EL CAPITXN conquista o Brasil com performance eletrizante e energia inesquecível

Foto: Barbara Schreurs (@itisbabby)

Jang Yi-jeong (장이정), nascido em 10 de setembro de 1993 na Coreia do Sul, é cantor, compositor e produtor musical. Ele ganhou destaque no cenário musical sul-coreano como o vocalista principal do grupo HISTORY, que estreou em 2013 sob a agência LOEN Entertainment (mais tarde conhecida como FAVE Entertainment, hoje parte da IST Entertainment).

Antes de sua estreia como idol, Yi-jeong participou do programa de competição musical Star Audition: The Great Birth (위대한 탄생), 2ª temporada, exibido pela MBC em 2012, onde demonstrou pela primeira vez seu potencial vocal e artístico para o grande público. Apesar de não ter vencido o programa, seu desempenho chamou a atenção da indústria.

Em 2013, ele debutou com o grupo HISTORY com o single Dreamer, que teve IU como narradora na faixa de estreia, uma colaboração de peso que destacou o grupo entre os lançamentos da época. Com a sua voz potente e estilo melódico, Yi-jeong rapidamente se tornou uma das vozes mais memoráveis de sua geração.

No entanto, sua trajetória como idol sofreu uma reviravolta quando passou a enfrentar problemas vocais misteriosos, que com o tempo afetaram também a sua fala. Apesar de procurar ajuda médica, nenhuma causa específica foi diagnosticada, o que o levou a se afastar dos palcos como cantor.

Esse momento difícil se transformou em um novo começo: renascendo como produtor e compositor sob o nome artístico EL CAPITXN. Com o apoio do amigo SUGA (BTS), Yi-jeong ingressou no universo da produção musical e o fez com impacto. Ele co-compôs faixas icônicas como Ddaeng (BTS), Dear My Friend, Daechwita (do álbum D-2 de Agust D) e That That (PSY feat. Suga), entre muitas outras.

Hoje, EL CAPITXN é um dos produtores mais requisitados do K-pop, trabalhando com artistas como BTS, TXT, Sunmi, NCT, entre outros, além de ser conhecido por sua sensibilidade artística, lealdade e jornada de superação que inspira músicos e fãs ao redor do mundo.

Coletiva de imprensa no Brasil

Foto: Barbara Schreurs (@itisbabby)

Durante a sua primeira passagem pelo Brasil, EL CAPITXN participou de uma coletiva de imprensa em que falou sobre carreira, processo criativo, parcerias e sua relação com o público brasileiro.

Desde os seus primeiros dias como idol no palco, você se estabeleceu como produtor trabalhando em músicas de inúmeros artistas. Como essa transição influenciou sua visão artística e o que aprendeu sobre si mesmo nesse processo?

Quando eu estava no grupo HISTORY, eu pensava que tudo girava ao meu redor. Achava que era o número um. Mas quando o grupo acabou e passei a trabalhar como produtor, vi tudo de outra perspectiva, a da equipe. Percebi como os profissionais dos bastidores trabalham duro e que, sem eles, um artista não consegue subir ao palco. Isso me fez respeitar muito mais cada pessoa envolvida e também me fez refletir bastante sobre a minha própria postura.

Você fundou a Vendor’s Production para apoiar compositores e criar um ambiente criativo. Como descobre novos talentos e mantém a inovação na música?

Não tento seguir tendências só para me manter relevante. Faço música com sinceridade e consistência. Ao escolher alguém para a Vendor’s Production, priorizo pessoas que não desistem, que persistem na música, mais do que aquelas que apenas tem talento técnico. Eu mesmo já perdi a voz como cantor, mas não desisti e continuei criando. Acredito que cheguei até aqui por não ter desistido, e quero que os membros da Vendor’s tenham essa mesma força.

Você já trabalhou com vários artistas, incluindo BTS, IU, TXT, Wonder Public e Steve Aoki. Como harmoniza a cor musical de cada um com sua própria identidade?

