Culturas, Identidades e Escolhas: um rasante nas existências humanas através de algumas de suas festas e tradições – parte 10 Culturas e festas culturais na Oceania e Extremo Oriente: Austrália, Nova Zelândia e Japão

Sydney Festival | Royist.com

 

 

Culturas, Identidades e Escolhas: um rasante nas existências humanas através

de algumas de suas festas e tradições – parte 10

 Culturas e festas culturais na Oceania e Extremo Oriente:

Austrália, Nova Zelândia e Japão

 

                                                A gente tropeça nas pedras pequenas, porque as grandes a gente logo enxerga.

Provérbio Japonês

 

Um dos grandes mistérios para nós, ocidentais, consiste no modo de sentir, pensar, falar e agir dos orientais que, não raro, parecem habitar outro planeta. Somos tão diferentes e, ao mesmo tempo, com tantas aspirações semelhantes… Já tínhamos visto um pouco da cultura oriental, na forma das tradições chinesas, na parte 5 desta sequência, em que vimos os festejos dos povos dos BRICS. Uma das características mais marcantes dos orientais é a paciência. Certa vez perguntaram à Deng Xiaoping (1904-1997), então, líder máximo da China, o ano era 1989, qual ele achava que teria sido a maior contribuição, para o mundo, da Revolução Francesa, cuja data mais marcante é a Queda da Bastilha (uma prisão famosa à época), em 14 de julho de 1789. Quer dizer, em 1989, perguntaram à Deng a maior consequência desse fato histórico ocorrido 200 anos antes. Deng pensou e, com calma, disse algo como “não sei, ainda, está muito recente”! A civilização chinesa, tem algo em torno de, no mínimo, uns 7 mil anos. Assim, um evento com 200 anos é, realmente, recente. O Japão, que também é objeto de parte deste artigo, é também muito antigo. Com tanto tempo assim, muitos tropeços aconteceram e muitos soerguimentos ocorreram; eles já aprenderam, em muitos momentos, a visualizar e a contornar, não apenas as “grandes pedras”, mas também algumas pequenas, como nos mostra o próprio ditado japonês em epígrafe. E um dito popular aqui, no nosso Brasil, diz que “todos caem, mas apenas os fracos permanecem no chão”. Não é assim, tão absoluto, mas não deixa de ter sua parcela de verdade. Tanto tempo de civilização gerou culturas poderosas, como a Japonesa. Mas o Oriente também tem suas terras e culturas relativamente recentes, como a Oceania e a Nova Zelândia. Vejamos um pouco desta interessante mescla de culturas ocidentais, através de alguns de seus festejos.

 

Austrália

Segundo historiadores, quando da chegada dos colonizadores modernos, havia, no que hoje é a Austrália, no mínimo, 500 tribos, que falariam algo como 300 dialetos; a população aborígene foi estimada, por baixo, em uns 200 mil habitantes no total que viviam muitas tribos que ficaram conhecidas como “aborígenes”, povos nativos que, estima-se, viviam no território há pelos menos 50 ou 60 mil anos. O grande empreendedor colonial, pelos britânicos, foi o capitão James Cook, famoso aventureiro de então, que aportou no que hoje é o território australiano, segundo registros oficiais, em 28 de abril de 1770. Após reconhecimento do local, a Austrália foi declarada como pertencente ao império inglês em 22 de agosto de 1770. A despeito disso, a efetiva colonização começou, oficialmente, 8 anos depois da chegada de Cook, em 1778 e, claro, não foi um processo muito amistoso, uma vez que para lá foram encaminhados apenados pelo império britânico, tanto no território inglês, propriamente dito, quanto em várias de suas outras colônias (que até 1775 eram enviados para o, já então independente, Estados Unidos). Esta situação perdurou até 1835, quando prisioneiros pararam de ser encaminhados para a Austrália e começaram a habitar, realmente, a nova terra, fazendo dela, seu próprio país, até a independência total do Império Inglês, em 1942, embora nunca tenha deixado de fazer parte da Comunidade Britânica, desde quando nele ingressou, formal e oficialmente, em 1901; até hoje, o Rei Charles III, da Inglaterra, é, simbolicamente, o Rei Australiano. A Austrália, desde o século XIX, recebeu muitos imigrantes, de vários países, como os chineses, por exemplo, e isso fez deste, um território culturalmente muito rico, com muitos festejos. Há quem diga que a Austrália é o Brasil do Oriente, por sua localização geográfica, embora culturalmente seja uma nação afeita ao Ocidente, e que os povos partilham, além da tropicalidade natural, certa alegria cultural e festiva, em termos da vida de suas populações. Festas? Ah, sim, este é o cerne desta sequência de artigos. Então, vamos ver um pouco das festas da terra do canguru e do coala.

