Culturas, Identidades e Escolhas: um rasante nas existências humanas através de algumas de suas festas e tradições – parte 9 Culturas e festas culturais na Europa Latina:Espanha, Itália, Portugal e Grécia

Carnaval de Veneza | Fonte: italica.com.br

 

Culturas, Identidades e Escolhas: um rasante nas existências humanas através de algumas de suas festas e tradições – parte 9

 Culturas e festas culturais na Europa Latina: Espanha, Itália, Portugal e Grécia

 

                                                                                                                           “A Geografia é a História do espaço.A História é a Geografia do Tempo.”

Jean Jacques Elisée Reclus

(1830-1905 – geógrafo anarquista francês)

 

Há séculos, a Península Ibérica, formada pelos países que hoje conhecemos por Portugal e Espanha, foi ocupada e habitada por vários povos, como os Celtas, os Bascos, os Mouros (Árabes e Berberes) e, claro, os Ibéricos, propriamente ditos. Além disso, outros povos, embora não fossem habitar o local, em grande número, também se estabeleceram por lá, ao menos nos entrepostos comerciais, como os Fenícios (antigo povo do chamado Levante, do Oriente Médio, onde hoje é o Líbano, a Síria e Israel; povo mediterrâneo e, claro, marítimo e conhecido como exímio navegador, comerciante e com o desenvolvimento de um dos primeiros alfabetos completos de que se tem notícia), os Cartegineses (antigo povo que se originou após a decadência dos Fenícios e que teve sua capital na antiga cidade de Cartago, no norte da África, que hoje é apenas um sítio arqueológico no norte da atual Tunísia) e os Gregos. Outro povo a ocupar a Península Ibérica foram os Romanos, que chamaram o local de Província Hispânica, daí o nome pelo qual conhecemos um dos dois países ibéricos, Espanha. Após a queda do Antigo Império Romano, o local foi invadido pelos Germânicos, como os Godos e suas duas ramificações futuras, os Visigodos (“godos do oeste”) e os Ostrogodos (“godos do leste). Esses foram os dois povos que, para ser ainda mais preciso, se estabeleceram na Península Italiana. Espanha, Portugal e as cidades de Florença, Veneza e de Gênova (Itália, desde fins do século XIX), foram os reinos que impulsionaram as chamadas Grandes Navegações europeias, a partir dos séculos XIV e XV, após o Renascimento Urbano e Comercial europeu, entre os séculos XI, XII e XIII. A frase de Elisée Reclus dá conta de parte do que entendemos por nossa própria História, digo, a História do povo brasileiro (da humanidade). Falar em Geografia como História do espaço é pensar nos processos históricos que levaram a humanidade a se relacionar com a Natureza e com ela mesma, construindo seus espaços de vivências; falar em História como Geografia do Tempo é refletir sobre como os processos históricos são situados nos espaços de vivências humanas e são por eles influenciados. Palavra chave para esse processo? Cultura!

  

Espanha

A partir do século VIII, os Reinos de Leão, Castela, Aragão e Navarra juntaram-se para expulsar os Mouros, processo que ficou conhecido como a Guerra de Reconquista. Esta disputa durou até o século XV quando, em 1469, a Espanha unificou-se sob o reinado do casal católico de Fernando de Aragão e Isabel de Castela. O auge do Império Espanhol aconteceu entre os séculos XV e XVIII, mas definitivamente declinando com as Guerras Napoleônicas de fins do século XVIII, início do século XIX. O mesmo aconteceu com Portugal e a Itália, tal como a Alemanha, era um retalho de principados (a Itália se unificou em 1870 e a Alemanha em 1871). No século XX, a Espanha passou por uma sangrenta guerra civil, em que republicanos e nacionalistas se digladiaram, saindo-se esses últimos, vencedores, sob a liderança do militar Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco Bahamonde Salgado Araújo y Pardo de Lama, ou simplesmente, Francisco Franco (1982-1975), como era conhecido, fascista que ficou no poder até morrer, em 1975. Em 1978, mantendo-se monarquista, a Espanha democratizou-se, com o sistema de governo parlamentarista, como outras monarquias europeias (Inglaterra, Suécia…). A Espanha é formada por 17 comunidades autônomas, sendo as mais conhecidas a Catalunha, o País Basco, a Andaluzia e a Galícia. Vejamos, com esta rica história, algumas das festas populares, deste festeiro país.

