O artista visual Marcelo Rezende apresenta a mostra individual ‘Tratados Rompidos numa Distopia Tropical’, no Centro Cultural Cândido Mendes, com curadoria de Denise Araripe, trazendo uma pintura contemporânea que articula questões econômicas, sociais e ambientais, a partir de uma iconografia situada na cultura suburbana e periférica do Rio de Janeiro. O artista mobiliza repertórios visuais oriundos do cotidiano urbano marginalizado, tensionando hierarquias históricas entre centro e periferia, erudito e popular.
A exposição propõe uma arqueologia distópica marcada pela ruptura de pactos sociais, ambientais e simbólicos, em que objetos, corpos e espacialidades operam como vestígios de uma civilização em esgotamento. As imagens evocam ciclos de consumo, descarte e obsolescência próprios do capitalismo tardio, aproximando-se da noção de “ruína moderna” e evidenciando os resíduos materiais e imateriais de promessas de progresso que não se sustentam.
A recente produção do artista atravessa a crise ambiental, os deslocamentos culturais e a instabilidade social, construindo cenas em que diferentes temporalidades e regimes entram em fricção. Nesse contexto, a ideia de “tratados rompidos”, vai além do campo político, alcançando relações entre humanidade e natureza, centro e margem, memória e futuro. Tais operações tensionam imaginários coloniais e apontam para formas de sobrevivência e reconfiguração identitária em contextos de transformação.
A apropriação da estética kitsch e suburbana opera como estratégia crítica, em diálogo com debates da história da arte sobre cultura de massa, ao evidenciar as contradições entre desejo de consumo e exclusão estrutural. Ao mobilizar excesso, acúmulo e artificialidade, o projeto propõe uma leitura do Sul global como território onde colapso e permanência coexistem, afirmando a pintura como campo de elaboração simbólica das ruínas contemporâneas. Um espaço onde os vestígios de acordos desfeitos ainda reverberam.
Sobre Marcelo Rezende
O artista é ‘papa-goiaba’, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Selecionado para o Novíssimos 2026, importante exposição de recorte da produção contemporânea brasileira, é formado em Design, estudou artes na Escola Riesbach, em Zurique (Suíça), e frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre 2015 e 2023, com João Magalhães e David Cury.
Seu processo artístico, singular e experimental, articula decalque e colagem de matéria pictórica na construção de campos visuais, inspirado em técnicas gráficas herdadas de sua trajetória familiar. Sua produção opera no tensionamento entre o popular e o erudito, estabelecendo zonas de fricção onde repertórios visuais distintos se atravessam, se contaminam e se reconfiguram.
Sua pesquisa dialoga com a contemporaneidade e com a cultura periférica, explorando seus potenciais criativos e estéticos, ao mesmo tempo em que propõe a desromantização do ornamento em chave política, evidenciando questões sociais e coloniais. O artista realizou exposições individuais e integrou diversas mostras coletivas no Brasil e no exterior. Destacam-se a individual Para Não Perder o Rumo, é Preciso Lembrar o Começo (Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, 2025), com curadoria de Mariana Maia, e as coletivas: Novíssimos 2026 (Galeria de Arte IBEU, Rio de Janeiro, 2026), com curadoria de Bruno Miguel, e El Arte que Nos Une (Museu Metropolitano de Arte Urbano, Córdoba, Argentina, 2026), com curadoria de Mario Camargo e Pablo Curutchet.
Serviço
Exposição: TRATADOS ROMPIDOS NUMA DISTOPIA TROPICAL
Artista: Marcelo Rezende
Curadoria: Denise Araripe
Abertura: 08 de abril (quarta), das 17h às 20h
Visitação: de 9 a 25 de abril de 2026
De terça a sábado, das 11 às 19h
Local: Galeria da Universidade Cândido Mendes Ipanema
Rua Joana Angélica, 63. Ipanema. Rio de Janeiro.
Assessoria de Imprensa: Paula Ramagem
Censura livre
Entrada gratuita






