AnimexGeek 2026: quando gerações diferentes se encontram no mesmo universo geek

Quem acompanha a cultura geek há algum tempo sabe que ela mudou e muito.

Houve uma época em que gostar de videogame, anime, RPG, quadrinhos ou passar horas discutindo personagens e universos fantásticos era coisa de um grupo relativamente restrito. Hoje, basta caminhar pelos corredores de um evento como o AnimexGeek 2026 para perceber o tamanho dessa transformação.

E talvez tenha sido justamente essa uma das coisas que mais me chamou a atenção durante minha passagem pelo evento: encontrar diferentes gerações dividindo o mesmo espaço e, principalmente, falando a mesma língua.

Realizado nos dias 26 e 27 de setembro, no Espaço Inter, em Guarulhos, o AnimexGeek 2026 chegou à sua terceira edição reunindo anime, games, cosplay, K-Pop, RPG, card games, quadrinhos, dublagem, artistas independentes e diversas experiências interativas.

Nesta edição especial, o evento contou ainda com a parceria da Fancon, ampliando a proposta de reunir fãs, artistas, criadores e diferentes comunidades da cultura pop em um mesmo lugar.

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Legenda sugerida: AnimexGeek 2026 reuniu diferentes gerações de fãs da cultura geek durante dois dias em Guarulhos.

Quando as vozes também fazem parte das nossas memórias

Quem me acompanha sabe que existe uma área da cultura pop pela qual tenho um carinho enorme: a dublagem brasileira.

E o AnimexGeek 2026 trouxe dois nomes que dispensam grandes apresentações.

Wendel Bezerra esteve entre os grandes convidados da edição. Para muita gente, basta ouvir alguns segundos de sua voz para imediatamente surgir uma lembrança. Goku, Bob Esponja e Sanji são alguns dos personagens que fazem parte de sua extensa trajetória.

Isso diz muito sobre a importância da dublagem para a cultura geek brasileira. Não estamos falando simplesmente de reconhecer uma voz. Estamos falando de personagens que acompanharam diferentes fases de nossas vidas e que, no Brasil, ganharam parte de sua identidade graças ao trabalho desses profissionais.

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Outro grande nome presente foi Felipe Grinnan.

E aqui meu lado gamer fala ainda mais alto.

Grinnan é a voz brasileira de Leon S. Kennedy, personagem de uma das franquias mais importantes da história dos videogames, Resident Evil. Seu currículo passa ainda por personagens como Whis, de Dragon Ball Super, além de trabalhos relacionados a personagens como Homem-Aranha e Soldier Boy.

Para quem cresceu jogando e acompanhou a evolução dos videogames até vê-los ocupar o gigantesco espaço cultural que possuem hoje, encontrar os profissionais que ajudaram a dar personalidade aos nossos personagens favoritos tem sempre um significado especial.

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Gabriel Fanart e o humor que conhece o público geek

A programação também recebeu Gabriel Fanart, humorista e imitador que ganhou espaço nas redes sociais justamente explorando referências e personagens que o público geek conhece muito bem.

É um tipo de humor que funciona porque existe identificação.

A piada não está apenas na imitação: está naquele segundo em que o fã reconhece a referência e pensa: “Eu sei exatamente de onde veio isso”.

E como todo bom evento também reserva suas surpresas, a apresentação de Gabriel Fanart ganhou um ingrediente especial com a presença de Isabele Machado, que também se destaca pelo ,talento com imitações,32578+ entre elas, uma de suas mais conhecidas, a do Pica-Pau.

O encontro dos dois no palco rendeu um dueto incrível, unindo vozes, personagens e muito bom humor. A sintonia entre Gabriel e Isabele transformou a participação em um daqueles momentos espontâneos que conquistam o público e acabam ficando entre as boas lembranças do evento.

Mais do que duas performances individuais, foi justamente a interação entre os dois que tornou aquele momento especial, mostrando como a cultura geek também encontra no humor, na imitação e na memória afetiva dos personagens uma maneira de conectar diferentes gerações.

