Coluna de Chris Herrmann

Foto: Steinway Germany
De piano em piano, experimentei todos os acordes de silêncio na clave de só!
Caderno
de notas
nele fiz
pianos
de futuro
(ainda hoje
eles me
tocam)
Pianíssimo
caminhar
entre pedras e cacos
me ensurdecem
os ruídos
monstros pontiagudos
me pisam a pauta
dos pés
pulo esta clave
caio na via do silêncio
no ar da noite de sol
onde anjos me tocam
a melodia dos afetos
desafinam gravidades
que me cabem flutuar
Instrumentos
eis que te vejo, meu amor,
te desejando tanto quanto
me fazes flauta
nossos olhares se retocam
ao sim de um pianíssimo
nas curvas dedilhadas
deslizadas em violão
a pele encantada
toca o melhor tom de nós
enfim

Autora: CHRIS HERRMANN
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O jogo de palavras a serviço do lirismo de sua poética. Parabéns, Chris. Não há como ficar pianinho diante de tamanha sensibilidade. Beijos!
Ô Jorge, querido amigo. Fico super feliz com sua leitura afiada e sensível. Muito obrigada! Beijos.
Fabuloso. A poesia de uma musicista tem uma clave de sol (e de só) numa particularidade infinita. Linda poesia.
Com esse comentário, qualquer poeta fica prosa, rs. Obrigada pela leitura e gentileza, Márcio. Abraços. ✨