UM, DOIS, TRIX… POETRIX! : Lançamento do primeiro livro infantil da linguagem poética POETRIX e que pretende aproximar as crianças e jovens da poesia!

 

Vocês sabiam que existe um gênero poético criado por um brasileiro, mais especificamente, por um baiano? Pois é verdade. E esse gênero, criado por Goulart Gomes (@goulart_gomes), foi denominado POETRIX. O poetrix é um terceto, uma evidente alternativa ao haicai do oriente, aos haicais de Bashô, de Kobayashi e de tantos outros. No Brasil, temos muitos aficcionados desse gênero. Você talvez saiba que o haicai genuíno, como foi concebido, não deve ter título e se prende a temáticas que versam sobre a natureza, sobre o tempo, sobre as estações do ano. O haicai tem uma estrutura métrica de 5-7-5, fixa. Já o poetrix nascido no Brasil, ao contrário do haicai, permite uma maior liberdade de criação, possibilita variações temáticas, tem um maior número de sílabas. A rima pode ou não ser usada. O poetrix precisa de título, pode ter até 30 sílabas métricas, distribuídas em seus tres versos, sem determinação de quantidade por versos. Basta que se respeite o limite máximo estabelecido de 30 sílabas, ao todo. Geralmente se usa bem menos que isso…

Pois bem, apresentado o POETRIX (que aliás será, em breve, tema de um artigo específico aqui no ArteCult), vamos agora ao lançamento imperdível da Bisbilibis Balalabás (@bisbilibisbalalabas), o selo infantil da Ibis Libris Editora (@ibislibris)“Um, Dois, Trix… Poetrix!” , da escritora e poeta Lilian Maial (@lilian.maial), que será lançado no próximo dia 27/09.  Será lançado então no Dia de Cosme e Damião, ocasião bastante propícia a atividades para crianças!

O livro surgiu da paixão de Lilian pelo poetrix, nesses seus 26 anos de existência. Todas as publicações até aqui (inúmeras) sempre foram voltadas para o público adulto, até pelo uso necessário de figuras de linguagem, que habitualmente não fazem parte do universo infantil. No entanto, a autora nos contou que entende poetrix como uma forma de aproximar as crianças e jovens da poesia, pela sua concisão, liberdade e rapidez de leitura. Então, pensou em adaptar as normas do poetrix para a compreensão das crianças, carregando no humor, nas rimas e focando principalmente em animais como personagens. Lilian Maial consegue então nos entregar um livro alegre, colorido, engraçado e instrutivo, com metáforas suaves, de fácil assimilação!

“‘Um, Dois, Trix… Poetrix!’ é o meu 6º livro infantil, o primeiro de poesia. Os outros eram histórias com personagens reais, que sempre versavam sobre situações corriqueiras na vida dos pequenos, suas aflições e a resposta a elas, numa tentativa de trazer conforto a eles, e orientação aos pais e parentes, diante das dificuldades: desobediência e suas consequências, bullying, perdas, terror noturno, barreiras de linguagem.” (Lilian Maial, autora)

 

AC ENTREVISTA️ Entrevista com Lilian Maial
Por Raphael Gomide / Portal ARTECULT
Lançamento do livro “Um, Dois, Trix… Poetrix!”

 

1. Lilian, você está lançando seu primeiro livro infantil de poesia, justamente com poetrix. O que te motivou a adaptar esse gênero para o universo das crianças?

Rapha, eu escrevo desde criança, e me lembro que o que mais me fascinava na literatura infantil era a aventura e o humor. Nos dias de hoje, com a rapidez, a pressa para tudo, e o advento das redes sociais, o poetrix é uma linguagem literária que tem vantagem de unir a poesia com a concisão. Em outras palavras: é a poesia do sécuo XXI (como já propunha Ítalo Calvino em seu ensaio “Seis propostas para o próximo milênio”, de 1990). O poetrix me encantou desde meu primeiro contato com esse terceto viciante; ele nasceu em 26 de setembro de 1999, pelo poeta baiano Goulart Gomes, e eu iniciei sua prática no ano 2.000. Eu era tão participativa no grupo de poetrix, que recebi a alcunha carinhosa de “Imperatrix”. Há inúmeros livros de poetrix publicados no Brasil e no exterior, porém “Um, Dois, Trix… Poetrix” é o primeiro exclusivamente para crianças de todas as idades. É uma tarefa da qual me orgulho muito. O poetrix tem que ser mais divulgado no país e no mundo, afinal, é uma linguagem literária genuinamente brasileira.