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Cosplay: quando o fã deixa de assistir e passa a fazer parte do universo

É praticamente impossível imaginar um grande encontro geek sem eles.

Os cosplayers são hoje parte fundamental da identidade desses eventos.

Durante o AnimexGeek, personagens que normalmente encontramos apenas nos games, animes, filmes e quadrinhos estavam caminhando pelos corredores, conversando com o público e, obviamente, sendo disputados para fotos.

O evento contou também com competições dedicadas ao cosplay, dando espaço não apenas aos personagens, mas ao trabalho envolvido na construção de figurinos, acessórios, maquiagem e interpretação.

E essa talvez seja uma das expressões mais interessantes da cultura geek: o fã não quer necessariamente apenas consumir aquele universo. Algumas vezes ele quer, durante algumas horas, fazer parte dele.

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K-Pop definitivamente encontrou seu espaço dentro da cultura geek

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a força do K-Pop dentro dos eventos de cultura pop, bastava acompanhar a movimentação do público.

O AnimexGeek reservou espaço para apresentações, performances e competições relacionadas à cultura pop sul-coreana, reunindo fãs e grupos que acompanham o gênero.

É interessante observar essa transformação.

Anime, mangá, videogame, cosplay e K-Pop possuem origens e trajetórias diferentes, mas seus públicos passaram a se encontrar cada vez mais. Hoje, um evento geek que pretende conversar com uma nova geração dificilmente consegue ignorar esse movimento.

E no AnimexGeek essa comunidade também teve seu palco.

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Games: porque, obviamente, o Veinho precisava jogar

Agora chegamos ao meu território.

Não poderia existir AnimexGeek sem videogame.

O evento contou com espaços dedicados aos games, além de experiências com realidade virtual e outras atividades interativas.

Para mim, existe algo especialmente interessante em observar uma área de games nesses eventos.

De um lado você encontra quem começou a jogar recentemente. Do outro, encontra aquela turma que passou por Atari, Master System, Mega Drive, Super Nintendo, PlayStation, Xbox e tantas outras gerações e continua segurando um controle até hoje.

Eu costumo dizer que videogame não tem idade.

Eventos como esse são uma bela prova disso.

O equipamento muda.
Os gráficos mudam.
As gerações de consoles passam.

A vontade de jogar continua exatamente a mesma.

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RPG, card games e jogos de tabuleiro: nem toda aventura precisa de uma tela

Mas nem só de videogames vive um gamer.

O AnimexGeek também abriu espaço para RPG, card games e jogos de tabuleiro, atividades que carregam uma característica que considero particularmente importante: colocar pessoas ao redor de uma mesa.

Em tempos em que praticamente tudo acontece através de uma tela, existe algo muito legal em ver grupos reunidos para jogar, aprender regras, montar estratégias e simplesmente conversar.

É justamente nesses espaços que muitas amizades começam.

E talvez essa seja uma palavra que apareça várias vezes quando pensamos em eventos geek: comunidade.

Uma viagem para outro tempo: a Área Medieval

Entre as novidades da edição de 2026 estava a Área Medieval.

Inspirado em universos de fantasia, literatura medieval, RPG e grandes aventuras épicas, o espaço contou com ambientação temática e personagens caracterizados, criando uma experiência diferente dentro do próprio evento.

É uma combinação que faz todo sentido.

Boa parte da cultura geek que conhecemos bebe diretamente dessa fonte. Guerreiros, magos, criaturas fantásticas, batalhas, reinos e grandes jornadas atravessaram livros, RPGs, videogames, filmes e séries.

Por alguns momentos, bastava mudar de área dentro do AnimexGeek para também mudar de época.

Artist Alley: onde grandes universos começam em uma pequena mesa

Existe uma área que considero indispensável em eventos desse tipo: o Artist Alley.

O espaço do AnimexGeek reuniu ilustradores, quadrinistas, artesãos, designers e outros artistas independentes apresentando seus trabalhos diretamente ao público.

E vale caminhar por esses corredores com calma.

