O DIA DE AMANHÃ : Marcelo Peralta lança seu primeiro romance com reflexões sobre relacionamentos, trama envolvente e com muitas reviravoltas. Confira nossa entrevista com o autor!

O DIA DE AMANHÃ

 

O primeiro romance de Marcelo Peralta, O Dia de Amanhã, apresenta-se como uma narrativa complexa e multifacetada, intercalando dramas familiares, dilemas éticos e fenômenos misteriosos, tudo em uma trama contemporânea e envolvente.

 

Sinopse do livro:

Matheus é um jovem advogado de classe média baixa e enfrenta uma tempestade emocional quando sua noiva Bruna termina o relacionamento após uma acalorada discussão sobre suas escolhas profissionais. Ao mesmo tempo que luta para encontrar o seu lugar no mundo, Matheus ainda tem que lidar com a pressão de um pai que enfrenta sérios problemas com álcool. Durante uma visita à clínica psiquiátrica onde seu pai está internado, ele conhece uma senhora com suspeitas de esquizofrenia. Contudo, o que parece ser uma condição debilitante se revela um dom extraordinário que poderia mudar a vida financeira do advogado. Em uma jornada repleta de reviravoltas, Matheus navega por dilemas éticos e relacionamentos complicados, descobrindo que o futuro pode ser moldado, mas que o verdadeiro poder está nas escolhas que fazemos no presente.

 

Sobre a concepção do livro:

“Escrever um livro sempre esteve em meus objetivos. Há algum tempo tinha dois temas em mente que poderiam, perfeitamente, ser um bom enredo de romances de ficção.

Porém, a iniciativa de escrever nasceu em um dos momentos mais difíceis de minha vida, que foi um problema grave de saúde enfrentado por minha filha. Percebi que precisava canalizar meus pensamentos para algo que me desse um pouco de alívio em uma fase difícil. Foi então que a vontade antiga de escrever um romance de ficção encontrou espaço. Dentre os dois temas que sempre tive em mente, escolhi o mais simples de explorar, que partiu de um fato inusitado e curioso vivido por meu irmão, ao presenciar um taxista revelar o resultado de um sorteio de grupos na Copa do Mundo quatro horas antes do evento acontecer. Não foi difícil encontrar na internet episódios similares, que me ajudaram bastante na elaboração do livro. A criação dos personagens não é inspirada em ninguém que tenha cruzado o meu caminho, mas certos comportamentos sempre me chamaram atenção. Construí cada personagem com uma mistura exagerada de personalidades e comportamentos que me deparei ao longo da vida. Procurei realizar uma narrativa com poucas páginas, de fácil compreensão, sem muitas delongas e finalizando cada capítulo despertando a curiosidade do leitor para os próximos acontecimentos da trama. Deixo também algumas mensagens subliminares sobre os personagens do livro e de cunho educativo, para reflexões. Nada sei sobre técnicas de narrativa. Apenas resolvi escrever um livro do meu modo, com inspiração de vários autores, clássicos e contemporâneos, como Eça de Queiroz e Harlan Coben.” (Marcelo Peralta)

 

ENTREVISTA COM MARCELO PERALTA

1. Marcelo, “O Dia de Amanhã” é seu primeiro romance publicado. Como surgiu a ideia para essa trama que mistura drama familiar, dilemas éticos e fenômenos misteriosos?