 

2. O livro traz humor, rimas e animais como personagens. Como foi o processo criativo para tornar o poetrix acessível e divertido para o público infantil?

“Um, Dois, Trix… Poetrix” não foi um livro feito de uma hora para outra. Ao longo dos anos do Movimento Internacional Poetrix e, desde 2020, da Academia Internacional Poetrix (AIP), ocorreram várias discussões acerca do uso de poetrix nas escolas, e muitas oficinas são realizadas apenas para adolescentes, em virtude das normas do poetrix, que exigem uso de figuras de linguagem, e crianças mais novas não as dominam bem, como metáforas, por exemplo. O que fiz foi tentar trazer um pouco de humor e musicalidade aos poetrix, usando o universo infantil como personagem, além dos temas preferidos, como animais e escatologia leve e divertida. Qual criança não ri quando ouve falar em pum ou chulé? Então, percebi que a linguagem lúdica poderia ser usada na construção poética, com algumas rimas e sonoridade.

 

️ 3. Você ocupa a cadeira 12 da Academia Internacional Poetrix e venceu o Prêmio AIP de Literatura em 2023. Como a AIP tem contribuído para a valorização e expansão do poetrix no Brasil e no exterior?

Amigo, a AIP é a solidificação, a institucionalização de um movimento que já existia por 20 anos. Dessa forma, em julho de 2020, passou a existir um organismo vivo, fundamental para a expansão do poetrix, que discutia seus rumos, sua lapidação, suas normas, chancelando publicações acadêmicas universitárias, artigos, ensaios, além de concursos internacionais e premiações para publicações de livros de poetrix (Prêmio AIP de Literatura, que tive a honra do primeiro lugar, com meu livro “Equilátero”, em 2023). Fiz parte da diretoria da AIP entre 2021 e 2023, quando, dentre outras ações, estabelecemos as Diretrizes da AIP 2022. No site da AIP (www.academiapoetrix.org) temos abas que levam ao histórico do poetrix desde o seu nascedouro, a galeria do patronos, as biografias dos acadêmicos e seus discursos de posse, o memorial dos poetrixtas que já nos deixaram e seu legado, como escrever um bom poetrix, e muito mais. Visitem o site da academia e conheçam esse terceto fascinante!

 

4. O lançamento será no Dia de Cosme e Damião, uma data simbólica para as crianças. Como você enxerga essa conexão entre literatura, afeto e cultura popular?

Rapha, você acredita em acaso? Essa data surgiu para mim “por acaso”. Eu sabia que o livro ficaria pronto em fins de agosto, e queria que o lançamento fosse próximo ao Dia da Criança, mas não exatamente naquela semana, por conta do feriado. Conversei com a Thereza, minha editora, que imediatamente entrou em contato com a Elisa, da Livraria Blooks, onde eu já havia lançado outros livros infantis. Para nossa surpresa, só havia vaga para lançamento infantil no dia 27 de setembro; depois, só em novembro. Foi perfeito! Comemoração de Cosme e Damião, data que tem tudo a ver com crianças, e que reacende lembranças ternas na grande maioria dos adultos, está em nossa cultura e nosso afeto. Quem já não ansiou por saquinhos de doces com a impressão dos gêmeos médicos Cosme e Damião, nascidos onde hoje é a atual Turquia — ou, segundo algumas fontes, na região da Síria — e tenham perambulado curando doentes, nunca aceitando pagamento por seus préstimos?
Eu, médica, de origem síria, e com uma criança eterna dentro de mim, não teria escolhido data melhor para lançar “Um, Dois, Trix…Poetrix”, feito para crianças!