Ali encontramos ilustrações, quadrinhos, acessórios, colecionáveis, artesanato e uma quantidade enorme de trabalhos autorais.

Mais do que uma área de compras, o Artist Alley representa uma oportunidade para conversar diretamente com quem cria.

Antes de existir uma grande franquia, existe uma ideia.

Antes de existir um personagem conhecido por milhões de pessoas, alguém precisou desenhá-lo pela primeira vez.

Valorizar artistas independentes significa também ajudar a manter essa engrenagem criativa funcionando.

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O verdadeiro espetáculo estava também pelos corredores

Mas existe uma parte de todo evento geek que nenhuma programação consegue colocar no cronograma.

São os encontros.

Amigos que se reencontram. Pessoas que se conheciam apenas pelas redes sociais e finalmente ficam frente a frente. Criadores de conteúdo encontrando seguidores. Crianças conhecendo personagens que adoram. Pais apresentando aos filhos aquilo de que gostavam quando eram mais jovens.

Foi andando pelo AnimexGeek que encontrei muitos desses momentos.

E é aí que percebo uma das maiores mudanças desde que comecei a acompanhar esse universo.

Nós, veteranos, não fomos expulsos pela nova geração.

Muito pelo contrário.

Hoje podemos dividir esse espaço com ela.

O garoto que acompanha o anime lançado ontem pode estar ao lado daquele fã que assistia Dragon Ball quando ainda precisava esperar o próximo episódio passar na televisão.

Quem começou no videogame com gráficos praticamente fotorealistas pode disputar uma partida com alguém que achava absolutamente revolucionário controlar alguns pixels em uma televisão de tubo.

E está tudo certo.

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Cultura geek também é encontro

Depois de circular pelo AnimexGeek 2026, fica difícil resumir a experiência apenas enumerando atrações.

Dubladores, K-Pop, cosplay, games, realidade virtual, RPG, card games, jogos de tabuleiro, Área Medieval e Artist Alley fizeram parte da programação.

Mas existe algo maior conectando tudo isso.

Pessoas.

Talvez seja justamente esse o segredo dos eventos que conseguem criar identidade.

Você pode chegar por causa de um dublador.

Pode entrar querendo disputar um game.

Pode estar atrás daquele item para sua coleção.

Pode querer encontrar seu cosplayer favorito.

Pode querer dançar K-Pop.

Ou simplesmente passear com a família.

No final, todo mundo acaba compartilhando o mesmo espaço.

E ver um evento desse porte acontecendo em Guarulhos também é importante para a descentralização da cultura geek. Grandes experiências não precisam ficar restritas aos tradicionais centros de eventos da capital. Quando iniciativas locais crescem, artistas, comerciantes, criadores e principalmente o público ganham novas oportunidades de encontro.

A terceira edição mostrou um AnimexGeek disposto a ocupar esse espaço.

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E o Veinho?

Bom…

Depois de tantos anos jogando videogame, acompanhando filmes, séries, animações, colecionando personagens e conhecendo algumas das vozes que fizeram parte da minha vida, eu poderia simplesmente dizer que já vi muita coisa nesse universo.

E vi mesmo.

Mas talvez justamente por isso continue gostando tanto desses eventos.

Porque sempre aparece um jogo que eu ainda não joguei.

Um artista que eu ainda não conhecia.

Um cosplay que me surpreende.

Uma voz que desperta uma memória.

Ou simplesmente alguém chegando para conversar sobre aquela paixão que temos em comum.

No final das contas, ser geek nunca foi apenas sobre aquilo que colecionamos, assistimos ou jogamos.

É sobre as histórias que carregamos — e as pessoas que encontramos por causa delas.

E enquanto houver histórias novas para viver, este Veinho continuará circulando por esses corredores.

Eu sou o Veinho dos Games e nos vemos no próximo checkpoint!

Author

Games, Colecionáveis e muita Nostalgia. Provando que Gamer não tem idade. Do Odyssey ao PS5. Eventos e Coberturas. Vem fazer parte desta resenha!

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