Normalmente, quando um artista busca uma música, ele envia um “lead” com a direção ou o estilo que quer. Eu tento não olhar muito para isso, porque prefiro criar algo que qualquer pessoa possa gostar, não apenas o artista. É difícil explicar em palavras, mas meu objetivo é fazer músicas universais, que funcionem para qualquer público.

Como diferencia músicas tecnicamente perfeitas de músicas que realmente tocam o coração?

Vejo dois tipos de músicas: as que são tecnicamente impecáveis e proporcionam prazer imediato ao ouvir, e as que, mesmo não sendo perfeitas tecnicamente, carregam emoções profundas. As primeiras mexem com o ouvido; as segundas, com o coração. Quando algo nasce de uma emoção desconfortável ou intensa, ele atravessa o ouvido e chega diretamente à alma.

Ao criar uma música, você começa pela melodia ou deixa o som guiar o processo?

Depende. Às vezes estou no piano e a melodia surge do nada. Outras vezes, conversando com um artista, aparece uma ideia. Não existe fórmula fixa. Já aconteceu, por exemplo, de me inspirar no som de um clique ou de algo cotidiano e usar isso na música.

Foto: Barbara Schreurs (@itisbabby)

Você costuma incluir sons do cotidiano ou ambientes específicos em suas músicas?

Sim, bastante. Se quero transmitir solidão, por exemplo, posso inserir o som do vento. Se está chovendo, o clima naturalmente deixa as pessoas mais introspectivas, e eu coloco esse sentimento na música, às vezes até com sons de chuva. Também já usei sons como o tique-taque de um relógio ou ruídos gravados em estações de metrô.

Esta é a sua primeira vez no Brasil. Qual é a sua percepção sobre os fãs brasileiros e o que espera para o show?

Eu nunca tinha vindo ao Brasil antes, mas sentia que já havia uma conexão musical com os fãs daqui, porque sempre recebia pedidos para me apresentar. E todos sabem: o Brasil é único. Aqui, o público muitas vezes parece mais animado que o próprio artista no palco. Sempre sonhei em fazer um show num lugar assim e estou muito ansioso para o que vai acontecer neste fim de semana.

Entre todos os trabalhos que já fez, qual foi o mais desafiador, tanto técnica quanto emocionalmente, e o que aprendeu com ele?

Com certeza foi Daechwita, que fiz junto com o SUGA. Combinar música tradicional coreana com hip-hop foi extremamente difícil, porque o equilíbrio precisava ser perfeito: se puxasse demais para o tradicional, ficaria antiquado; se fosse só moderno, perderia a essência. Criamos várias versões até chegar à final. Esse processo me fez crescer muito como produtor e ampliou minha visão musical.

Como mantém a autenticidade artística sem se perder nas tendências?

Sempre coloco o coração na música. Não penso “vou fazer isso porque está na moda”. Claro que tendências existem, mas se você só segue o que está em alta, perde o prazer e a identidade. Prefiro fazer música sincera, que eu ame, independente do que o mercado esteja pedindo.

Você já experimentou a culinária brasileira?

Sim! Hoje comi parmegiana pela primeira vez. Sou muito seletivo para comer, mas estava tão bom que comi tudo, até o prato do meu empresário (risos).

Foto: Barbara Schreurs (@itisbabby)

Você considera colaborar com artistas brasileiros, como DJs locais?

Claro, seria incrível. Gosto muito do Brasil, tanto que encarei 30 horas de viagem para estar aqui, e com certeza vou voltar. Quero criar algo com artistas daqui no futuro.

Se fosse criar um projeto misturando K-pop, hip-hop e a cultura brasileira, que elemento usaria? 

Tenho muito interesse no funk brasileiro. Descobri o gênero recentemente, mas percebi que está em alta na cena de DJs. Naturalmente me interessei e quero criar algo no meu estilo inspirado nisso. Inclusive, ontem mesmo, no hotel, comecei a trabalhar em algumas ideias. Quem sabe um dia possa lançar algo.