MP: A ideia de escrever um livro já rondava minha cabeça lá pelos meus trinta anos. Hoje, com cinquenta e cinco, olho para trás e vejo que sempre fui muito observador. Certos comportamentos excêntricos, mas que eram frequentes, me chamavam a atenção, como, por exemplo, o sujeito que se achava melhor do que os outros porque tinha uma determinada posição de poder na sociedade ou conhecia alguém com tal posição; a mãe que, no dia do casamento do filho, não esboçava um sorriso e, pela leitura labial, percebíamos que ela dizia que estariam roubando seu filho; o cara que ficava bastante incomodado quando sua irmã ou alguma de suas ex-namoradas estava em um relacionamento; a mulher machista, que não aceitava dirigir o carro e encontrar seus amigos quando estava com o namorado ao lado, pois tinha que ser ele ao volante…e por aí vai. Ficava pensando que certas cenas dariam boas crônicas do João Ubaldo Ribeiro. Outros comportamentos positivos também me chamavam a atenção, como um conhecido que fazia de um problema de dicção a sua marca registrada ou o outro que ria do próprio daltonismo ao confundir as cores. Eu não sei se seria capaz de encarar tais problemas com tanto bom humor, de forma a transformá-los em aspectos favoráveis. No entanto, o estopim para o livro veio de um episódio que eu diria ser de índole sobrenatural, ocorrido com meu irmão, que ouviu de um taxista o grupo em que o Brasil tinha caído na Copa do Mundo de 2010 antes do sorteio ser realizado. Esse evento, que relato na abertura do livro, despertou em mim a curiosidade sobre como diferentes pessoas reagiriam a algo totalmente fora da lógica e da razão. A trama nasce justamente dessa mistura de personalidades peculiares colocadas diante de um fenômeno inexplicável. Nenhum personagem é inspirado diretamente em alguém que conheci, mas todos carregam, de forma ampliada, traços que observei ao longo da vida.

2. Você menciona que a escrita do livro nasceu em um momento difícil, durante um problema de saúde enfrentado por sua filha. Como esse contexto pessoal influenciou a construção emocional da narrativa?

MP: Foi, sem dúvida, o momento mais difícil de minha vida, mas sempre acreditei em Deus e no poder da fé, com todo respeito a quem não acredita. Hoje posso dizer que sou um sujeito de muito mais fé e menos cético, mas queria deixar claro que não podemos deixar que nossas crenças, e nem mesmo o ceticismo, nos tire o senso crítico. Nada é uma cartilha pronta para consulta. Se existem cartilhas prontas hoje é por conta da inteligência ancestral, que trabalhou bastante para entender inúmeros fenômenos até então desconhecidos, e eu acho que Deus nos concede o livre arbítrio para questionarmos quando alguma coisa não está se enquadrando de maneira coerente. Abordo essa matéria de forma sutil no livro. É uma das mensagens subliminares da obra. Mas, respondendo à pergunta, o momento não alterou muito a narrativa. Apesar da intensidade emocional do momento, o enredo em si já tinha uma direção clara, porém, diante de uma angústia que eu estava vivenciando, precisava canalizar os meus pensamentos para algo que me aliviasse e escrever um livro sem compromisso foi a minha opção. Tinha duas tramas em mente. Optei por escrever a menos complexa.

3. A história de Matheus envolve uma senhora com suspeita de esquizofrenia que revela um dom extraordinário. Como você trabalhou esse elemento fantástico dentro de uma trama realista e contemporânea?

MP: Antes de inserir a esquizofrenia na trama, busquei estudar o transtorno com cuidado. Seria leviano usar algo tão sério sem compreender o impacto que ele tem na vida de tantas famílias. Nas entrelinhas, tento oferecer uma forma de acolhimento e empatia a quem convive com essa realidade. Entretanto, já no início do livro, o leitor percebe que o diagnóstico está equivocado, e tal fato vai tomar uma proporção maior dentro da trama. Então eu volto à questão do senso crítico, pois, a partir daí, entram em cena personagens com diferentes graus de curiosidade e abertura ao desconhecido. Alguns percebem que há algo extraordinário acontecendo; outros simplesmente ignoram o fato, como se o absurdo fosse comum. É uma forma também de abordar o radicalismo, tão presente no dia a dia, que, lamentavelmente, forma personalidades que incorporam a ideia de que nada pode ser questionado. É uma forma de refletir sobre como lidamos com aquilo que desafia a nossa lógica.

4. Como advogado e servidor público, você teve contato direto com questões éticas e humanas. De que forma sua vivência profissional contribuiu para a criação dos personagens e dos conflitos do livro?