 1 – Australian Day – comemora-se, no dia 26 de janeiro, o dia em que, oficialmente, o território, hoje conhecido por Austrália, foi descoberto pelo colonizador europeu, britânicos, basicamente; isso aconteceu no ano de 1770. É o mesmo tipo de comemoração que fazemos no dia 21 de abril. Há muitos shows e eventos espalhados por todo o país.

Sydney Harbour will host a full day of Australia Day events, with fireworks displays a mainstay of the celebrations. (Supplied: Australia Day Council of NSW)

 2 – National Multicultural Festival – festa da cidade de Camberra, capital australiana (não, não é Sydney, como muitos pensam); é comemorado no mês de fevereiro, dura uma semana, e celebra a diversidade cultural australiana, com apresentações, comidas típicas e atividades diversas.

3 – Surfers Paradise Festival – a Austrália é um dos países mais fortes nos esportes em geral e nos aquáticos, em particular, como o surf, ora objeto deste festejo, realizado na cidade de Gold Coast, no mês de março, com muitasurf music (rock e baladas, basicamente), dança e artes em geral, porém, basicamente relacionadas ao mar e ao surf.

 4 – Anzac Day – é uma festa tradicional que celebra, no dia 25 de abril, as vitórias dos soldados australianos e neozelandeses, nas diferentes guerras em que o país se envolveu.

 5 – Boxing Day – é uma festa em que acontece uma espécie de corrida de iates que vai de Sydney até a cidade de Bogart, mas também passou a atuar como uma espécie de black friday, porque os preços de produtos, são rebaixados (ou dizem que são!). É uma comemoração no dia 26 de dezembro, logo depois do natal.

Boxing Day | Theaustralian.com.au

 6 – Sydney Festival – tido, talvez, como o maior festival de música do país, que acontece logo depois do ano novo, no mês de janeiro, embora não seja apenas de música, mas também de artes cênicas e de artes plásticas. Outros festivais de música da Austrália, também famosos: Brisbane Festival (julho), Perth International Arts Festival (fevereiro), Darwin Festival (agosto) e Melbourne International Arts Festival (outubro).

 7 – New Year’s Day – o ano novo é celebrado, como em todo país que segue o calendário Ocidental ou Gregoriano, como o nosso, na virada do dia 31 de dezembro para 01 de janeiro com fogos de artifício, música, bebidas e comidas típicas.

Para acréscimo de informação, não apenas sobre a Austrália, mas sobretudo de cunho geral, o Calendário Gregoriano foi instituído pelo Papa Gregório XIII, em 1582, para substituir o então vigente Calendário Juliano, que foi um sistema de datação anual criado em 45 a.C. pelo imperador romano Júlio Cesar (aquele mesmo, da Cleópatra; né, Brutus?), que foi o primeiro a estabelecer um ano de 365 dias, com 1 dia extra a cada 4 anos, para acertar as “sobras astronômicas”, porque, em termos de astronomia, o dia total tem, na verdade, 23 horas e 56 minutos, o que é medido pelo movimento aparente do Sol ao redor da Terra, é o chamado “dia sideral”. Essa diferença de 4 minutos diários, que é “perdida”, é compensada a cada 4 anos; é o Ano Bissexto. O Calendário Gregoriano foi criado, justamente, para corrigir esta perda astronômica que estava levando, por exemplo, a pequenos defasamentos relativos à contagem das estações do ano, razão pela qual, também, por exemplo, a páscoa é mutante no calendário local.

 8Good Friday – é o nome australiano para a nossa “sexta feira santa”.

 9Easter ou Páscoa – costuma ser celebrada, na Austrália, em março ou abril; no cristianismo celebra-se, com a páscoa, a ressureição de Cristo, 3 dias após a crucifixão. Uma curiosidade é que na Austrália não é o Coelhinho da Páscoa quem deixa os ovos para as crianças, mas sim o Bilby” da Páscoa, um marsupial nativo do país, que lembra um coelho. Esse animal é considerado como a mascote da Páscoa por dois motivos: porque alguns australianos veem os coelhos como pragas e porque lá, osBilbys estão em extinção e estão tentando salvá-lo com esta valorização.