1 – La Tomatina – é uma grande festa, realizada desde 1945 nas praças públicas da cidade de Buñol, Província de Valência. Além da música e da gastronomia, a essência da festa são muitos e muitos tomates que são usados como espécie de munição para serem, literalmente, atirados nas pessoas. O tradicional festejo foi oficialmente reconhecido pelo governo espanhol como “Festa de interesse turístico internacional”. Acredita-se que, em 1945, no final da II GM, dois comerciantes brigaram e se agrediram “com tomates”; às 09 horas da manhã tomates são espalhados pela cidade e às 11 horas inicia-se a “guerra” (até os tomates terminarem).

Festa “La Tomatina” – Espanha | Fonte: Tripadvisor

 2 – El Colacho – festival realizado na cidade de Castillo de Murcia, o objetivo é a proteção dos recém nascidos; eles são deitados no chão e homens vestidos de demônios saltam sobre eles, mas orações os salvam.

 3 – Santa Marta de Ribaterme – nesta festa, as pessoas desfilam deitadas em caixões, em seus próprios cortejos fúnebres, depois se levantam para comemorar.

Romaria de Santa Marta de Ribarterme – Espanha | Fonte: turismo.gal

 4 – Dia de los Gansos ou Antzar Eguna – é uma festa comn 350 anos de existência, realizada na cidade de Lekeitio, no País Basco (comunidade no Norte da Espanha de tradições culturais e língua próprias). O ganso é pendurado por uma corda sobre as águas de um rio local; os participantes, após uma corrida de barco, já jogam na água, até alguém pegar o ganso e, enquanto isso, o animal é levantado pela corda, tirando-o do alcance dos participantes, que só podem usar as mãos para pegar o bicho.

 5 – Cascamorras – é uma festa tida como suja, porém divertida; o Cascamorras é um tipo de palhaço, cuja origem está na aldeia espanhola de Guadix e que tenta roubar a estátua da Virgen de la Piedad de Baza, uma cidade vizinha; os participantes tentam impedir o roubo; se o palhaço conseguir roubar a estátua sem sujar a roupa, pode levá-la para Guadix. Ele não consegue e, por isso, também é perseguido no retorno à sua aldeia.

 6 – La Vijanera – é tido como primeiro carnaval da Europa, com a realização de um baile de máscaras coloridas e músicas alegres, que acontece no primeiro domingo de janeiro, na cidade de Silió. Durante os festejos, os moradores se vestem como “Zarramacos” (personagens folclóricos locais), lembrando o nosso Pierrot ou o Bate-bola. A função de um Zarramaco é caçar espíritos maus e compor o ritual de matar um urso, que simboliza a vitória do bem contra o mal e ajuda, na crença, a trazer boa sorte para os participantes.

 7 – Las Fallas – festa popular na cidade e na Província de Valência, comemorada entre 01 e 19 de março, dia de São João, com música, comidas típicas e a tradicional fogueira, como aqui, no Brasil.

 8 – La Semana Grande – festa nacional, embora a mais tradicional seja a que se realiza em Bilbao, no País Basco, comemorada por uma semana, iniciando-se com um tiro de canhã no sábado seguinte ao dia 15 de agosto, em que se celebra o Dia de la Asunción de la Virgen María. De noite, ocorreu o “Chupinazo”, uma saraivada de fogos de artifício. Durante os festejos, são realizadas as “Procesiones” (grandes procissões), os “Encierros” (as famosas corridas de touros) e “Los Fandangos” (dança tradicional do país Basco).

 9 – La Tamborrada – festa realizada na cidade de San Sebastián, no dia 20 de janeiro, tal como no Brasil e, como no Rio de Janeiro, comemora-se este santo como o padroeiro da cidade e a procissão segue com forte percussão, com muitos tambores tocados por “Tamborilleros”, que seguem o cortejo em procissão.

 10 – La Fiera de Sevilla – tradicional festa Andaluz, realizada por duas semanas, entre 1 e 17 de abril, em Sevilha, é celebrada nas “Casetas”, pequenas construções em que os participantes se reúnem para beber, comer comidas típicas, como o pescaíto frito (pequenos peixes ao azeite e limão), gazpacho (sopa fria com hortaliças) e rebujito (é uma bebida em que se mistura um tipo de vinho local com refrigerante de limão) e dançar. Outra tradição deste festejo é o “Cavalo de Tiro”, que é uma carruagem que percorre toda feira.

 11 – San Isidro Labrador – realizada no mês de maio, em Madri, capital da Espanha, em honra a este santo, que é o padroeiro da cidade por ter feito, segundo a crença, brotar água após período de grande estiagem.

