
Coluna de Márcio Calixto

Arte Digital com IA: Chris Herrmann
Em processo de escrita
Próximo de fazer 46 anos, tenho refletido em como meu processo de produção literária tem ganhado um volume bem significativo. Logo depois que publiquei o meu primeiro romance, deu-me uma sensação de que eu deveria ter esperado mais. No entanto, a fase da minha vida à época me levaria ao desejo de publicação. Como uma autoafirmação. Relendo o livro em distintos momentos, vi que ele precisava ter sedimentado algumas novas paragrafações.
Agora que assumi com rédeas firmes a coluna no ArteCult, passei a querer apenas a escrever e escrever. Processo importante, que me deixou alerta, com a caneta em riste, querendo traduzir em palavras qualquer similitude à escrita. Essa decisão levou-me à constância. E o que eu não escrevi ao longo de dez anos, agora quer logo se preencher.
A caneta voa junto com a mão. Não posso me dar ao luxo de não transformar qualquer possibilidade de ideia em uma crônica, gênero pelo qual tenho movido minhas atuais paixões literárias.
Foi ao longo dessa semana que Veríssimo faleceu. Ele se consagrou exatamente nesse gênero. Um mestre. Inquestionável. Olha que eu já tinha um apreço profundo pelo pai, o Érico. Olhai os lírios do campo é uma das obras que mais admiro, eu, o que sempre lê e que é agora o que também sempre escreve. Aproveito-me dessa epifania para preencher papéis em constância.
Ano passado, a UERJ pediu uma das obras do vestibular um livro do LF. As aulas ganhavam outra dimensão. Divertíamo-nos. Muito. Pode desfrutar daquela eloquência sutil, amável e questionadora, produzindo um humor perspicaz e soberano me fez ter novas esperanças nas aulas de literatura. Ao longo da leitura da obra, muito reli de Rubem Braga, autor que é alvo de minha paixão literária. “Braço de mulher” é fantástico. Dele segui a Lêdo Ivo, outro gigante. Nele aprendi que devemos ter lirismo para tudo.
Busco sempre esse lirismo, apesar dos absurdos da vida. Perder Veríssimo, relê-los, vê-los indo embora. Eu aqui escrevendo. Petulância. Prefiro agradecer. Pois, ao lê-los, quero me manter escrevendo.
16 de Setembro de 2025
MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação


Coluna de Márcio Calixto