 10 – Queen’s Birthday – comemora-se a vida da rainha britânica Elizabeth II (que também era rainha da Austrália, seu Chefe de Estado, não de Governo, como o Rei Charlles III também o é), mas não é o dia do aniversário e varia conforme a região em que se está na Austrália. Também é comemorado na Nova Zelândia.

Queen’s Birthday | Newmatilda.com

 11 – Christmas Day – comemorado no mesmo dia 25 de dezembro e do mesmo jeito, com uma ceia familiar.

 12 Labour Day – o “dia do trabalho”, equivalente ao nosso, sós que lá é comemorado em datas diferentes em cada Estado.

 13 – Sydney Gay and Lesbian Mardi Gras – é uma festa, realizada entre fevereiro e março, com muita música e dança, cujo ápice é um desfile, como na Parada Gay brasileira, pelas ruas de Camberra e de Sydney, especialmente, em homenagem aos que se identificam com a comunidade LGBTQIA+.

 14 – Festival Fringe de Adelaide – acontece sempre entre fevereiro a março, e consiste em centenas de shows (de música, de teatro, de cinema, de exposições de arte etc.) espalhados pelo país.

 15 – Sunsuper Riverfire – grande festival de fogos de artifício, com competições, inclusive, que acontece todo mês de setembro, na cidade de Brisbane.

 16 – Ano Novo Lunar – festival comemorado no dia 10 de fevereiro, com fogos, dragões, música, bebidas e comidas típicas australianas, que dura duas semanas; acontece em todo país

 

Sítios consultados                                                                                                   

  

 

 Nova Zelândia

A Nova Zelândia é outro território do continente da Oceania, tal como a Austrália, e um monte de outras pequenas ilhas, como Papua Nova Guiné, por exemplo. Segundo pesquisadores, os indícios apontam para grande migração de habitantes das ilhas polinésias, notadamente a partir do século XIV. No século XVII, com as grandes navegações européias, holandeses aportaram na ilha que conhecemos por Nova Zelândia, um dos locais onde vivam o povo Maori (ainda mais famoso depois da animação Moana, da Disney). Posteriormente, em fins do século XVIII, o mesmo capitão James Cook, que aportou a Austrália, também andou perambulando pelas terras Neozelandesas e, tanto quanto na Austrália, oficialmente, igualmente começou a colonização europeia na Nova Zelândia. Oficialmente, foi em 1840, com o Tratado de Waitangi, que a Nova Zelândia foi “criada” mais uma vez ignorando as pessoas que lá moravam, como participante do Coroa Britânica, embora só tenha se consolidado e unificado, em suas províncias, por volta de 1870, depois de guerras locais. Mesmo depois deste processo, ainda havia a resistência do povo Maori, que não aceitava ser colonizado e descaracterizado, como povo e por volta de 1870, os Maori conquistaram relativa independência do Império Britânico. Desde então, a despeito da resistência, a Nova Zelândia também faz parte da Comunidade Britânica, mesmo após ter se tornado completamente independente, em 1947. Muitas das tradições Neozelandesas vêm desta mistura dos polinésios, do povo Maori, com os europeus que os colonizaram. Há festas que eles mantém e que os identificam? Também. Quais? Vejamos algumas delas.

 

 

1 – Rhythm and Vines (R&V) – é um festival de música com bandas de rock, hip hop e música eletrônica que acontece todos os anos, entre o natal e o ano novo, emendando nesta última data comemorativa na virada ano, também comemorada de 31 de dezembro e 01 de janeiro, seguindo, igualmente, o Calendário Gregoriano, na cidade de Gisborne, no norte do país. No ano novo, por questões astronômicas, a Nova Zelândia é o primeiro país a ver o primeiro Sol do ano. Eis a comemoração deste festival. Os shows duram todas as 24 horas do primeiro dia do ano. É uma rave!

Rhythm and Vines (R&V) | Rhythmandvines.co.nz

 2 – Summer Beach Hop – sem data fixa, mas comemorado anualmente, e, normalmente, no mês de março, este momento é uma celebração do automóvel e da motocicleta, notadamente antigos modelos que fizeram sucesso; quanto mais velho e conservado, mais são valorizados, o carro e a moto, neste festival, de exposições e caravanas desses veículos. Há, também, muitos food trucks e música, normalmente, rock e blues.