12 – San Fermín – festa em que os participantes fogem de touros bravos pelas ruelas estreitas da cidade da Pamplona, realizada entre 6 e 14 de julho, que honra o santo, padroeiro de Pamplona. A corrida dos touros, que não circulam livremente por toda cidade, mas em áreas específicas, que acontece a partir das 8 da manhã, chama-se “Encierro”; os participantes são todos voluntários. Depois da corrida, acontecem shows, espetáculos de dança, procissões religiosas e desfiles com bonecos gigantes.

 13 – Feira de Málaga – outra festa famosa da região da Andaluzia; acontece sempre no mês de agosto e dura 9 dias; há muitos shows, touradas, ruas decoradas, fogos de artifício e muita comida e bebida tipicamente andaluzes.

 14 – Festa dos Enfarinhados – ocorre em 28 de dezembro, na cidade de Ibi, quando os participantes “batalham” com munições de farinha, ovos e legumes. A tradição manda que os “enfarinhados” criem leis absurdas e “cobrem impostos” da população; daí a “guerra”.

15 – Festas de La Mercè – grande festa da cidade de Barcelona, capital da Catalunha, realizada sempre em setembro, com músicas, comidas e bebidas típicas da região, além de espetáculos como o “Correfoc” (as pessoas se vestem de demônios e outras criaturas fantásticas, e desfilam com fogos de artifício), as “Castellers” (torres humanas, reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade) e as “Sardanas” (dança típica)

 16 – Noche de San Juan – celebra o início do verão na Europa, sempre no primeiro dia oficial e astronômico do verão europeu, é o dia do Solstício no Hemisfério Norte; a origem é pagã, talvez vinda de tribos celtas.

 17 – Carnaval de Cádiz – mais uma festa tradicional da Andaluzia, muito similar ao nosso carnaval., que acontece, aliás, em toda Europa, realização móvel, mas em geral, como aqui, entre o final de fevereiro e início de março.

 18 – Batalha do Vinho de Haro – realizada no mês de junho, na cidade de Haro, é uma batalha de vinhos; o festejo é que todos se sujem de vinho do tipo “rioja”, menos elaborado e requintado; quem permanece limpo é incensado; esta tradição foi iniciada no século VI em homenagem a, segundo diz a lenda, um monge que se tornou padroeiro da cidade.

Existem várias outras festas. Por exemplo, as religiosas: Navidad (comemora-se o nascimento de Jesus), Semana Santa, Asunción de la Virgen, Corpus Christi, La fiesta de los Reyes Magos e Día de Todos los Santos. As cívicas: Día de la Constitución, Día de la Independencia, Día de la Patria, Día de la Fiesta Nacional de España. Outras que são classificadas como “populares” (por eles): Tomatina, Fallas, Fiesta de San Isidro, Feria de Abril, Carnaval de Cádiz. E são festas que podem se entendidas como pertencendo a mais de uma categoria, diga-se de passagem.

 

Sítios consultados:                                                                                                           

 

Itália

A região foi ocupada, originariamente, por etnias como os chamados “Etruscos” e os “Magnos Gregos”. A queda do Império Romano teve várias causas, como as invasões bárbaras (os visigodos e ostrogodos, por exemplo), lutas intestinas ferrenhas, corrupção elevada, o que gerou muita instabilidade política, as várias guerras, com muitas frentes de batalha, que geravam muitos gastos para o império e menos receita, pela queda do comércio, fatores climáticos que fizeram cair a produção de alimentos, dentre outros fatores (como em outros impérios). No entardecer do século V, o Império Romano do Ocidente ruiu de vez, fragmentando-se, mas ainda se manteve como Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, com a capital em Bizâncio, depois Constantinopla, depois, Istambul, capital atual da Turquia, país muçulmano da União Europeia; a “Roma Oriental” durou até meados do século XV. No ocidente, o império, como dito, transformou-se em um monte de cidades-estado, muito poderosas, como Gênova, Florença e Veneza e foi palco do movimento histórico chamado “Renascimento”, período de grande transformação cultural, artística e científica que aconteceu entre os séculos XIV e XVI, em que houve certa ruptura com a escolástica medieval e relativa valorização da razão humana, com redescoberta da cultura greco-romana, notadamente nos aspectos mais humanísticos. Palco, um tanto contraditoriamente, do Fascismo, no século XX, também faz parte da União Europeia. Contudo, o que nos importa, aqui, é a riqueza cultural do país. Então, vejamos, então, algumas das festas locais.

1 – Carnaval de Veneza – é um dos três carnavais mais famosos do mundo, junto com o brasileiro e com o colombiano; parecido com o nosso e com o colombiano, entretanto, tem suas peculiaridades, como o desfile de rua, ou nas gôndolas, com os participantes com variadas e coloridas máscaras faciais e trajes igualmente elaborados e coloridos.