MP: Eu diria que minha experiência de sete anos como advogado contribuiu bastante para a construção do protagonista. Conheci vários colegas com problemas similares ao de Matheus, qual seja, falta de pagamento de seus honorários. Também abordei casos jurídicos que me chamaram atenção ao longo da carreira. Um deles dizia respeito a uma senhora que ganhava a vida como costureira. Ela tinha um companheiro que nada fazia e apenas tomava conta das finanças dela. Um dia esse sujeito, abusando do fato da parceira ser uma pessoa simples e com poucos conhecimentos, a pediu em casamento. Ocorre que ele utilizou o regime de separação total de bens sem que ela percebesse que estaria sendo vítima de um golpe, pois ela assinou uma declaração que continha todos os ganhos monetários decorrentes de seu trabalho como se fossem de propriedade dele. Depois pediu o divórcio. Não foi difícil desmontar toda essa farsa e comprovar a união estável em data anterior ao casamento, mas a capacidade do ser humano em ser desprezível é que me causa indignação. Também me deparei com algumas questões de um certo abuso moral que poucas pessoas percebem e que é mais comum do que imaginamos, envolvendo chantagens e manipulações psicológicas que, em alguns casos extremos, fazem a vítima até negar a realidade e dar razão ao abusador. Quando eu estava advogando, tal violência moral não tinha nome. Hoje, felizmente, tem: Chama-se Gaslighting. Há um personagem no livro com tal característica de abusador.

5. Você cita autores como Eça de Queiroz e Harlan Coben como inspirações. Como essas influências se manifestam na sua escrita e no ritmo da narrativa?

MP: Eu me inspirei em livros, filmes e até mesmo em fábulas, mas creio que a obra tenha herdado muito de Eça de Queiroz no que diz respeito aos dramas, à ironia e ao humor. Eça tinha uma ironia fina, às vezes sutil, às vezes escancarada, sempre usada para revelar contradições humanas e sociais. Acho que o leitor de “O Dia de Amanhã” vai olhar para certos personagens com humor, mesmo em situações difíceis, que é uma característica inconfundível de Eça de Queiroz. Já em relação a Harlan Coben, acho fantástica essa habilidade de fazer o leitor virar as páginas sem perceber, com pequenos fatos que não são entregues de uma vez, alimentando a curiosidade do leitor, além de personagens que carregam conflitos internos que irão se misturar ao enredo principal. Nada é jogado por acaso nos livros de Coben. O leitor vai se deparar com consequências cujas causas só serão reveladas na página seguinte. Isso é um traço marcante daquele autor que me inspirou.

6. Você optou por uma estrutura enxuta, com capítulos curtos e finais instigantes. Foi uma escolha consciente para manter o leitor envolvido? Pretende seguir esse estilo em futuros projetos literários?

MP: Essa escolha é totalmente Harlan Coben. Eu gosto de capítulos curtos, com finais instigantes, sempre deixando uma pulga atrás da orelha, porque dá ritmo e mantém o leitor curioso.  E sim, nos próximos livros — e espero que venham outros — a ideia é seguir essa pegada. Quero que o leitor diga para si mesmo “preciso ler só mais um capítulo”.         

 

Sobre o autor:

Nascido no Rio de Janeiro e morador de Niterói, Marcelo Peralta é um escritor em ascensão. Graduado em Direito, com uma trajetória de sete anos como advogado, e atualmente Servidor Público no Tribunal Regional Federal, desenvolveu uma profunda compreensão das intricadas nuances jurídicas e da vida cotidiana que permeia o universo das relações pessoais. Em seu primeiro romance de ficção, ele mergulha nas profundezas das relações familiares e explora fenômenos misteriosos que desafiam a lógica e a razão. Com um olhar atento para os dilemas éticos que cruzam a vida cotidiana, Marcelo cria uma narrativa envolvente e provocativa, onde os personagens enfrentam escolhas que podem mudar o curso de suas vidas.

 

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