
UM PRESENTE
Aquela noite não incitava grandes expectativas, a imaginação dormia ao lado da segurança e as horas cochilavam tranquilas: noite boa para acontecer alguma coisa que acordasse a vida de sua preguiça noturna.
Sim, a noite transcorria bem demais e tamanha calmaria arrepiava a mais aguda intuição.
A calma tem isso de estranho, algo sempre pode subverter as horas e mergulhar em vertigens.
As árvores e as poucas estrelas daquele fim de madrugada pareciam querer testemunhar o inusitado. A pracinha, ali na esquina, estava exausta de tantas noites iguais. Aqueles bancos envelhecidos, os balanços sem cor, a mesma algazarra na chegada das crianças, as mesmas bolas e mochilas e os uniformes de plantão compunham o cenário daquele recanto de encantos em Itaipu.
Aurora por vir, Bem-te-vis e Joões-de-Barro ensaiavam coro, em novo dia a chegar.
Aos latidos insistentes do nosso cão labrador, percebemos um movimento estranho em nossa casinha de correios, no alto do portão, insistindo em apontar para tal direção.
À distância não tinha-se exatamente a noção do que era, mas parecia vivo, em movimento e em som quase inaudível.
E Marley lá, latia que latia, alertando-nos sobre o brinde-surpresa daquela manhã.
Nosso portão não era tão alto assim e a casinha de correio era literalmente uma casinha, em telhado terracota e tinta por se retocar. A casinha de correio parecia aguardar boas novas e ímpetos de vida. Ela carregava em si um quê de acolhimento: verdadeira mansão aos ninhos de passarinhos e dessa vez – quem diria! – um gatinho filhote, em miados e suspiros e um punhado de ração.
Alguém, durante a noite, decidiu seu destino, com a possibilidade de um novo lar, um novo tempo a chegar. Em miadinhos tímidos, Nina chega para ficar, desvelando horizontes e tecendo novos trilhares, em ItaiPAZ.
Abaixo um poemeto, ao nosso presente:
NINA
Ela nos chega pelos ares
entre o branco e o preto
entre todos os gestos
meio girafa meio morcego
meio menina
pernalta bailarina
e brinca que brinca
desengonçada
e gira que gira
em unhas afiadas
corre tomba come bebe
dorme sonha salta leve
e no espaço do enquanto
celebramos a vida

Na CasAmarÉlinha, cinco anos se acendem e transcendem: espaço das artes bordado em encontros, tecendo versos em sorriso que alumia. Que venham mais cinco, passarelando em poesia!
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ROSE ARAUJO

Rose Araujo (@rose_araujo_poeta). Foto: Divulgação.
Conheça a coluna de Rose Araujo


com Chris Herrmann
com Márcio Calixto
com César Manzolillo
com Rose Araújo
















Não há presente melhor que esse, o amor deles é lindo. Que homenagem maravilhosa. Querida Rose, gosto muito muito de você.
Que linda e inesperada surpresa! Agora com muito amor e acolhimento, Nina devolverá a todos, alegria e carinho em forma de gratidão. Beijos, querida Rose! Saudades.
Belo, simples e cativante.
Tudo em você é poesia, amiga Rose poeta!
Um grande abraço.
Danilo Sampaio – Príncipe dos Poetas Sergipanos
Escritora Rose,
a facilidade que você tem em abordar pequenos temas cotidianos, me comove. Não são polêmicos, mas demasiadamente sensíveis, humanos.
Parabéns. Obrigada pela sua sensibilidade.
Flávia Negrão.
Rose, amiga,
belo texto: nós “gateiros” agradecemos.
Um viva à sua Nina!
Adriana Lós
Amiga Rose Araujo,
acabo de ser tocado pelo seu texto e poesia, também recebi um dos meus gatinhos de forma parecida. Um presente.
Obrigado pelo texto e vida longa aos seus.
Washington Cardoso
A Poesia flui, flutua, enleva e eleva em Rose Araújo !!! Parabéns e Gratidão !!!
Amiga poetisa Rose Araujo.
toda obra de arte vai além da.imaginação do artista, realmente abre caminhos para novos horizontes
Parabéns pela sua poesia, vida longa à sua gatinha.
Carminha Simões – Manaus
Bela capacidade de casar delicadeza com intensidade. Um sussurro de descanso na noite merecida.
Lindo Rose! Um encanto sua Nina, que com sua delicadeza, te inspira a nos revelar tanto amor e carinho pelos peludinhos. Parabéns, você é muito talentosa no que se propõe. ❤️