AC Entrevista: As bandas que fortaleceram a cena independente no Circuito Underground em Campinas

Foto: Divulgação

Em mais uma edição especial do AC Entrevistas, conversamos com nomes que vêm movimentando o circuito independente: a Aurora Rules, o coletivo Circuito Underground, as As Verdades de Anabela e a Voiced. Entre relatos sobre construção de público no interior paulista, expansão para além do eixo Rio–São Paulo e preparação para novos lançamentos, as bandas mostram que o crescimento acontece passo a passo e muitas vezes longe dos holofotes.

Campinas surge como ponto estratégico nesse movimento: cidade próxima da capital, mas com identidade própria e público fiel. É ali que o underground ganha fôlego, testa estruturas, consolida parcerias e prepara voos maiores.

Ao longo da conversa, os artistas falam sobre processos criativos, referências que moldaram suas trajetórias e o desafio de transformar persistência em palco.

Confira abaixo: 

Matt (Aurora Rules / Circuito Underground)


Cara, qual foi o gatilho pra você vir fazer evento aqui em Campinas ?

Matt:
A primeira vez que eu toquei aqui em Campinas foi em 2018, com o Aurora Rules. De lá pra cá já são oito anos frequentando a cidade. Nesse tempo a gente fez shows no Bar do Zé, no Woodstock e em outras casas. Campinas sempre foi uma cidade que a gente encaixava quando vinha fazer algo maior em São Paulo ou no Rio. Era uma forma de atender a galera do interior que nem sempre consegue ir até a capital.

Ao longo dos anos criamos uma estrutura e conexões aqui. O Cardiac, por exemplo, já recebeu a gente na casa dele em 2018. Foi uma construção. Hoje a gente já realiza o evento há algum tempo e sentiu que era o momento de trazer oficialmente pra cá.

A tendência é usar os shows em Campinas como preparação para o lançamento do CD?

Matt:
Sim. A gente já começou ensaios mais técnicos pensando no show de lançamento. Fizemos um show no interior trazendo nossa equipe pra testar estrutura.

Às vezes um show menor ajuda muito a estruturar a banda pra chegar mais confiante num palco maior. Campinas agrega muito nesse processo, principalmente por estar perto de São Paulo.

Como bandas novas entram no Circuito Underground?

Matt:
O Circuito Underground começou em 2013, justamente da necessidade de banda que buscava espaço pra tocar. Hoje a gente tenta criar pontes. A ideia é fazer pequenos eventos em pubs e casas menores pra servir de escada até palcos maiores. Casas como a Jai Club foram importantes pra gente crescer até chegar em lugares maiores como Carioca Club e Hangar110. Nosso objetivo é cavar oportunidades e levar outras bandas junto. Hoje já estamos fazendo isso com as Verdades de Anabela.

Aurora Rules (Yuri / Potim)

Como funciona o processo de composição?

Aurora Rules:
Geralmente começa com um rascunho de guitarra. Às vezes resolve ali mesmo, às vezes a gente se reúne pra desenvolver melhor. Normalmente a guitarra vem primeiro, depois bateria e por último o vocal. Mas não é regra. Às vezes começa por um refrão que já está na cabeça. As letras meio que acontecem. Parece psicografia. Quando eu tento forçar, não gosto. Tem que vir de dentro.

Como foi trazer o Vini, que vem de um âmbito mais melódico como o Gloria?

Aurora Rules:
Agregou demais. A gente conversa na mesma língua, tanto musicalmente quanto como pessoas. Antes de entrar oficialmente ele já ajudava na produção. Além do Gloria, ele também tem o projeto Von sexto, que é pesado. Ele soma tanto nas partes melódicas quanto no peso. Foi muito natural.

As Verdades de Anabela (Well Novaes / Zeck Carvalho)


Como é o desafio de fazer som fora do eixo Rio/São Paulo?

Well Novaes: 

A gente sente que está furando uma bolha. Muita gente já conhecia o som, mas não tinha ido ao show. Já tocamos muito em Brasília, mas queremos rodar o Brasil. Dividir palco com bandas como Black Days, John Wayne e o Aurora Rules é a sensação de que o trabalho está dando resultado.

Quais são as referências de vocês?

Zeck Carvalho:

É bem diversificado. Cada integrante tem uma bagagem. Eu cresci ouvindo Rodox e Gloria. Depois vieram bandas como Project46 e John Wayne. Uns puxam mais pro melódico, outros pro peso. No fim, é uma mistura.

Voiced (Chuva)

Como funciona o processo de composição das letras da banda com um timasso desse?

Chuva TV:
A gente faz primeiro a música. Alguém traz uma ideia e a gente desenvolve junto. Depois que o som está pronto, o Kae escreve a letra sozinho. Ele divide o que ele canta e o que o Tyello vai fazer de berro.


Tem som novo vindo?

Chuva TV:
Sim. Temos duas músicas prontas e queremos gravar um EP com quatro faixas pra lançar o mais rápido possível. A banda ficou parada por muito tempo e agora a gente quer soltar coisa nova logo.

JEFF FERREIRA 

 

Author

Sou Jeff Ferreira, apaixonado por música desde sempre. Há 8 anos, transformo minha paixão em matérias, entrevistas e análises que aproximam artistas e fãs. Nerd por natureza, adoro explorar histórias, descobrir novas sonoridades e compartilhar tudo isso em textos que vão além das palavras — porque, para mim, música é emoção, é vida, é conexão.

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