 3 – Auckland Arts Festival – festival realizado nas três primeiras semanas de janeiro, logo após o ano novo, consiste em muitas exposições de artes visuais e de peças teatrais, além de música e workshops sobre arte.

 4 – New Zealand Film Festival – mais popular festival cinematográfico da Nova Zelândia, realizado entre julho e agosto, todos os anos, simultaneamente, nas cidades de Auckland e Wellington, esta última, capital neozelandesa; é um importante festival internacional.

New Zealand Film Festival | Source: Veronica McLaughlin / Courtesy of NZIFF

 5 – Pasifika Festival – comemorado nos dias 23 e 24 de março, na cidade de Auckland, este festejo homenageia culturas da Oceania (da Polinésia, da Micronésia da Melanésia), ou seja, além da própria Nova Zelândia, da Austrália e de outros países de menor território, como Cook Island, Samoa, Tonga, Tuvalu (menor país do mundo, é uma pequena ilha com 26 km2), Ilhas Fiji etc.

 6 – Waitangi Day – festa celebrada em 06 de fevereiro, foi o dia do Tratado de Waitangi, assinado em 1840, entre a Coroa Britânca e os chefes Maori que marcou o início da Nova Zelândia como uma nação soberana.

7 – Anzac Day – é uma festa tradicional que celebra, no dia 25 de abril, a vida dos soldados neozelandeses e australianos, nas diferentes guerras em que o país se envolveu.

Anzac Day service, Auckland, 2004 | Teara.govt.nz

 8 – Queen’s Birthday – comemora-se a vida da rainha britânica Elizabeth II (que também era rainha da Austrália, seu Chefe de Estado, não de Governo, como o Rei Charlles III também o é). Não é o dia do aniversário e também é comemorado na Austrália.

 9 – Matariki – é o ano novo Maori, povo original dos atuais neozelandeses, que celebra, no final de maio ou no início de junho, pela tradição, colheitas agrícolas; baseia-se no surgimento, nos céus neozelandeses, das Plêiades, um aglomerado de estrelas conhecido como as “7 irmãs”. As Plêiades são também, pelas tradições aborígenes, australianos, mas também neozelandeses, de onde vieram seus antepassados. É uma celebração com muita música, bebidas e comidas típicas.

 

Sítios consultados                                                                                                              

 

 

Japão

O território insular, há tempos pelo mundo conhecido como Japão, tem sua história, ao que se saiba, iniciada no século III a.C.; sua unificação sob um comando senhorial único começou no século VI d.C, mas foi somente pelos idos do século XVI que os japoneses tiveram contato com povos indo-europeus e sua cultura, como a religião católica e seus festejos e tradições, além do comércio. Do século XVI até meados do século XIX, foram os portugueses e os holandeses quem conduziram o comércio local com o território então dominado pelo Clã Tokugawa, situação que foi sendo modificada com a chegada, no processo, dos norte americanos, em meados do século XIX, com a respectiva mudança do Clã dominante, agora, os Kanagawa. Historicamente agrário e com estilo de vida semelhante ao feudalismo europeu, o Japão se industrializou, nos moldes ocidentais, com a chamada Revolução Meiji, cujo marco principal é tido como o ano de 1868, sob o reinado do então imperador Meiji (reinou entre 1867 e 1912), notadamente no tocante aos meios de transporte e à educação pública, que foi, então, universalizada. Entretanto, é bom ressaltar que os clãs dos antigos senhores feudais mantiveram seu poder, porque foram eles, também, a liderar a economia industrial capitalista. O império japonês travou algumas guerras, como a lida contra a Rússia, da qual saiu vencedor, entre 1904 e 1905, além de ter participado da I GM ao lado da chamada Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia), contra a Alemanha, mas na II GM, se aliou à Alemanha e à Itália nazi-fascistas, na aliança que ficou conhecida como “Eixo”. Depois da II GM, mesmo derrotado, aliou-se aos países que combateu, como os Estados Unidos, que inclusive jogou duas bombas atômicas, as únicas usadas até hoje, e se desenvolveu economicamente, mergulhado no modo de produção capitalista, tendo desenvolvido o modelo que passou à história como “Toyotismo”. Toyotismo foi um modelo de produção industrial desenvolvido na década de 1970 como, dizem alguns historiadores, alternativa, ou complemento, segundo outros pesquisadores, ao fordismo e que foi implantado nas fábricas japonesas. A grande característica deste modelo foi a adoção do “sistema just-in-time”, quando foi buscada uma forma para aumentar a eficiência da produção através do atendimento o mais direto possível das demandas dos consumidores e, com isso, diminuir a formação de grandes estoques de matérias primas e de produtos “encalhados”, o que dificulta, quando ocorre, a circulação do capital; além disso, busca, este modelo, a maior qualidade possível nas etapas da produção. Ações como terceirização e flexibilização da produção são originadas deste modelo. Com esta rica História, o Japão é mais um país com vasto sistema cultural. Vejamos, pois, algumas de seus festejos populares.