 2 – Palio de Siena – ocorre duas vezes por ano, 2 de julho e 16 de agosto, é uma festa celebrada na Piazza del Campo em Siena, quando é realizada uma grande corrida de cavalos e cavaleiros de vários bairros da cidade; são dadas três voltas na Praça, além de, como é de hábito em festas, haver comida, bebida e música.

 3 – Festival Internacional de Cinema de Veneza – é o mais antigo e um dos mais conceituados festivais de cinema do mundo, realizado anualmente entre finais de agosto e meados de setembro.

 4 – Semana da Moda de Milão – Milão compõe o “top 4” da moda internacional, junto com Paris, Londres e Nova Iorque; este é um evento semestral, sendo em fevereiro/março no primeiro semestre e entre setembro/outubro no segundo semestre.

Semana da Moda em Milão | Gucci

 5 – Formula 1 / Grande Prémio de Itália (Monza) – é o chamado “Circuito de Monza”, que fica na região da Lombardia, a cerca de 15 km de Milão. é uma festa oficial do calendário italiano.

 6 – Festa dei Ceri – realizada na cidade de Gubbio, Província de Umbria, na região de Perugia, é uma festa religiosa cristã que remonta ao século XII e é celebrada no dia 16 de maio, quando os fiéis transportam velas coroadas de Santo Ubaldo (padroeiro de Gubbio), Santo Antônio Abade e São Jorge.

7 L’ardia Di San Costantino – festa realizada em julho na região da Sardenha, tem em uma corrida de cavalos, o ápice, uma espécie de procissão montada para São Constantino.

 8 – Festa da Madonna Bruna – procissão religiosa realizada no dia 2 de julho, na cidade de Matera desde 1389. A estátua da Virgem Maria é carregada em “adágio molto” (andamento lento) pelas ruas em uma grande carruagem, que é escoltada por cavaleiros por toda a procissão, sempre acompanhada por uma banda. O trajeto termina com queima de fogos no centro histórico da cidade.

 9 – Scoppio del Carro – festa secular de Florença, celebrada no Domingo de Páscoa, quando um carrinho construído em 1622, é puxado por bois decorados com guirlandas pelas ruas da cidade e, ao chegarem, fogos de artifício são disparados.

 10 – Batalha das Laranjas – é uma festa carnavalesca que reconstitui uma luta do século XII quando Violeta, filha de um oleiro local, teria sido obrigada a passar sua primeira noite de núpcias com o chefe da aldeia, hábito medieval conhecido como “La Prima Notte” e teria havido um protesto. O marido ofendido teria decaptado o nobre que cometeu o ultraje, porém, a tradição de os participantes jogarem laranjas uns nos outros começou em 1930.

11 – Giostra del Saracino ou Justa dos Sarracenos – encenação medieval realizado em Arezzo, acontecendo duas vezes por ano – no terceiro sábado de junho e no primeiro domingo de setembro, na Piazza Grande.

 12 – Sagra di Sant’Efisio – festival realizado em Cagliari, na Ilha da Sardenha, entre os dias 1º e 4 de maio. Milhares de peregrinos vestidos com roupas que remontam ao “anno domini” (no ano do senhor) de 1657. Os peregrinos saem em procissão pela cidade, acompanhando a estátua do santo.

 13 – Festival de San Gennaro – realizada em 19 de setembro, é uma festa religiosa em homenagem à São Genaro. O ápice das celebrações é a cerimônia da liquefação do sangue de São Januarius, que ocorre no Duomo (Catedral) dedicada ao Santo.

 14 – Infiorata – festival que remonta a 1625, no Vaticano, em que mosaicos de pétalas com centenas de metros de comprimento são montados; ocorre no início de junho.

15 – Festival de Ópera de Verona – é realizado no verão italiano, variando entre o final de junho e o início de setembro, no anfiteatro romano de Verona. O famoso monumento preservado por séculos abre suas portas para apresentações clássicas, como Aida, Carmen, Turandot e balé ou ballet.

