JOB – O ESPETÁCULO

Coluna de Márcio Calixto

Foto: Bianca Bin e Edson Fieschi – Job | Divulgação

 

JOB – O ESPETÁCULO

 

Por ser final de férias, decidimos que era para ter um momento nosso. Por sermos pais, é quase impossível conseguirmos ter esse momento tão singular. Precisávamos.  A convite do Artecult, fomos ao teatro Adolpho Bloch, local de onde eu tinha uma saudade.

A peça, em especial, trazia a protagonista interpretada por Bianca Bin, algo que moveu ainda mais a noveleira com quem casei. Não cheguei a ler alguma sinopse na internet, porém, pelo título, pensei que fosse encontrar uma obra que retratasse algo com outro sentido.

Ledo e belo engano. A cena inicial se dá com Jane, personagem de Bin, aparecendo com uma arma em mãos, exigindo de seu psicanalista – interpretado Edson Fieschi – um atestado para voltar ao trabalho. O que, em primeiro plano, parece um surto de alguém que sequestra o analista, se desnuda em uma trama complexa e vigorosa de uma figura que é responsável por ver os piores vídeos da internet em uma plataforma de moderação. Um trabalho que surge com a contemporaneidade e que expõe o pior do ser humano.

De um lado há Jane profundamente perturbada e armada, de outro um psicanalista que também se contorce em peculiaridades perversas e vis, principalmente quando a personagem de Bin despixeliza aquele rosto do psicanalista de algum vídeo de sua memória laboral. A peça dura pelo menos 1 hora e não dá espaço para algum fôlego. Atuações impecáveis expõem o poder do teatro e de uma peça bem produzida. Ao longo da loucura dogmática e absurda, abre-se o leque para discussões sobre toxicidade laboral de ambientes corporativos contemporâneos e a deterioração da saúde mental de toda uma geração em nome da produtividade, do desejo de se trabalhar.

Ainda fomos agraciados com um debate entre atores, diretor e a presença do professor e psicanalista Daniel Bahiense, autor da obra Não Deixarei que Torture Jamais, presente na plateia e que teceu comentários valiosos e engrandecedores. Puro deleite a quem ama pensar.

A peça segue em cartaz até 20/2/2026.

 

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MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação



Coluna de Márcio Calixto

 

 

 

Author

Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de 3 filhos, convicto carioca suburbano bibliófilo residente em Jacarepaguá. Um subúrbio de samba, blues e Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.

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