Confira a entrevista com o premiado Wladimir Pinheiro, diretor musical de Vozes Negras

Entrevistamos o premiado diretor musical Wladimir Pinheiro!

Há carreiras que se constroem por acaso, e há aquelas que nascem de um encontro improvável entre talento e oportunidade. A trajetória de Wladimir Pinheiro pertence a essa segunda categoria, com um detalhe curioso: tudo começou com a matemática — ou melhor, com a falta de habilidade dela.

“Eu era péssimo em matemática aos 7 anos”, confessa Wladimir, aos risos, relembrando os tempos de aulas particulares. Foi justamente nessas tardes de reforço escolar que o destino traçou seu caminho. Enquanto esperava a mãe buscá-lo, o menino brincava no piano da professora. E foi ali, quase por acidente, que todos perceberam: ele estava tirando melodias de ouvido, sem nunca ter tido contato formal com o instrumento.

Aos 18 anos, Wladimir já era músico quando ingressou no curso Técnico em Arranjo e Orquestração da Escola de Música Villa-Lobos (@escolavillalobos). Foi lá que estudou com mestres como Alceu Bocchino, Ricardo Lobo e Denise Borborema, e viveu experiências que moldariam não apenas seu talento, mas sua visão sobre música e coletividade.

“A escola oferecia muitas coisas bacanas. Tinha um café no rooftop onde a gente se juntava com os professores”, relembra. “Eu escrevia um arranjo e dava para um professor que era o primeiro violoncelo da Sinfônica Brasileira. Ele tocava ali mesmo, e era incrível ter meu arranjo executado por profissionais desse nível.”

Foi no Villa-Lobos que Wladimir gravou seu primeiro CD profissional, após vencer o festival da escola, e realizou sua primeira viagem internacional, em um intercâmbio com músicos franceses. Mas, acima de tudo, foi lá que as portas da profissão se abriram definitivamente.

A vida de Wladimir tomou um rumo inesperado quando o diretor da Villa-Lobos o indicou para dar aulas de piano na casa de um amigo. Quando telefonou, descobriu que se tratava de Domingos de Oliveira (@domingosoliveiraoficial), o lendário diretor de teatro, cinema e TV.

“A gente se olhou e de cara ele falou: ‘Ah, você tem uma cara boa'”, diverte-se ao contar. Durante sete meses, seu trabalho consistia em ir à casa de Domingos duas vezes por semana, tocar piano enquanto ele cantava, receber um cheque e voltar para casa. Um emprego dos sonhos para qualquer jovem músico.

O que Wladimir não imaginava é que aquilo era apenas o começo. Ao fim desse período, Domingos o convidou para participar do espetáculo “Cabaré Filosófico”, que estrearia no Teatro Laura Alvim em 2002. “Todo músico que trabalha comigo vira ator”, avisou o diretor. E assim foi.

“O Domingos era tão incrível que não se limitava a ter um músico só como músico e o ator só como ator. Ele colocava o ator para tocar e cantar, e o músico para falar e dançar”, explica Wladimir, que até hoje considera aquela experiência transformadora.

Foi a partir dali que começou a ser visto como ator-cantor e a receber convites para teatro musical, incluindo “A Canção Brasileira”, com direção de Paulo Betti (@paulobetti).

 

Assista a entrevista na íntegra

 

A Arte de Ser Diretor Musical

Anos depois, Wladimir se consolidou como diretor musical, uma função que ele mesmo define como complexa e multifacetada. “É um cara que está sempre ao lado do diretor do espetáculo e transforma, em geral, o sonho do diretor, do ponto de vista musical, em realidade”, explica.

Mas não se trata apenas de executar ideias alheias.

“Eu tenho tido a sorte de trabalhar com diretores que ouvem muito a minha direção musical e minhas propostas. A gente consegue fazer com que a dramaturgia interfira na música e vice-versa. Quem ganha é o espetáculo, quem ganha é o público.”

Um dos trabalhos mais desafiadores da carreira de Wladimir é “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, com direção de Gustavo Gasparani (@gustavogasparani). O espetáculo, dividido em seis episódios que percorrem diferentes períodos da música brasileira, exigiu duas equipes de direção musical — Wladimir trabalhou nos episódios 1, 3 e 5, em parceria com Cláudia Eliseu.

“São períodos muito diversos da música brasileira, com repertórios muito diversos. A instrumentação muda de um programa para o outro, alguns músicos estão em um espetáculo e não estão no outro”, detalha.

O trabalho rendeu a Wladimir e Cláudia uma indicação ao Prêmio Shell 2023.

Sua parceria com Gustavo Gasparani vem de longa data. Wladimir atuou em espetáculos dirigidos por ele, como “Sambrá – Cem Anos do Samba” e “Zeca Pagodinho – Uma História de Amor ao Samba”. “A gente tem um humor parecido, a gente ri das mesmas coisas”, diz, revelando a química que torna a colaboração tão produtiva.

Em 2020, Wladimir conquistou seu primeiro Prêmio Shell de Melhor Direção Musical por “As Comadres”, musical estrelado por Laila Garin, Beth Lammas, Maria Ceiça e Tati Aleixo. O reconhecimento consolidou seu nome entre os grandes da área.

Agora, ele se prepara para um dos maiores desafios da carreira….já já todos saberão…..

Paralelamente aos grandes musicais, Wladimir desenvolve um projeto mais intimista e pessoal. Em abril deste ano, apresentou “Cadê Juízo”, tributo a Emílio Santiago, que deve retornar aos palcos no início de 2026. O show faz parte de uma trilogia idealizada em parceria com o produtor Marcelo Ávila, homenageando três grandes intérpretes negros da música brasileira — os outros dois nomes ainda são segredo.

Wladimir Pinheiro é um artista que encontrou na música não apenas uma profissão, mas um sentido. E que, do alto de sua trajetória brilhante — da matemática ruim aos prêmios Shell, de Domingos de Oliveira aos grandes palcos brasileiros — ainda se surpreende e se encanta com cada novo convite, cada nova parceria, cada nova nota que ecoa na sala escura do teatro.

É esse encantamento, afinal, que transforma sonhos de diretores em realidade nos palcos. E que faz da música de Wladimir Pinheiro não apenas arte, mas magia pura.

Wladimir Pinheiro segue em atividade nos palcos do Rio de Janeiro e São Paulo.

 

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Floriano Salvaterra

 

 

 

 

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Author

Floriano Salvaterra, engenheiro eletrônico pelo ITA, MBA em gestão de projetos pela FGV, mestrado em sistemas de gestão pela UFF, doutorando em engenharia biomédica pela UFRJ, PMP pelo Project Management Institute. É consultor, palestrante e professor de cursos de gerenciamento de projetos, de gestão empresarial, de business intelligence, business analytics nas instituições FGV e ESPM. Possui mais de 20 anos de experiência em gerenciamento de projetos e contratos nas indústrias Automobilística, de Defesa, de Óleo & Gás, além de projetos nas áreas esportiva e médica, dentre os quais destacaram-se: Projeto SIVAM, Plataformas P51, P56 e Replicantes da Petrobras e, ainda, a Petroquímica Braskem, Beach Soccer do Clube de Regatas do Flamengo e escritório de projetos do INCA. Contatos: floriano@engha.com.br

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