 

Sítios consultados:

 

Portugal

Fundado no século XII, com a independência do Condado Portucalense, que, em 1128, se separou do Reino de Leão e Castela, que por sua vez, mantiveram no reino hispânico. A independência foi proclamada em 1139, por Dom Afonso Henriques e reconhecida, pelos espanhóis, em 1142, pelo então regente, Dom Afonso VII. Do mesmo modo como a região, com a ocupação Romana, ficou, como um todo, conhecida como Província Hispânica, a área específica onde está Portugal chamou-se, também na época da ocupação da Roma Antiga, de Província da Lusitânia, daí os portugueses serem, até hoje, chamado de Lusitanos. Portugal colonizou muitos países na África e na Ásia, como a Espanha, mas na América, ficou apenas no Brasil, que comandou até nossa independência, em 1822. No século XX, no pós-II GM, também perdeu colônias, como Angola e Moçambique, na África, no bojo do processo de descolonização. Portugal também foi uma ditadura fascista, entre 1926 e 1973, governada por Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970), embora a redemocratização só tenha sido completada em 1975, com a chamada Revolução dos Cravos. Espanha e Portugal fazem parte da União Europeia. Vejamos, com esta rica história, algumas das festas populares, de mais este festeiro país.

A Igreja Católica, desde a Idade Média, desempenhou papel fundamental na maior parte dos festejos lusitanos e na consolidação de suas tradições, promovendo comemorações em homenagem aos santos padroeiros das cidades e vilas e, embora tenham mantido uma identidade fulcral, vieram tendo certas modificações com o decorrer dos séculos, inclusive, adicionando elementos pagãos, novamente, além de fatores folclóricos regionais, que nunca foram abandonados.

 1 – Romaria de Nossa Senhora D’Agonia (padroeira dos pescadores) – é realizada anualmente na cidade de Viana do Castelo, desde 1783, no dia 20 de agosto, embora sua origem remonte ao ano de 1674, quando a imagem de Nossa Senhora D´Agonia foi conduzida à Capela de Bom Jesus do Santo Sepulcro do Calvário, dando início a esta celebração religiosa.

Romaria de Nossa Senhora D’Agonia – Portugal | Fonte: festasdagonia.com

 2 – Feira Afonsina, em Guimarães – esta festa, realizada entre 20 e 24 de junho, acontece desde a Idade Média, quando torneios e recriações históricas celebram o primeiro rei de Portugal unificado, Dom Afonso Henriques.

 3 – São João do Porto – festa comemorada em 23 de junho, quando a cidade do Porto fica toda iluminada com balões de ar quente, além de muita música e comidas típicas da região.

 4 – Semana Santa de Braga – realizada na cidade de Braga, entre 13 e 20 de abril, quando há muitas procissões e cerimônias litúrgicas.

 5 – Viagem Medieval, em Santa Maria da Feira – festa que acontece por 10 dias, em que a pequena cidade se transforma em uma cidade medieval, para celebrar os tempos passados, com trajes típicos, espetáculos, shows, artesanatos, comida etc.

 6 – Festa de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego – durante 15 dias, são realizadas procissões e vários concertos, culminando com a “Marcha Luminosa”, com carros alegóricos muito coloridos e com muitas luzes.

 7 – Festa de Nossa Senhora dos Remédios – é mais uma romaria portuguesa, que acontece entre 22 de agosto e 9 de setembro, na cidade de Lamego, quando a imagem da santa, ao contrário das demais procissões que transportam seus santos, em andor ou charola (estrutura portátil usada para transladar imagens sacras em procissões religiosas) carregado por fiéis, é transportada por uma junta de bois (dois bois, lado a lado, unidos por cordas, arreios e uma viga de madeira).

 8 – Feiras Novas, em Ponte de Lima – são romarias realizadas no mês de setembro que, além do fervor religioso que homenageia Nossa Senhora das Dores, apresenta parte de suas festividades baseadas em histórias folclóricas e cantorias em que imperam as “concertinas” (instrumentos musicais de palhetas livres, que parecem um acordeão, com fole e teclado).

 9 – Festa dos Santos Populares – são celebrações feitas em junho, em honra a três santos bastante conhecidos e apreciados no mundo cristão: Santo António, São João e São Pedro. São festas realizadas nas igrejas dos respectivos santos com quermesses, arraias, marchas, fogueiras, além de muita música e dança.

10 – Festa de Santo António – festa comemorada no dia da morte de Santo Antônio, 13 de junho, quando a cidade vira um palco de comemorações matrimoniais, com casamentos coletivos, procissões e festas comunitárias nos bairros das cidades, especialmente de Lisboa, porque ele é o santo casamenteiro e padroeiro da capital lusitana.

 11 – Queima das Fitas, em Coimbra – festa tida como acadêmica em que é celebrado o final do ano letivo dos estudantes da Universidade de Coimbra, com muitos concertos, serenatas, cortejos e shows. A queima das fitas costuma acontecer entre 23 e 31 de maio.

