Misturando Rock progressivo e MPB baiana, o álbum faz referência ao folclore nascido no recôncavo da Bahia.
Nesse domingo, 30/03, chegou a todas as plataformas digitais o novo trabalho dos músicos e produtores Nosllyah (@nosllyah.music) e Orí, (@djori__), intitulado Agouro. O projeto idealizado pelos astistas, e produzido com o apoio da lei de incentivo a cultura Paulo Gustavo, busca resgatar e homenagear a herança cultural do Recôncavo Baiano através de suas lendas, e da fusão de elementos de rock progressivo e da música eletrônica.
Agouro traz como referências as bandas britânicas King Crimson e Radiohead, os suecos do Boards of Canada e astistas do Sul da Bahia como Elomar Figueiredo e Xangai, além de lendas folclóricas regionais como a ‘Vovó do Mangue’ e o ‘Rasga mortalha’, os artistas constroem nas 8 faixas do álbum, uma ambientação mistica, que conta em seu subtexto uma história fictícia, também criada especialmente para este projeto. O álbum conta também com a participação da cantora baiana Mari Brandão (@marianabrandao.ofc), que empresta a sua voz ao primeiro single de lançamento, “Se”.
“A ideia do Agouro surgiu ainda em 2023, quando decidimos abordar principalmente as histórias presentes no imaginário popular do Recôncavo baiano. Após muita pesquisa, iniciamos o trabalho de desenvolvimento, composição, produção musical e todos os arranjos, tudo sendo gravado de maneira digital e utilizando técnicas de home estúdio.” explica Nosllyah, produtor e idealizador do projeto.
Veja a apresentação de Agouro, feita por Nosllyah:

Clique AQUI para ver a apresentação de Agouro
O álbum estará disponível nas principais plataformas digitais a partir do dia 30 de março.
ENTREVISTA COM OS PRODUTORES

Tivemos a oportunidade de conversar com Nosllyah e Orí sobre esse lançamento. Veja abaixo essa entrevista exclusiva :
1) O conceito de Agouro é fortemente inspirado nas lendas e no imaginário do Recôncavo Baiano. Como foi o processo de pesquisa e escolha das histórias que deram vida ao álbum?
Nosllyah: Muito massa poder falar sobre isso! Algumas dessas lendas já fazem parte do imaginário folclórico e cultural do recôncavo da Bahia, nós basicamente criamos uma história autoral ambientada no recôncavo e usamos algumas dessas lendas na composição dessas histórias. Existe um livreto chamado “As Lendas Na Educação – Estórias do baixo sul e do recôncavo baiano” que foi de grande ajuda nas nossas pesquisas. Algumas dessas lendas tem também ligação com a própria cultura e o sincretismo religioso formado por aqui, como por exemplo, a lenda da “Vovó do Mangue”, que tem uma ligação com Maragogipe, minha cidade natal. Tudo isso foi incorporado em nossa história, e serviu de conceito base para as músicas.
2) O álbum mistura rock progressivo, MPB e música eletrônica. Como vocês encontraram o equilíbrio entre esses estilos para criar a atmosfera mística de Agouro?
Nosllyah: Nós tivemos um ano inteiro de pesquisa para justamente caminharmos em direção ao equilíbrio que desejávamos entre esses diferentes universos. Então tivemos tempo de ouvir muita coisa e experimentar ritmos e texturas sonoras até encontrarmos aquilo que imaginávamos para o projeto. Esse tempo foi fundamental para chegarmos ao som que queríamos expor no álbum.
3) Bandas como King Crimson, Radiohead e Boards of Canada influenciaram o projeto, assim como artistas regionais como Elomar e Xangai. De que forma essas referências dialogam com as lendas e a cultura do Recôncavo?
Nosllyah: King Crimson é uma referência que vem da minha adolescência, toda essa ideia de trabalhar com ritmos menos convencionais e com certas texturas sonoras, surgem justamente desse elemento. Radiohead entra pra trazer esse flerte com o Rock Alternativo que em alguns momentos se funde ao eletrônico. Boards of Canada nos deu todo o conceito que utilizamos nos instrumentos de teclas (teclados, sintetizadores e etc).
Orí: Eu diria que o diálogo com o recôncavo se dá mais na ideia de absorver essas diversidades e devolver algo novo, um processo em que tentamos a partir dessas inspirações que já nos acompanhavam, criar algo que ainda assim fosse nosso. Elomar e Xangai, por exemplo, são artistas do Sul da Bahia que trouxeram muitas inspirações para o que gostaríamos de ouvir nos violões do Agouro.
4) A faixa “Se”, interpretada por Mari Brandão, é o primeiro single do álbum. Como surgiu essa colaboração e o que essa música representa dentro da narrativa do projeto?
