
Julia Bernat: Atriz e dramaturga premiada estreia monólogo no CCBB Rio
A premiada atriz e dramaturga Julia Bernat estreia, nesta quinta-feira, 8 de janeiro, seu primeiro monólogo “Minha Vó Ri”, no CCBB Rio, sob a direção de Débora Lamm. Julia dividiu o palco recentemente, também no CCBB Rio, com Wagner Moura no sucesso “O Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, dirigido por Christiane Jatahy.
O novo espetáculo utiliza a autoficção e o formato de palestra-performance para costurar memórias pessoais da artista – que celebra 18 anos de carreira – com um aprofundamento histórico sobre o ativismo lésbico no Brasil e no mundo. Resultado de três anos de pesquisa, o solo aborda a busca por aceitação e pertencimento da comunidade LGBTQIAPN+, resgatando figuras como a ativista Rosely Roth e a cineasta Chantal Akerman, além de incluir participações em vídeo das celebradas cantoras Soraya Ravenle e Ithamara Koorax – mãe e tia da atriz, respectivamente.
Com indicações ao Prêmio Shell e atuação em festivais internacionais como os de Avignon e Edimburgo, Julia Bernat é considerada a atriz que mais representa a linguagem da consagrada diretora Christiane Jatahy. Nesta breve entrevista, ela compartilha um pouco sobre a sua visão do teatro, falando sobre técnica, vulnerabilidade e as escolhas que moldaram sua trajetória.
Confira a entrevista com Julia Bernat

1) Como o tempo e a maturidade mudaram a forma como você faz as suas escolhas artísticas?
Acho que quando a gente é mais jovem, a gente quer fazer tudo o tempo todo ao mesmo tempo. Entramos de cabeça em mil processos diferentes, queremos aproveitar todas as oportunidades. Com o tempo, parece que nossas escolhas ficam mais conscientes, já tem uma trajetória sedimentada, um caminho apontado e, por mais que ainda possam ter mudanças bruscas, elas virão a partir de toda essa experiência que foi construída.
2) Atuar exige mais técnica ou mais vulnerabilidade?
Os dois. Não gosto de quem acha que atuar é incorporar algo, sair de si. Estar o tempo todo presente, em estado de jogo, exige tanto técnica quanto vulnerabilidade. Acredito que ambas são essenciais pois só podemos trocar com o público se houver vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, a repetição exige técnica.
3) Houve alguma escolha profissional que tenha sido difícil, mas decisiva para quem você é hoje como atriz?
Teve um momento que eu fiz alguns trabalhos no audiovisual e comecei a receber muitos convites, mas não podia aceitar pois estava em turnê internacional com as peças da Christiane Jatahy e Cia. Vértice. Mas hoje não tenho problemas com essa escolha, pois a atriz que sou hoje só existe por causa desses anos de experiência no palco, sendo dirigida pela Jatahy.
4) Existe algum personagem que tenha deixado marcas em você depois que o trabalho terminou?
Acho que todas. Rsrs. Mas a Julia, da adaptação que fizemos de “Senhorita Julia”, que é meu primeiro trabalho com a Chris, me acompanha até hoje, pois fazemos a peça há 15 anos.
5) Este é seu primeiro monólogo e você reúne memórias de família, fala de pertencimento e visibilidade lésbica. Você construiu o texto após uma pesquisa de três anos. Este processo faz parte de uma busca pessoal?
Com certeza. Fui atrás do que me interessava falar, então foi um processo de pesquisa muito prazeroso, no sentido de que eu realmente queria fazer o que estava fazendo.
Mais fotos da apresentação:
- Julia Bernat e Debora Lamm – Foto Camilla Lapa
- Julia Bernat – Foto Camilla Lapa
- Julia Bernat – Foto Camilla Lapa
- Julia Bernat – Foto Camilla Lapa
- Julia Bernat – Foto Camilla Lapa
- Julia Bernat – Foto Camilla Lapa















