
Ruído, multidões e excesso de estímulos exigem atenção redobrada das famílias durante o período carnavalesco
O Carnaval pode ser um momento de alegria, mas para muitas crianças autistas a combinação de barulho intenso, aglomerações e estímulos visuais pode gerar sofrimento real. Pensando nisso, a fonoaudióloga e analista do comportamento Letícia Sena, doutoranda em Ciências pela Unifesp e fundadora do Instituto Índigo, lista orientações práticas para ajudar famílias a atravessarem esse período com mais segurança e respeito aos limites da criança, sem deixar de viver momentos em família e se divertir.
1. Avalie se o ambiente faz sentido para a criança
Nem todo evento é adequado. Blocos lotados, trios elétricos e festas com uma grande lotação de pessoas, costumam concentrar estímulos excessivos. “O primeiro passo é entender se aquele ambiente é compatível com o momento de desenvolvimento do seu filho! Quanto menor o repertório de comunicação dele, mais desafiadores ambientes com estímulos excessivos são, pois ele pode não conseguir expressar que está cansado, que não gostou ou que precisa de ajuda”. Inclusão também é saber quando não ir”, explica Letícia.
“Mas não ir em ambientes com estímulos excessivos no carnaval, não significa que não podem e não vão aproveitar esse momento em família”, afirma Letícia. “É uma boa pedida uma festa em família com menos estímulos, com fantasias, músicas preferidas em uma altura agradável e junto das pessoas que seu filho mais ama e confia”.
2. Prefira horários e locais mais tranquilos
Eventos diurnos, espaços abertos e horários alternativos costumam ser mais recomendados. Ambientes com possibilidade de saída rápida oferecem mais segurança caso a criança demonstre desconforto.
3. Use recursos de proteção sensorial
Abafadores de ruído, bonés (para enfrentar o sol quente), uma muda de roupas mais confortáveis para uma troca, se necessário e algum outro recurso que seu filho prefere e gosta de usar para sua regulação (geleca, massinha, spinner, etc), ajudam a reduzir o impacto dos estímulos sensoriais que podem ser desafiadores para seu filho. Segundo a especialista, “esses recursos não isolam a criança do mundo, eles tornam o mundo mais acessível”.
4. Planeje o dia e explique o que vai acontecer
Antecipar a rotina diminui a ansiedade. Mostrar fotos do lugar que vão, ou explicar as atividades que farão juntos usando pictogramas (podem encontrar pictogramas gratuitamente, digitando as palavras na lupa, no site do ARASAAC: https://arasaac.org/pictograms/search) ou podem usar histórias sociais com imagens (podem até mesmo ser montadas com IA) que explicam o passo a passo de como será o passeio. Dar previsibilidade ajuda a criança a se sentir mais segura diante do imprevisível e a se preparar com estratégias para lidar com algo que pode ser difícil para ela.
5. Observe, identifique e respeite os sinais de desconforto
Agitação, choro, tentativa de fuga ou silêncio excessivo, podem indicar sobrecarga e esgotamento. “Insistir na permanência no mesmo lugar ou na mesma atividade, pode transformar a experiência em algo traumático ou no mínimo, em algo extremamente desgastante”, alerta Letícia.
6. Garanta pausas planejadas
Combine previamente momentos de descanso em locais mais silenciosos. Para a criança, saber que pode pedir ajuda, suporte e inclusive, que pode pedir para sair a qualquer momento, reduz a tensão e dá à criança a sensação de segurança.
7. Considere alternativas ao Carnaval de rua
Para muitas famílias, a melhor opção é comemorar em casa ou em ambientes controlados. Fantasias, músicas em volume baixo e brincadeiras adaptadas também fazem parte da celebração. “Respeitar e incluir, não é excluir. É garantir que a vivência seja positiva dentro da realidade de cada criança”, finaliza a fonoaudióloga e analista do comportamento.
Sobre Letícia Sena
Letícia Sena é fonoaudióloga, graduada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), doutoranda em Ciências pela mesma instituição e fundadora do Instituto Índigo. É Analista do Comportamento Aplicada pelo Paradigma Centro de Estudos do Comportamento, Especialista em Terapia da Aceitação e do Compromisso e certificada em métodos de CAA e tratamento para transtornos de fala.
Possui ampla experiência clínica no atendimento a pessoas com Distúrbios do Desenvolvimento, como Transtorno do Espectro do Autismo, Síndromes Genéticas Raras, Deficiência Intelectual, Distúrbios de Linguagem Oral e Escrita, Transtornos de Fala, além de atuação direta no treinamento de equipes e de orientação parental em diversos estados do Brasil e internacionalmente.
Seu trabalho é pautado pela ciência, pela inclusão e pela defesa do direito à comunicação como base para autonomia e participação social.
REDES SOCIAIS
Instagram
https://www.instagram.com/fga_leticiasena/
LinkedIn
https://www.linkedin.com/in/leticia-da-silva-sena-0a774a10b/?originalSubdomain=br












