No mês da mulher, a soprano Georgia Szpílman faz homenagem especial à Chiquinha Gonzaga em Botafogo

Maria Luisa Lundberg, Georgia Szpílman e Moises Santos | Crédito foto: Arthur Moura

 

No mês da mulher, a soprano Georgia Szpílman faz homenagem especial

à Chiquinha Gonzaga em Botafogo

 

A soprano do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Georgia Szpílman, no mês em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, leva a riquíssima obra de Chiquinha Gonzaga ao público carioca em um novo espaço em Botafogo, zona sul carioca: Acaso Cultural.

“Um Encontro com Chiquinha Gonzaga”, é uma homenagem musical e cênica à trajetória da compositora Chiquinha Gonzaga, pioneira da música popular no Brasil e símbolo de coragem, independência e inovação artística.

Interpretado pela soprano Georgia Szpílman, o espetáculo combina recital e narrativa histórica em uma apresentação envolvente e intimista. Entre canções e comentários contextualizados, o público é conduzido por momentos marcantes da vida de Chiquinha Gonzaga, desde os desafios enfrentados em uma sociedade conservadora do século XIX até sua consolidação como uma das maiores compositoras do país.

O projeto conta também com Maria Luisa Lundberg (piano) e Moisés Santos (1º clarinete da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro). Além das músicas, Szpílman e Lundberg fazem uma retrospectiva política e social da época, em um bate-papo com a plateia, revivendo as ousadias e vitórias da renomada musicista brasileira.

Há mais de uma década, chegava às mãos de Georgia, o livro “Chiquinha Gonzaga: Uma história de vida”, da escritora Edinha Diniz, biógrafa da Maestrina Chiquinha Gonzaga. A leitura a deixou fascinada com a história da mulher que rompeu com os padrões vigentes do século XIX. “Curiosa, procurei a biógrafa, que me revelou alguns fatos que não puderam entrar no livro, e que dependendo do local onde faça meu concerto eu falo deles de uma forma sutil”, explica.

Para Szpílman, Chiquinha é resistência e a prova da força feminina.

“Confesso que em muitos momentos busquei pensar como ela. E em meu trabalho procuro ousar, rompendo com padrões, e não cedendo às pressões do status quo. A cada concerto nestes 10 anos é como se ela estivesse viva. E vejo no olhar do público uma curiosidade sobre sua vida, quando conto suas histórias e uma certa cumplicidade. Já se foram 90 anos da sua morte, mas sua música está aí viva e ainda provocando”, sinaliza.

Com duração aproximada de uma hora, “Um Encontro com Chiquinha Gonzaga” oferece ao público uma experiência que alia música, história e emoção, reafirmando a importância de preservar e celebrar figuras fundamentais da cultura nacional.

 

Repertório:

Abre-Alas, Anita, Machuca, Corte na Roça, Mulatinha, Meditação, A Feijoada Brasileira, Não insista Rapariga, Lua Branca, Corta Jaca, Água da Fonte do Vintém, Tango Brasileiro para Piano, Beijo, Atraente, Flor Amorosa e Valsa do Amor.

 

Georgia como Chiquinha Gonzaga no Salão Assyrio do TMRJ

 

Entrevista com a Soprano

GEORGIA SZPÍLMAN

 

Chris Herrmann: Chiquinha Gonzaga é símbolo de coragem e ruptura. Em que momentos da sua própria trajetória artística você sentiu que precisou “pensar como Chiquinha” para romper padrões ou enfrentar resistências?

Georgia Szpilman: Neste país, com a opção musical que fiz, muitas vezes me perguntei: como Chiquinha agiria? E, também, a sua determinação de nunca ceder e seguir seus instintos e sua arte, me serviram bastante como fio condutor em minha vida profissional.

CH: Seu espetáculo mistura recital e narrativa histórica. Como você equilibra a técnica do canto lírico com a intimidade quase teatral de contar a vida de Chiquinha ao público?

GS: Quando optei pela opera – que é teatro e música – logo vi a necessidade de aprimorar, também, minha fala . Tive muita sorte em encontrar, na época, chegando ao Rio de Janeiro, a professora russa Elena Constantinovna, formada em teatro e em música. Então, esta flexibilidade “fala e canto” se deve a um trabalho árduo, sofisticado e renovador. Não existe no Brasil nada igual. Mudou minha vida.

