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AUTO DA COMPADECIDA
Seu Suassuna,
Me diga uma coisa: por que os meninos de Minas são uirapurus?
Fico aqui pensando…
Eu, Paty Lopes, diria que são andorinhas, dessas que fazem o verão acontecer quando voam juntas. Ou talvez bem-te-vis, atrevidos, espertos, daqueles que não pedem licença pra cantar.
Mas depois do que vi…
Acho que são mesmo uirapurus, porque canta demais!
Tive a honra de conhecer a tal do Grupo Maria Cutia de Teatro. Lá de Minas, uai, onde o pão de queijo é sagrado, o doce é memória e o café é quase religião.
Mas esses meninos…
Ah, esses meninos são mais que isso.
São bão demais, sô.
Faz tempo que não ouço aplausos daquele jeito. Daquele tipo que vem do fundo, que bate na mão e no peito. Igual quando assisti O Auto da Compadecida. E não podia ser diferente.
Teatro de excelência.
Do jeitinho deles. Com sotaque, com alma, com riso e com faca, porque também corta.
Ah, Ariano… se tu soubesses…
Tu não tinha ido embora tão cedo, não.
Ia ficar por aqui, proseando com cada um deles, dizendo que não trocava teu “oxe” por nada, mas que agora o “uai” também cabia no vocabulário.
Porque cabe.
E como cabe.
Teu legado, Ariano, não só ficou, ele germinou. Criou raiz funda nesse país que insiste em se dividir, mas que o teatro ainda consegue costurar.
E junto com esses mineiros, tem um alquimista.
Gabriel Villela.
Esse homem não dirige espetáculo.
Ele transfigura.
Tudo que toca vira ouro, cor, exagero, poesia viva. Figurinos que parecem ter saído da tua cabeça, fitas, tecidos, cores que gritam alegria. Um delírio bom.
O cenário?
Uma brincadeira inteligente, móvel, quase viva. Objetos que aparecem e desaparecem como mágica.
E o povo de lá…
Ah, o povo de lá começou na rua.
E isso não se perde.
Eles carregam a rua no corpo. E por isso o espetáculo funciona em qualquer lugar, dentro ou fora do teatro. Porque a arte deles não depende de parede.
Depende de alma.
E nisso, Ariano, eles são ricos.
Lembrei de uma frase tua:
“O que é muito difícil é você vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos…”
Pois bem.
Eles entenderam.
E encenaram isso com riso, música e inteligência.
Agora me escuta, que vou te contar de um por um, porque tu merece saber:
Jota Torres
Quando vira Emanuel… meu Deus. Tem uma serenidade que acalma e uma comicidade que desmonta. A gente ri e se emociona quase ao mesmo tempo. É de uma precisão absurda.
Mariana Arruda
Que Compadecida é aquela, Ariano? Mistura de fé com brilho, de doçura com força. Canta, encanta e domina o palco. É luz.
Marcelo Veronez
O Diabo e o Padre. E faz a gente rir do próprio inferno. Olhar, voz, presença… tudo afiado. Um absurdo de bom.
Polyana Horta
Essa menina… olha… não é elogio, é constatação: gigante. Domina o palco com uma força que não se explica. É talento bruto, lapidado e incendiário.
Thiago Queiroz
Leveza. Equilíbrio. Música, corpo, ritmo. Ele costura o espetáculo com uma delicadeza que sustenta tudo.
Hugo da Silva
Chicó vivo, pulsante, cheio de graça. E quando vira Severino… política com inteligência, humor com veneno. Daqueles que fazem pensar rindo.
Leonardo Rocha
João Grilo.
E aqui eu paro.
Porque não é fácil esquecer Matheus Nachtergaele.
Mas esse menino…
Embalou-me nos seus braços e me fez olhar só para ele.
E isso não é pouco. Isso é grandeza.
Ariano,
Saí de lá mais brasileira.
Mais atravessada por essa coisa que tu deixou pra gente: uma arte que não pede licença, que ri da desgraça, que denuncia dançando.
Obrigada.
Por tudo.
E obrigada ao SESC Copacabana por manter isso vivo.
Se tu tiver olhando daí de cima…
Pode ficar tranquilo.
Teu povo tá fazendo bonito.
Um cheiro, mestre.
Até breve.
SINOPSE
As aventuras de Chicó e João Grilo começam com o enterro e o testamento do cachorro do Padeiro e de sua Mulher, e acabam em uma epopéia milagrosa no sertão envolvendo o clero, o cangaço, Jesus, Maria e o Diabo.
FICHA TÉCNICA
- Texto: Ariano Suassuna
- Concepção e Direção Geral: Gabriel Villela
- Com: Grupo Maria Cutia de Teatro
- Elenco:
- Leonardo Rocha – João Grilo
- Hugo da Silva – Chicó e Severino do Aracaju
- Mariana Arruda – Mulher do Padeiro e Nossa Senhora Compadecida
- Dê Jota Torres – Palhaço, Padeiro e Manuel (Nosso Senhor Jesus Cristo)
- Thiago Queiroz – Sacristão
- Marcelo Veronez – Padre João e O Diabo
- Polyana Horta – Antônio Morais e O Bispo
- Direção Musical: Babaya, Fernando Muzzi e Hugo da Silva
- Preparação Vocal: Babaya
- Assistente de Direção: Lydia Del Picchia
- Cenário e Figurino: Gabriel Villela
- Assistente de Figurino: José Rosa
- Coordenação do Ateliê Gabriel Villela: José Rosa
- Pintura de Arte: Rai Bento
- Iluminação: Richard Zaira
- Desenho Sonoro e Operação de Som: Vinícius Alves
- Fotografia: Tati Motta
- Produção: Jorge Costa e Huemara Neves
- Produção Local: Ana Sol
- Coordenação de Comunicação: Rizoma Comunicação & Arte (Beatriz França)
- Redes Sociais e Tráfego: Rizoma Comunicação & Arte (Letícia Leiva)
- Design Gráfico: Cintia Marques
- Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
GRUPO MARIA CUTIA DE TEATRO
Companhia de teatro que nasceu em Belo Horizonte em 2006, e desde então apresenta seus espetáculos em praças, parques, ruas e palcos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo. Nos últimos anos, aventurou-se em produções criadas para palcos e também adaptou suas obras de rua para teatros fechados.
SERVIÇO
AUTO DA COMPADECIDA
- ONDE: Arena do Sesc Copacabana. Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, RJ Tel: (21) 3180-5226
- QUANDO: 5ª a sab às 20h, dom às 18h
- QUANTO: Ingressos R$ 10 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira) em www.ingresso.com ou na bilheteria de 3ª a 6ª das 9h às 20h; sab, dom e feriados das 14h às 20h
- DURAÇÃO: 80 min
- GÊNERO: Comédia musical
- CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 12 anos
- CAPACIDADE: 140 espectadores
- TEMPORADA: até 29 de março



Paty Lopes (@arteriaingressos). Foto: Divulgação.