Nosllyah: “Se” foi, se não me engano, a primeira música que fizemos para esse trabalho. Mostrei para Orí a ideia rítmica e harmônica no violão, que constrói um caminho quase cíclico na música, a letra surgiu justamente da interpretação do Orí sobre o conceito que desenvolvemos. Mari foi uma sugestão de Orí, ela era alguém com quem eu já queria trabalhar muito antes desse projeto surgir, por ser uma parceira de longa data do Orí e eu ter visto alguns trabalhos dela com uma banda chamada Esquizo’frenética. A voz dela já era algo que iria surgir em algum momento no disco, para mim era natural essa aproximação dela com o que a gente estava produzindo para o Agouro.
5) O álbum foi inteiramente produzido em home studio. Quais foram os principais desafios e vantagens dessa abordagem na produção de Agouro?
Nosllyah: Eu acho que sempre o principal desafio de se produzir em home studio é lidar com os vazamentos de som que acabam surgindo (risos), sempre tem algo que pode atrapalhar a captação de uma voz ou instrumento como alguém falando em outro cômodo, um veículo passando na rua, uma motosserra…
Orí: Tudo pode acontecer quando a gente aperta o “rec”, e com isso a gente precisa desenvolver um certo jogo de cintura para lidar com esses imprevistos esperados, algo que só vem com alguma experiência.
6) Além da sonoridade, Agouro também conta uma história fictícia em seu subtexto. Vocês podem contar um pouco sobre essa narrativa e como ela se conecta com as músicas?
Nosllyah: Criamos uma história que ocorre em uma local fictício, mas que faz parte do Recôncavo da Bahia. É um pequeno conto de tragédias cotidianas que podem ser encaradas de diversas formas pelos leitores. Eu gosto de brincar com essa ambiguidade nos meus textos, e com essa história não foi diferente, ela tem muitas interpretações que podem ir desde algo completamente místico, até simplesmente os homens lidando com suas fraquezas e produzindo problemas a partir disso.
7) Para quem vai ouvir Agouro pela primeira vez, o que vocês esperam que o público sinta ou leve dessa experiência?
Nosllyah: A gente espera que o Agouro seja abraçado e visto como uma experiência reflexiva, tanto no seu texto quanto na sua sonoridade. Tudo ali foi feito para ser experimental e te tirar um pouco da zona de conforto, até a gente que se envolveu no processo de produção passou um pouco por esse “sair da caixinha” durante todo o tempo.
Orí: Sempre gostei da ideia de trazer paisagens sonoras pras minhas composições e isso no Agouro fluiu muito bem. É uma história densa, com começo, meio e fim (ou talvez recomeço!) … Acho que se a imersão nesse cenário funcionar, teremos alcançado nosso maior objetivo.
CANTINHO DO JEFF
“Agouro” é um álbum que mistura rock progressivo, MPB e música eletrônica para criar uma atmosfera densa e envolvente, inspirada nas lendas e no misticismo do Recôncavo Baiano. A obra não se restringe ao folclore religioso, permitindo múltiplas interpretações, desde uma celebração das tradições culturais até uma reflexão sobre temas universais, como perda, transformação e busca por identidade.
Conceito e Temática
A proposta do álbum se baseia em pesquisas sobre as lendas locais, incorporando figuras míticas (como a “Vovó do Mangue”) e utilizando elementos naturais (chuva, fogo, vento) para simbolizar estados emocionais e processos de mudança interna. Mesmo com forte inspiração no imaginário baiano, a narrativa ultrapassa o contexto religioso, abordando questões existenciais e humanas de forma ambígua e poética.
Sonoridade e Produção
A fusão de ritmos e influências – com referências a bandas como King Crimson e Radiohead – resulta em uma linguagem sonora experimental e reflexiva. A produção em home studio permitiu uma abordagem criativa, apesar dos desafios técnicos, contribuindo para a construção de um universo musical imersivo.
Análise das Letras
Cada faixa traz sua própria narrativa:
Primeiro Dia: Representa renovação e o recomeço, utilizando a chuva como símbolo de limpeza e transformação.
Para Ela: Aborda a efemeridade da vida e a inevitabilidade do tempo, refletindo sobre perdas e a responsabilidade pessoal.
Sem Luz: Com um instrumental que enfatiza a ausência e o silêncio, propicia uma profunda introspecção.
Se: Explora a luta interna e a busca por libertação, com metáforas que sugerem renascimento.
Alucinação: Transmite um sentimento de descontrole e incerteza, com imagens de algo que escapa das mãos.
Todo Tempo: Expressa saudade e o desejo de conexão, destacando a urgência de não desperdiçar o tempo.
Travessia: Simboliza o fim de um ciclo e o início de uma nova etapa, com a chuva e a figura acolhedora de uma guia.
Devir: Uma faixa instrumental que reforça a ideia de constante transformação.
Conclusão
“Agouro” convida o ouvinte a uma jornada sensorial e cultural, mesclando tradição e modernidade para explorar a complexidade das emoções humanas. A obra se destaca não só pela inovação musical, mas também pela profundidade de sua narrativa, que estimula diversas leituras e reflexões sobre a vida e a identidade.
SERVIÇO
Lançamento: 30 de março de 2025.
Plataformas: Amazon Music, Deezer, Spotify, Apple Music.
JEFF FERREIRA