Se o Jang Yi-jeong pudesse dizer algo ao El Captxn de hoje, o que diria?

Eu diria para nunca desistir de si mesmo, para não se preocupar com a opinião dos outros e para fazer tudo do seu próprio jeito.

Antes de encerrar, poderia deixar uma mensagem final para os fãs brasileiros?

Os fãs brasileiros me pedem para vir ao Brasil há mais de um ano, enviando mensagens através das redes sociais. Finalmente, depois desse tempo, estou aqui e poderei encontrar vocês no show de sábado e domingo. Isso é como um sonho para mim e me deixa muito feliz. Ter tantas pessoas me apoiando e vindo assistir à minha apresentação é realmente uma bênção. Sinto que sou uma pessoa muito sortuda. E mais do que tudo, quero agradecer muito ao SUGA, que tornou possível esse encontro com os fãs brasileiros. Quando voltar para a Coreia, quero o agradecer pessoalmente, olhando nos olhos dele.

E para os jornalistas presentes hoje, tem algo que gostaria de dizer?

Antes de tudo, muito obrigado a todos que vieram até aqui para essa entrevista. Ontem eu estudei um pouco do português e aprendi algumas palavras como “obrigado”, “oi”, “te amo”, “tchau tchau” e “boa noite”. Talvez eu não me lembre de todas agora, mas estou me esforçando.

Há algo que gostaria de acrescentar sobre seus próximos passos como artista?

Agora, como recording artist e não apenas produtor, estou iniciando oficialmente minhas atividades no palco. Peço que acompanhem esse novo momento da minha carreira, que me deem muito amor e claro, que continuem apoiando o SUGA também.

EL CAPITXN incendeia a pista da NEXT BulletProof em São Paulo

Foto: Barbara Schreurs (@itisbabby)

No dia 19 de julho de 2025, a VipStation, em São Paulo, foi tomada por uma energia contagiante durante a NEXT Bullet Proof Feat. EL CAPITXN. Para os fãs brasileiros, foi um momento histórico: a primeira apresentação do produtor e DJ no país.

EL CAPITXN mostrou que veio para entregar muito mais que um simples set. Ele construiu uma narrativa sonora que transitou entre o K-pop e o hip-hop, com hits que fizeram a plateia cantar alto. No set teve músicas como Eight (feat. SUGA) de IU e Crooked, de G-DRAGON.

Ainda teve os sucessos do BIGBANG We Like 2 Party e Loser, Take Two e Fake Love do BTS e Squabble Up do Kendrick Lamar. O ápice final ficou por conta de dois hinos já imortalizados no K-pop: Daechwita do Agust D e That That (feat. SUGA) do PSY.

Do início ao fim, EL CAPITXN interagiu com o público, acenando, sorrindo e incentivando todos a participarem. Seu carisma, aliado à escolha precisa de cada faixa, fez da apresentação não apenas um show, mas uma celebração coletiva, um marco que os fãs certamente guardarão na memória. Encerrando a sua primeira passagem pelo Brasil, EL CAPITXN destacou o quanto ficou impressionado com a energia e a receptividade dos fãs brasileiros, prometendo voltar mais vezes.

Author

Escorpiana NB de 1992, Babby é jornalista, poeta, fotógrafa, produtora, diretora, artista e professora. Vive entre palavras, imagens e acordes, transformando experiências em arte. Apaixonada por música, é ARMY dedicada e emo de coração, duas identidades que moldam o seu olhar sensível e intenso sobre o mundo. Atua na produção e no making of de bandas do interior de São Paulo, com olhar apurado para o que acontece nos bastidores. Dirigiu e produziu o filme Eu Nasci Assim, participou do programa Na Bota do Rock na FM90, faz cobertura de shows e já foi jurada em festival de cinema. Nas horas vagas, escreve poemas que traduzem os amores, desamores e o CAOS que habita dentro de si. Acredita no poder da criação como forma de existência, resistência e identidade.

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