teatro.

 

Sinopse

A trama de “O Formigueiro” transcorre num único dia, durante o reencontro de três irmãos para os preparativos do almoço de aniversário da mãe, Gilda, que está nos estágios finais da doença de Alzheimer. Em cena, Lucas Drummond, Roberta Brisson e Rodrigo Fagundes interpretam os irmãos Victor, Joana e Luiz. Em determinado momento do dia, eles recebem a visita inesperada do cunhado Cláudio Márcio, marido da irmã, vivido pelo ator Diego Abreu. Envolvido em um escândalo de corrupção e procurado pela polícia, ele insere mais uma camada de tensão ao que poderia ser somente um aniversário protocolar. O reencontro familiar traz à tona traumas, disputas e um segredo, escondido sob as mentiras guardadas há décadas pela família.

 

Ficha Técnica:

O Formigueiro

Texto e direção: Thiago Marinho
Supervisão de direção: João Fonseca
Elenco: Diego de Abreu (Cláudio Márcio), Lucas Drummond (Victor), Roberta Brisson (Joana) e Rodrigo Fagundes (Luiz)
Figurino: Luísa Galvão Cenário: Victor Aragão
Iluminação: Felipe Medeiros Trilha sonora: Ifátóki Maíra Freitas
Direção de movimento: Victoria Ariante
Programação visual: Marcelo Alvim
Produção geral: Lucas Drummond
Coordenação de produção: Nathalia Gouvêa
Produção executiva: Ana Paula Marinho
Assistente de direção: Mel Carvalho
Assistente de cenografia: Clarah Borges
Execução de cenografia: Tessitura Produções Artísticas e Victor Aragão
Operação de luz: Yasmim Lira
Operação de som: Thiago Silva
Contrarregragem: Feliphe Afonso
Fotografia e vídeo: Costa Blanca Films
Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Realização: Ministério da Cultura e Gaulia Teatro.

 

Serviço

De 12/01/2026 até 04/02/2026

Dias
Segunda 19h
Terça 19h
Quarta 19h

Duração
80 minutos

Valor
R$40 (inteira) / R$20 (meia)

Região
Centro / Rio de Janeiro

Teatro / Espaço
Teatro Firjan SESI Centro
Av. Graça Aranha, 1, Centro, Rio de Janeiro/RJ – 20030001

 

 

 

Paty Lopes (@arteriaingressos). Foto: Divulgação.

 

Facebook: @PortalAtuando

 

 

 

 

Author

Dramaturga, com textos contemplados em editais do governo do estado do Rio de Janeiro, Teatro Prudential e literatura no Sesi Firjan/RJ. Autora do texto Maria Bonita e a Peleja com o Sol apresentado na Funarj e Luz e Fogo, no edital da prefeitura para o projeto Paixão de Ler. Contemplada no edital de literatura Sesi Fiesp/Avenida Paulista, onde conta a História de Maria Felipa par Crianças em 2024. Curadora e idealizadora da Exposição Radio Negro em 2022 no MIS - Museu de Imagem e Som, duas passagens pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com montagem teatral e de dança. Contemplada com o projeto "A Menina Dança" para o público infantil para o SESC e Funarte (Retomada Cultural/2024). Formadora de plateia e incentivadora cultural da cidade.

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