Queima das Fitas em Coimbra | Fonte: inlifehousing.com

 12 – Mercado Medieval, em Óbidos – em julho, as ruas da cidade de Óbidos recebem artesãos que confeccionam várias formas de artesanato, comidas típicas e espetáculos ao ar livre. O principal espaço de animação situa-se junto ao castelo medieval ainda existente e é palco de torneios a cavalo ou a pé e oferece ceias medievais.

 13 – Festas de Santa Bárbara de Padrões – comemoradas especialmente na cidade de Castro Verde, sempre no último fim de semana de agosto.

14 – Festa da Vigília – acontece no dia 4 de dezembro, dedicada a Santa Bárbara, padroeira dos mineiros; acontecem muitas procissões, missas, danças e cânticos.

 15 – Grandes Festas do Divino Espírito Santo – acontecem no segundo final de semana de julho (sempre de quinta a domingo), em honra da terceira pessoa da Santíssima Trindade são um cartaz turístico e um marco no calendário festivo açoriano.

 16 – Festas Sanjoaninas – sempre realizadas no mês de junho, é mais uma homenagem à São João.

18 – Feira Nacional do Cavalo, em Golegã – as celebrações ocorrem em novembro, com desfiles de muitos cavalos/cavaleiros, dança e culinária locais tradicionais. O ponto alto da festa é a Feira do Cavalo.

 19 – São João – realizada no dia 24 de junho com fogos de artifício e tradições exaltadas, como fogueiras e danças tradicionais.

 20 – Pauliteiros de Miranda do Douro – festejo celebrado em agosto, tem seu auge na dança dos t Pauliteiros (dançarinos que fazem a chamada “dança dos paus”, fazendo movimentos de guerreiros em combate, embora também haja momentos religiosos e ritualísticos, realizados por 8 homens, cuja música é tocada por gaitas-de-fole, caixas e outros instrumentos de percussão).

 21 – Feiras Medievais (Silves, Castro Marim, Santa Maria da Feira, Alvalade do Sado) – são feiras constituídas para reproduzir feiras no formato e na “atmosfera” do que eram (ou supõem-se terem sido) feiras medievais. A festa de Santa Maria, inclusive, pelo tamanho e importância além-fronteira lusitana, é considerada Patrimônio Cultural Imaterial pela Organização das Nações Unidos para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

 22 – OviBeja – este estranho nome é de uma feira agrária realizada anualmente na cidade de Beja, sul de Portugal, onde são expostos muitos produtos locais, agrícolas, propriamente dito e animais, além de muita degustação de queijos e vinhos.

 23 – Festa das Vindimas de Palmela – celebração da vindima (termos utilizado para a colheita da uva), realizada no mês de setembro, marcando o fim do verão. Há desfiles de carros alegóricos coloridos, com trajes típicos e muita música e dança; há, também, exposição de artesanato tradicional e queima de fogos de artifícios, nas noites.

 24 – Festival do Chocolate, em Óbidos – tradicional comemoração gastronômica da cidade de Óbidos, uma cidade lusitana com todo aspecto de uma vila medieval, realizada entre os meses de março e abril; chocolates são produzidos na hora, sob o olhar dos visitantes.

 25 – Festa das Flores, Madeira – celebra a chegada da primavera, no início do mês de maio, quando é exposto e comemorado o patrimônio botânico da Ilha da Madeira; muitos desfiles são feitos, com os carros alegóricos decorados com flores dos produtores locais. Há uma cerimônia especial para as crianças chamada “Muro da Esperança”, que confeccionam tapetes de flores que são depositadas em um muro, com apelos à paz.

 26 – Festival Internacional de Esculturas em Areia (FIESA), Armação de Pêra – nesta cidade, no Algarve, realiza-se, ao longo de todo o ano, este tradicional festival lusitano, cujo tema, para as esculturas, muda anualmente. É considerado o maior festival do mundo nesta categoria de arte com areia.

 27 – Semana do Mar, Açores – festival marítimo anual na cidade de Horta, ilha dos Açores, que celebra o que chamam de “patrimônio marítimo local atlântico”; tem uma semana de duração, e é realizada em agosto. Há competições de regatas ao redor da ilha, além de oficinas sobre a vida marítima e a possibilidade de participar de outros esportes aquáticos, como mergulho e música. Os festejos são encerrados com fogos de artifício.

 28 – Festivais de Música de Verão em Portugal – período em que acontecem vários festivais, dentro deste festival, por assim dizer, como o Festival Internacional de Cinema de Lisboa ou festivais de música como o Cool Jazz.

 29 – Rock in Rio Lisboa – dispensa apresentações, porque conhecemos muito bem este festival brasileiro e carioca, só que, aqui, é realizado em Lisboa “Rock in Rio” atua como um logotipo e uma espécie de franquia.

