ALGAZARRA LUNAR
Desperto, de súbito, assustada.
Um feixe de sol descortina o dia, como se gritasse um “acorda” ecoante por todo o quarto.
Sinto gosto de guarda-chuva na boca, após uma noite em versos.
Os olhos semicerrados demoram a experimentar mais um novo amanhecer.
E, em pano de fundo da lua de ontem, as palavras.
Ah, sempre as palavras, que invadem
— mais que o dia — e reverberam sintaxes.
Elas vêm de dentro e digladiam, cada uma com sua singular força motriz; cada qual disputando o reinado, em uma próxima prosa ou poesia.
Elas, as palavras, se fazem presentes e ensurdecedoras, almejando imediata escalação e alguma forma de protagonismo.
Ao longo da noite, apresentaram-se discretas, sorrateiras, na tentativa de versos que fizessem algum sentido, logo que Morfeu me liberasse.
Em outras vezes, apenas invadiram o sono em sonho, sendo cuspidas e voltando a aguardar um esculpir. Sim, a arte também é braçal, também é carpintaria…
Assim, as horas mergulharam em ponteiros inquietos e constantes.
A alvorada mansamente se apresenta, recolhe imantadas estrelas, reveza o cenário, em nuvens suspensas.
Sob a fresta solar, recobro os sentidos, debaixo de um sol ardente, que insiste em me expulsar da cama e dar corda ao dia: acordar. Algazarra formada, hora de transpor ao papel a narrativa do assalto lunar.
E escovar os dentes.

Na CasAmarÉlinha, cinco anos se acendem e transcendem: espaço das artes bordado em encontros, tecendo versos em sorriso que alumia. Que venham mais cinco, passarelando em poesia!

Instagram: @rose_araujo_poeta
ROSE ARAUJO

Rose Araujo (@rose_araujo_poeta). Foto: Divulgação.

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Bravo!
Que lindo poema, Rose querida! Uma verdadeira algazarra lunar! Contagiante! Beijosssss.