1 – Matsuris – a palavra quer dizer algo como “celebrar”, mas também, “adorar”; são festivais religiosos, realizados por todo o país, com peculiaridades, mas com elementos em comum, como procissões deMikoshis, que são carros alegóricos, sagrados, ornados com flores e tecidos coloridos, além das famosas “lanternas de papel” (também muito valorizadas na China) e que transportam a divindade que está sendo cultuada e para a qual a benção está sendo rogada. São festejos Xintoístas, com música (onde predominam taikô, espécie de tambor, e o shamisen, instrumento de cordas), bebidas e comidas locais típicas (é regionalizada, a comemoração).

Matsuri – Japão | Zekkeijapan.com

Xintoísmo é uma palavra que quer dizer “Caminho dos Deuses” e é a maior e, talvez, a maior devoção espiritual e religião do Japão; a crença é baseada em elementos naturais, os Kami, entidades espirituais que “habitam” os elementos da Natureza e tudo mais o que existe no mundo; não tem fundador, ao que se saiba ou mesmo um texto sagrado único, como é o caso da Bíblia (católica), da Torá (judaica) ou do Corão (muçulmano). O Xintoísmo busca a harmonização com a Natureza e a purificação espiritual.

 2 – Festival de Neve em Sapporo – realizado em fevereiro, é um festejo em que são confeccionadas enormes escultura de gelo e/ou neve e que são iluminadas de noite, o que deve dar um bonito efeito, além de shows com artistas locais.

 3 – Festival das Ameixeiras – realizado na cidade de Mito, entre fevereiro e março, celebrando um dos símbolos japoneses, o florescimento das ameixeiras.

 4 – Anime Japan – grande festival realizado na cidade de Tóquio, capital japonesa, em que são expostas produções de animes, mangás e games; também são realizados muitos workshops e painéis. Costuma acontecer no final de março, anualmente.

 5 – Festival de Primavera – realizado em abril, este festejo da cidade de Takayama, celebra o início da Primavera com desfiles de grandes carros alegóricos decorados com muitas flores e cores, com muitos músicos e dançarinos.

 6 – Festival de Sanja – outra festa da cidade de Tóquio em que são celebrados, com muitas procissões, os três fundadores, os irmãos Hinokuma Hamanari, Hinokuma Takenari e Haji no Nakamoto, do Santurário Asakusa ou Sanja-sama, que é um dos mais antigos e importantes templos Xintoístas de todo Japão.

 7 – Festival Hakata Dontaku – realizado em maio, é uma celebração com desfiles colorido, música e dança, quando os participantes se vestem com trajes tradicionais.

Festival Hakata Dontaku – Japan | Japan-kyushu-tourist.com

 8 – Festival Atsuta – realizado na cidade de Nagoya, é uma homenagem ao Santuário Atsuta, outro dos mais antigos e importantes templo xintoístas japoneses, realizado em junho com muita oração e procissões, além de várias apresentações culturais.

 9 – Torneio de Sumô – é uma das tradições mais conhecidas do Japão e o maior festival deste esporte ocorre, é realizado no mês de março, na cidade de Osaka.

10 – Festival Kanazawa Hyakumangoku – é realizado no mês de junho na cidade de Kanazawa, sendo uma celebração da história e da cultura da região, com trajes típicos, danças e música.

 11 – Festival Gion – realizado em julho, na cidade de Quioto, com o desfile de grandes carros alegóricos e muitas fantasias coloridas.

 12 – Festival de Cultivo de Arroz – é realizado em todo Japão, mas com o maior deles, feito na cidade de Osaka, este festival celebra o cultivo do arroz; são feitas cerimônias e orações para garantir uma boa colheita.