Rock in Rio – Lisboa | Fonte: rockinriolisboa.pt

 30 – Vodafone Paredes de Coura – outro festival de música de Portugal, que acontece em agosto na cidade de Paredes de Coura, no norte de Portugal; o forte deste festival é a música Indie e Rock Alternativo. Outro forte destes festejos são os muitos acampamentos dos participantes.

 31 – Sudoeste, Zambujeira do Mar – festejos baseados em música, igualmente, realizado, também, em agosto, só que, aqui, são estilos musicais variados.

 

Sítios consultados:                                      

 

Grécia

O que conhecemos por “Grécia Antiga” é o período que se estende de vinte séculos antes da Era Comum Ocidental ou, como é mais conhecido, antes de Cristo (a.C.) ao século I a.C. ou, como outros estudiosos situam, à própria época de Cristo. A História da Grécia Antiga é comumente dividida, pelos historiadores, do seguinte modo:

1 – Pré-Homérico (2000-1200 a.C.)período tido como início da formação da civilização grega ou helênica, mistura que foi de povo indo-europeus ou arianos (aqueus, jônios, eólicos e dórios).

2 – Homérico (1200-800 a.C.)assim classificado por ter sido o período que ficou marcado por seu (tido por alguns) historiador maior, Homero, o qual, em existindo, mesmo (há dúvidas sobre se ele existiu ou não) escreveu dois clássicos até hoje apreciados, a Ilíada e a Odisseia, dois poemas épicos que são as principais fontes históricas do período.

3 – Arcaico (800-500 a.C.)período que viu a expansão das grandes Cidades-Estado (pólis) gregas, como Atenas e Esparta, dentre outras.

4 – Clássico (500-300 a.C.)é o período considerado como auge desta civilização, em que, por exemplo, surgiu a Democracia Ateniense e, por outro lado, momentos épicos, como as Guerras Médicas (gregos contra persas), a Guerra do Peloponeso (atenienses contra espartanos). Por outro lado, foi também o período em que floresceu a Filosofia, com Sócrates (469 a.C.-399 a.C.; Platão 428 a.C.-327 a.C. e Aristóteles 384 a.C.-322 a.C.) e a medicina, com Hipócrates (460 a.C.-377 a.C.).

5 – Helenístico (300 a.C. até o século I d.C.) – período em que a ciência se desenvolveu bastante, também, como a desenvolvida por Arquimedes, de Siracusa; também foi um momento de expansão bélica e territorial, com Alexandre, o Grande (356 a.C-326 a.C.), que foi discípulo de Aristóteles.

 

Mapa da Grécia Antiga:

Fonte: Yahoo.com

 

A História mais recente deste importante país para a própria História e para a identidade do que chamamos de Ocidente segue, então, do início da Era Comum (depois de Cristo) até mais ou menos sua independência do Império Otomano, em 1828, internacionalmente reconhecida em 1832. Do período do nascimento de Cristo até meados do século XV, a Grécia foi dominada pelos Romanos. Desde este momento, meados do século XV, com a conquista Otomana de Constantinopla, em 1453, marco coincidente com a queda do Império Romano do Oriente, então, a Grécia mudou de senhor, dos romanos, para os otomanos. Em 1981, a Grécia entrou para membro efetivo da União Europeia. Toda esta rica História fez dos gregos, um povo muito festivo; vejamos algumas dessas comemorações.

1 – Páscoa – feriado religioso dos mais importantes da Igreja Católica Ortodoxa (que não segue a orientação do papado de Roma) deste país, é celebrada no primeiro domingo depois da lua cheia que ocorre no Equinócio da Primavera (do Hemisfério Norte, que coincide com o nosso outono). Equinócio é um fenômeno astronômico que ocorre quando os raios solares incidem perpendicularmente sobre a linha imaginária do Equador terrestre, que divide o planeta em Hemisfério Norte e em Hemisfério Sul; desse modo, nesse dia, o dia tem, astronomicamente, a mesma duração do que a noite; existem dois equinócios, de primavera e de outono. Como curiosidade, há uma páscoa um tanto diferente na cidade de Vrontados, na Ilha de Chios (uma das muitas ilhotas gregas), quando os habitantes realizam uma “Guerra dos Foguetes” entre duas igrejas “rivais”.

 2Dia do Espírito Santo – comemorado 50 dias depois da Páscoa, como o dia em que, acredita-se, o terceiro membro da Santíssima Trindade católica pediu aos Apóstolos que ensinassem o cristianismo ao mundo.

