
Arte Digital com IA: Chris Herrmann
O OFÍCIO DE EDITOR
Pensar o livro como coisa completa.
Pensá-lo por dentro e por fora, coisa una, amara.
O labor mil vezes repetido, infinitas vezes elaborado.
O livro não termina nunca, pois assim que acaba, começa outro.
Esperar que os livros se sucedam, um a um, como afagos,
coisas íntimas de tão relidas, revê-las, encontrar os erros
que se depositam no fundo do casco.
Recompor a ode última para que nada falte.
Assim os livros vêm e vão, e não se despedem, apenas partem,
pois o trabalho que tivemos nunca nos deixa.
É como se ainda os fizéssemos, muito tempo depois de concluídos.
Quando preparamos os livros, eles entram e saem, dois a dois,
cada um a seu tempo, escolhendo o seu par,
como os animais na arca de Noé.
Há livros que se assemelham, têm os mesmos traços,
livros parecidos tanto por fora quanto por dentro,
mas nunca sabemos quem será o par do outro:
só na impressão se revelam.
Curiosa dança dos livros, em que concluir-se é um ritual.
Até para partirem, fazem uma mesura.
E, ao olhar para eles, todos prontos, nos perguntamos:
“Como conseguimos fazê-los todos?”
Thereza Christina Rocque da Motta
Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2009 – 20h55
Colunista ArteCult e editora
da Ibis Libris Editora (@ibislibris)