 13 – Festival das Lanternas de Nagasaki – é realizado em fevereiro por todo país, quando milhares de lanternas de papel que iluminam os céus; são festivais com muita comida e música.

 14 – Festival Lilac – é realizado em maio e celebra a chegada da Primavera; todos os adereços, das casas, carros alegóricos e pessoas, são flores ou têm motivos florais.

15 – Subida do Monte Fuji – a temporada da subida deste famoso monte, que é um dos símbolos nacionais do Japão, começa em julho; a cerimônia honra a Natureza e a espiritualidade associada à montanha.

 16 – Natal Japonês – mesmo não sendo cristãos, virou tradicional festa em família; também é comemorado no dia 25 de dezembro.

 17 – Shogatsu (Ano Novo) – celebrado, tal como o Ocidente, na virada de 31 de dezembro para 01 de janeiro; nesta época, os japoneses agradecem aos Kami o zelo pelas colheitas e para dar as boas-vindas aos espíritos dos ancestrais que protegem as famílias. Nesta importante comemoração cultural, talvez, a mais importante para os japoneses, há o costume de as famílias exibirem as kadomatsu (decorações de galhos de pinheiros e bambus colocados nos dois lados das entradas das casas) e as shime-kazari (decorações com cordões de palha), que são usadas para dar as boas-vindas aos deuses e aos espíritos. Neste período, é também costume dos japoneses mandarem os nengajo (cartões de ano novo). Outra tradição de ano novo japonês é ofertar dinheiro para as crianças, é o costume chamado Otoshidama.

 18 – Hatsumode – é a primeira visita do ano aos santuários e templos xintoístas e budistas, quando os japoneses oram para terem um bom ano.

 19 – Haru no Higan ou Dia do Equinócio de Primavera – é uma celebração de uma semana, iniciada no dia 21 de março; os japoneses visitam os túmulos dos antepassados e oram em sua memória.

 20 Aki no Higan ou Dia do Equinócio do Outono – festa idêntica acima, só que no Outono, celebrada no dia 21 de setembro.

 21 – Hanami ou Apreciação do Florescer das Cerejeiras – festa comemorada entre o final de março e o início de abril; a cerejeira é símbolo do país e seu florescer representa, para os japoneses, o próprio florescer do Japão. O costume é fazer piqueniques debaixo de cerejeiras.

Hanami – Japão | Kkday.com

 22 – Tango no Sekku ou Dia das Crianças – comemorado pelos japoneses no dia 05 de maio.

 23 – Tanabata – comemorada em 07 de julho, esta festa marca o início do verão japonês. A lenda fala do encontro romântico entre a “Estrela do Vaqueiro” e a “Estrela Princesa”, em algum lugar da Via Láctea. É a festa dos pares românticos.

 24 – Shichigosan – é o costume de, no dia 15 de novembro, os japoneses visitarem os santuários xintoístas com os meninos, que devem vestir o haori (espécie de casacos grandes) e a hakama (parecidos com saias divididas ao meio), de três e cinco anos, e meninas, que devem vestir os tradicionais quimonos, de três e sete anos, para rezar pela sua segurança e crescimento saudável.

 

Sítios consultados                                                                                                             

Bibliografia sugerida para consulta

  • CASCUDO, Luís da Câmara (1898-1986). Civilização e Cultura. São Paulo: Global Editora, 2004.
  • TURINO, Célio. Cultura a unir os povos – a Arte do Encontro. São Paulo: Instituto Olga Kos de Inclusão, 2018.

 

 

 

 

Carlos Fernando Galvão,
Geógrafo, Doutor em Ciências Sociais e Pós Doutor em Geografia Humana

Instagram: @cfgalvao54
profcfgalvao@gmail.com

 

 

 

 

 

Author

Carlos Fernando Gomes Galvão de Queirós é carioca, Bacharel e Licenciado em Geografia (UFF), Especialista em Gestão Escolar (UFJF), Mestre em Ciência da Informação (UFRJ/CNPq), Doutor em Ciências Sociais (UERJ) e Pós Doutor em Geografia Humana (UFF). Autor de mais de 160 artigos, entre textos científicos e jornalísticos, tendo escrito para periódicos como O Globo, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo e Le Monde Diplomatique Brasil, também foi colaborador do Portal Acadêmico da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) entre 2015 e 2018. Atualmente, escreve com alguma regularidade no Portal ArteCult. É autor, igualmente, de 14 livros.

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