 3 – Dia da Independência – a independência grega do Império Otomano, conquistada em 1821, é celebrada no dia 25 de março e é muito significativa em Atenas, a capital grega; como em várias partes do mundo, há muitos desfiles militares.

Dia da Independência – Grécia | Fonte: greciaparabrasileiros.com.br

 4 – Carnaval – tal como no carnaval católico, como o do Brasil, é um momento de muitos festejos e preparatórios para a Quaresma Ortodoxa, comemorada 40 dias depois, com jejum de certos alimentos e a abstinência de prazeres mundanos. A páscoa católica celebra os 40 dias em que se diz que Jesus passou no deserto, sendo tentado a não continuar seu ministério. Outro festejo muito celebrado, junto com o de Atenas, é a comemoração na cidade de Patras, bem parecido com o carnaval carioca.

 5 – Festivais Panigiri – são feiras tradicionais que homenageiam santos gregos (ortodoxos), como São Nicolau, Santo Elias, São Demétrio, São Jorge, Santo Atanásio, São Gregório, São Basílio, São Cirilo e São João Crisóstomo, em que há muita comida, danças tradicionais e procissões. As datas dos festejos variam.

 6 – Dia de Ohi, Aniversário Nacional – festejado em 28 de outubro, este dia comemora a recusa da Grécia em se render às forças italianas durante a Segunda Guerra Mundial, com procissões, desfiles militares e muitos fogos de artifício.

 7 – Natal e Ano Novo – sem maiores esclarecimentos, são comemorações bastante parecidas com as nossas daqui, do Brasil.

 8 – Festival de Epidauro – festa comemorada, especialmente, na cidade de Atenas, é constituída de um grande conjunto de peças teatrais, porém, encenadas por todo país.

Festival de Epidauro – Grécia | Fonte: eurotravelo.com

 9 – O Festival Internacional de Cinema de Tessalônica – também não é necessário, aqui, dissertar muito; são filmes vários exibidos, concorrendo a prêmios ou não, mas todos destinados à mais ampla divulgação do cinema grego.

 10 – Festa de Agios Vassilis (São Basílio) – comemoração com muitas missas. São Basílio é a versão ortodoxa grega do Papai Noel. As famílias gregas cortam a vasilopita, um bolo com uma moeda dentro que, diz a lenda, traz boa sorte para o ano novo a quem a encontrar.

 11 – Epifania – festa celebrada no dia 06 de janeiro, comemora a vinda de Cristo ao mundo e seu batismo, além da história dos Reis Magos (Belchior, Gaspar e Baltazar); águas são abençoadas, com cruzes benzidas que são jogadas nos rios e no mar, e espíritos maus são banidos.

 12 – Festa da Anunciação – no dia 25 de março é comemorado o anúncio, por intermédio do Arcanjo Gabriel, da vinda de Cristo, pela gravidez da Virgem Maria.

 13 – Dia da Assunção da Virgem Maria – comemorado em 15 de agosto, celebra-se aquela que é tida como protetora dos gregos.

 14 -Dia do Trabalho (Protomagia) – como em vários países, como no Brasil, é uma festa comemorada no dia 1º de maio.

 15 – Revolta Politécnica contra a Junta – é comemorada no dia 17 de novembro; esta revolta, também conhecida por “Regime dos Coronéis”, foi uma rebelião popular, notadamente de estudantes e alguns movimentos sociais, contra a ditadura militar que governou a Grécia entre 1967 e 1974.

 

Sítios consultados:                                                                        

 

 

Bibliografia sugerida para consulta:

CASCUDO, Luís da Câmara (1898-1986). Civilização e Cultura. São Paulo: Global Editora, 2004.

TURINO, Célio. Cultura a unir os povos – a Arte do Encontro. São Paulo: Instituto Olga Kos de Inclusão, 2018.

 

 

Carlos Fernando Galvão,
Geógrafo, Doutor em Ciências Sociais e Pós Doutor em Geografia Humana

Instagram: @cfgalvao54
profcfgalvao@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

Author

Carlos Fernando Gomes Galvão de Queirós é carioca, Bacharel e Licenciado em Geografia (UFF), Especialista em Gestão Escolar (UFJF), Mestre em Ciência da Informação (UFRJ/CNPq), Doutor em Ciências Sociais (UERJ) e Pós Doutor em Geografia Humana (UFF). Autor de mais de 160 artigos, entre textos científicos e jornalísticos, tendo escrito para periódicos como O Globo, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo e Le Monde Diplomatique Brasil, também foi colaborador do Portal Acadêmico da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) entre 2015 e 2018. Atualmente, escreve com alguma regularidade no Portal ArteCult. É autor, igualmente, de 14 livros.

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