Entre marés e mandalas, uma travessia de Pipa a Tibau do Sul


Por Álvaro Tàllarico

Pipa, RN

Caminhada pelas praias de Pipa (foto: Alvaro Tallarico)

Pipa vai além do óbvio. Eu diria que, fugindo das barracas, é um chamado à contemplação. Em uma caminhada que começou na Praia do Centro e seguiu até Tibau do Sul, com pausa nas águas tranquilas da Praia do Giz, encontrei paisagens incríveis.

Escolhi a Praia do Giz para repousar. Suas piscinas naturais revelam-se quando a maré baixa, entre 10h e 14h, oferecendo um convite ao mergulho e à leveza. A trilha até lá é uma pequena aventura. A saída do centro exige cuidado extra: o trecho de pedras é traiçoeiro, mas após superado, o caminho se abre em generosa beleza.

No trajeto, a surpresa: um esqueleto de bolacha-do-mar repousava na areia. Toquei com carinho, agradeci e o devolvi às águas. Uma oferenda natural — ou um presente. Essa criatura, chamada de “dólar-da-areia” em algumas culturas, carrega simbologias de proteção, gratidão e renovação espiritual. Alguns a veem como uma mandala natural; outros, como um sinal divino. Eu a vi como alegria pura.

dólar da praia em Pipa

Bolacha-do-mar em Pipa (foto: Alvaro Tallarico)

A bolacha-do-mar, ou Encope emarginata, é um equinodermo, parente das estrelas-do-mar e ouriços. Com corpo achatado e delicado, vive enterrada nas areias rasas, alimentando-se da matéria orgânica do oceano. O que encontramos na praia é sua “testa” — um esqueleto de beleza geométrica e simbólica.

Tibau do Sul: o mar encontra o rio

Chegar a Tibau do Sul é concluir um pequeno rito. Lá, o mar se encontra com a Lagoa de Guaraíras. Um espetáculo natural. Sentei numa creperia à beira da vista, tomei um café e apenas contemplei. O sol refletia sobre a água como se desenhasse caminhos secretos.

Outro pôr do sol marcante é visto da Praia do Centro. Ali, perto do Orishas Bar, vi o céu tingir-se de laranja enquanto o mar se transformava numa piscina serena. Um final de tarde que abraça quem sabe parar para olhar.

Chapadão e a força do vermelho

Se estiver de carro, não deixe de subir ao Chapadão. O mirante revela a famosa Praia do Amor, com falésias vermelhas. É uma das vistas mais marcantes do Rio Grande do Norte. Ideal para fotos, suspiros e silêncios. Ao entardecer, o espetáculo se repete com outra paleta de cores — menos dourada, mais fogo.

Serviço – Pipa, RN

Caminhada sugerida
Praia do Centro → Golfinhos → Madeiro → Cacimbinha → Praia do Giz → Tibau do Sul
Cerca de 2h30 com paradas e contemplações
Maré baixa entre 10h e 14h
Leve água, filtro solar e tempo livre

Pôr do sol imperdível
Mirante de Tibau do Sul numa ponta ou perto do Orishas Bar na outra (a pé)
Mirante do Chapadão (de carro)

Praia do Giz ao fundo (foto: Alvaro Tallarico)

Praia do Giz ao fundo (foto: Alvaro Tallarico)

Piscinas naturais
Praia do Giz, durante a maré seca

 

 

Álvaro Tàllarico

 

 

 

 

 

 

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Author

Alvaro Tallarico é jornalista cultural formado pela UERJ, especializado em cobrir música, cinema e eventos culturais. Atua como colunista no Diário do Rio e repórter no FutebolBR, além de ser locutor na Rádio Catedral FM 106,7. Criador e editor do portal Vivente Andante, ganhador do Edital Cultura Presente nas Redes, já entrevistou personalidades do cinema, teatro e música, e participou de grandes eventos. Tem mais de 100 episódios no Podcast Vivente Andante e segue com o podcast Álvaro Tàllarico Entrevista no Spotify. Vencedor de Melhor Trilha Sonora Original com o filme "O Preto de Azul" no Festival Bananeiras de Cinema.

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