CH: Há mais de dez anos você carrega esse projeto. O que mudou na sua leitura de Chiquinha Gonzaga ao longo desse tempo, como artista e como mulher?

GS: Chiquinha é um tema interminável. Sempre tem algum historiador pesquisando mais e mais sobre a vida desta ilustre musicista. No meu concerto em si, eu introduzi o pandeiro. Além de dar um charme especial que fascina a plateia, que não espera que a cantora irá tocar pandeiro. A música da Chiquinha se presta à percussão. É muito dançante, brejeira. Dá um charme especial.

CH: O repertório passeia por obras icônicas como “Corta Jaca” e “Lua Branca”. Existe alguma peça que a emociona de maneira especial em cena? Por quê?

GS: A que mais me emociona é a penúltima canção, que foi feita para o seu grande amor, João Batista Lage, 41 anos mais novo que ela. Ele foi quem ficou ao seu lado até o final de sua vida. Graças a ele, temos este acervo da obra da Chiquinha.

CH: Em pleno século XXI, o que a história de Chiquinha Gonzaga ainda nos ensina sobre independência feminina, arte e resistência cultural?

GS: Sabe o que acho? Ainda estamos engatinhando em comparação à Chiquinha. As mulheres ainda estão amarradas, confusas e presas aos padrões sociais. E, principalmente, aos masculinos, apesar de – aparentemente- parecer que não.

 

Sobre Georgia Szpílman

A soprano Georgia Szpílman destaca-se pela versatilidade. Possui vasta experiência camerística e dedica-se principalmente ao canto lírico. Faz parte do coro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde também tem atuado como solista em grandes produções, tais como: Turandot (Liú), As Bodas de Fígaro (Condessa), Il Triptico, Electra, Fosca (papel título), O Condor (Odaléia), Viúva Alegre (Valentina), Cavaleria Rusticana (Lola), Norma (Clotilde), Carmen (Mercedes), La Traviata (Flora), entre outras. Em musicais como West Side Story, Anne Frank, Sinatra Olhos Azuis entre outros. Apresentou-se na 1ª Audição de Composições Brasileiras e esteve nos espetáculos da série Palavras Brasileiras – Momentos da História do Brasil em Música. Na Alemanha apresentou-se com árias de Wagner, Carlos Gomes e canções de Villa-Lobos no Teatro Goethe-Institut Freiburg.e em Israel no Festival de Verão em Jerusalém.

 

Serviço:

Um Encontro com Chiquinha Gonzaga

  • Com Georgia Szpílman (soprano), Maria Luísa Lundberg (piano) e Moisés Santos (clarinete)
  • Data: 20/3 – sexta-feira
  • Horário: 20h
  • Local: Rua Vicente de Sousa, nº 16 – Botafogo
  • Ingressos: Sympla – https://bileto.sympla.com.br/event/115758/d/363271
  • Preço: de 60 a 120 reais
  • Classificação: Livre
  • Duração: 50 minutos

 

 

 

 

CHRIS HERRMANN

 

 

 Coluna:
Sarau da Varanda

 

 

 

 

 

 

Author

Chris Herrmann é escritora/poeta, musicista, musicoterapeuta, editora e webdesigner teuto-brasileira, nascida no Rio de Janeiro. Estudou Literatura na UFRJ, Música no CBM e pós-graduou-se em Musicoterapia na Universidade de Münster, Alemanha. Tem 13 Livros publicados (poesia contemporânea, haikai, romance, contos e literatura infantil); bem como participação e organização em inúmeras coletâneas de poesia no Brasil e exterior. Recebeu diversas premiações ao longo dos últimos 20 anos, como escritora, poeta, webdesigner e curadora de sarau. É editora-chefe da revista eletrônica Ser MulherArte (www.sermulherarte.com | @sermulherarte); articuladora do Mulherio das Letras na Lua (Grupo de Poesia ligado ao Movimento Mulherio das Letras); editora do Sarau da Varanda (@sarau.da.varanda) e Arthéria Viva (@artheriaviva) no Instagram. Desde Outubro de 2025, é assessora e colunista do Portal ArteCult (www.artecult.com | @artecult).

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