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Ação celebrou saberes ancestrais e colocou a infância marajoara no centro da experiência cultural
Antes de ocupar as ruas, o projeto desenvolveu, entre os dias 5 e 11 de janeiro, uma intensa programação formativa com vivências culturais, oficinas artísticas e ações de cidadania. Ao longo desse período, mais de 300 crianças e cerca de 200 famílias participaram das atividades, fortalecendo vínculos comunitários, identidades e o sentimento de pertencimento.
“Chegar ao 18º ano do Cordão do Galo com esse envolvimento mostra como a cultura é uma ferramenta real de transformação. Aqui, a infância é respeitada, ouvida e colocada no centro do processo”, destaca Júnior Soares, músico e cofundador do Arraial do Pavulagem.
A programação integrou oficinas de canto, dança, percussão, perna de pau, educação ambiental e design sustentável, além de rodas de conversa sobre cidadania infantil, empoderamento feminino e cuidado com o território. Também fizeram parte da agenda ações de economia solidária, como o Bazar do Galo, e debates públicos sobre a gestão de resíduos na cidade, em parceria com a Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis Concaves.
O cortejo teve início no Museu do Marajó e seguiu pelas ruas da cidade até a Praça da Matriz, onde as crianças do Cordão do Galo se apresentaram ao lado da Banda João Viana, formada por moradores de Cachoeira do Arari. A manhã de celebração foi encerrada com show do Arraial do Pavulagem e participações especiais, além da realização da Feira Criativa, reunindo artesanato e gastronomia marajoara.
O Cordão do Galo integra o projeto Arrastão do Pavulagem – Cultura da Amazônia na COP30 e além, realizado pelo Instituto Arraial do Pavulagem, com patrocínio máster da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e apoio de instituições locais e estaduais. A iniciativa reafirma a cultura como direito, educação e ferramenta de fortalecimento comunitário no Marajó.
Sobre o Arraial da Pavulagem
Criado em Belém, em 1987, o Arraial do Pavulagem é um dos projetos mais emblemáticos da música e da cultura popular amazônica. Fundado por Ronaldo Silva, Júnior Soares e Rui Baldez a partir de uma brincadeira de boi, o grupo se consolidou como banda, cortejo e movimento cultural, articulando música, artes visuais e participação comunitária. Seu trabalho mistura ritmos tradicionais do Pará, como toadas, carimbó e retumbão, a arranjos contemporâneos, criando uma linguagem autoral que conecta tradição e presente.
Mais do que um grupo musical, o Arraial construiu uma relação profunda com o território e com as comunidades de Belém. Essa atuação se materializa em grandes cortejos populares, como o Arrastão do Pavulagem, que reúne dezenas de milhares de pessoas no centro da cidade, e em ações formativas desenvolvidas pelo Instituto Arraial do Pavulagem, responsável por oficinas gratuitas e pela criação de projetos como o Arrastão do Círio, o Cordão do Peixe-Boi e o Cordão do Galo.
Reconhecido nacional e internacionalmente, o Arraial do Pavulagem projeta a cultura amazônica para além do Pará, mantendo como eixo central a participação coletiva, o pertencimento e a valorização dos saberes populares. Sua trajetória reafirma a cultura como prática viva, política de identidade e ferramenta de transformação social.
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