(Nota do Editor: nada é por acaso. rs)

 

5. Você tem uma carreira literária extensa, com 15 livros publicados e atuação em diversas frentes culturais. Como essa trajetória influenciou a criação de Um, Dois, Trix… Poetrix!?

Minha trajetória literária sofreu muitos vieses, assim como minha própria vida. Comecei a escrever criança e, adolescente no segundo grau, por obra de uma professora de Português/Literatura fenomenal — professora Sandra Britto — despertei para a visão social da poesia, à medida em que lia os autores clássicos. Em virtude dessas leituras, tomei gosto por trovas e sonetos, além da poesia de versos livres. Com a faculdade de Medicina, tempo integral e muito estudo, a poesia vinha em momentos e lugares inesperados, nem sempre com possibilidade de anotação. Com a chegada dos filhos, escrevia diários (muitas vezes poéticos) para cada um deles, e também alguns poemas. Só voltei a escrever plenamente com a internet, quando passei a frequentar salas de bate-papo literários nas madrugadas, estimulada pelo material postado. Publiquei meu primeiro livro de poemas livres em julho de 2.000 (“Enfim, renasci!”). Foi quando conheci o poetrix entrei para o MIP (Movimento Internacional Poetrix) e passei a fazer parte das antologias poetrix. Também conheci dessa maneira o cordel, exercício maravilhoso que pude fazer com alguns renomados cordelistas nordestinos, que até hoje tenho contato e troco versos. Tenho um site e passei a escrever prosa e postar ali, com muitos retornos positivos. Tomei gosto pelas crônicas e contos. Gosto muito de poemas de amor, e uma das minhas leituras era Salomão, com seu “Cântico dos Cânticos” e, em 2021, lancei um livro de Cantos de Amor, inspirada nesses cânticos de Salomão. Mais recentemente, talvez por influência do poetrix, me apaixonei pelos minicontos (e até micro), e lancei, em 2023, um “livro de bolsa” de minicontos de Realismo Fantástico. Quando me tornei avó, surgiu, geralmente já deitada para dormir, uns insights, umas ideias para historinhas infantis, e fui publicando os livros, ao todo 5 livros infantis, inclusive um bilíngue português/inglês, que foi para o Canadá. Então, nessa sequência de livros infantis, comecei a exercitar poetrix para crianças e a guardar os que julgava de interesse. Com esse Prêmio AIP de Literatura, veio o desejo de publicar um livro de poesia para crianças, mais especificamente de poetrix, e assim surgiu o “Um, Dois, Trix…Poetrix!”.

 

6. ‍ Além de escritora, você é médica e produtora cultural. Como essas diferentes dimensões da sua vida dialogam com sua escrita e com sua atuação na literatura infantil?

Menino, essa pergunta não caberia nesta entrevista, mas vou tentar resumir. A Medicina veio de uma necessidade minha de doação, desde menina, de auxílio ao próximo, tanto que fui servidora pública a vida toda. Essa prática, inicialmente assistencialista e, posteriormente, pericial, me punha em contato direto e diário com as venturas e desventuras do ser humano, do nascimento à morte, homens, mulheres, homoafetivos, crianças e idosos. Não deve ser difícil perceber o quanto a poesia pulsava, notadamente quando me via diante dos casos mais dolorosos. Algumas vezes, saía de um atendimento e ia para o banheiro chorar e, para me recompor, escrevia um poema. Assim, escrevi “O Seio Esquerdo”, carro-chefe do meu primeiro livro, e vários outros. Mais recentemente, com a pandemia e, depois, com a organização do VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras, aqui no Rio de Janeiro, em 2023, tive contato com mulheres de várias partes do país e suas diversas trajetórias, e isso me influenciou na escrita social e feminista, culminando com o lançamento do livro “A Borboleta no fundo dos Olhos”, em 2024. Desse encontro, surgiu uma forte amizade com a articuladora/produtora cultural Rozzi Brasil, e tivemos a ideia de dar espaço de fala para as mulheres, principalmente pretas e periféricas, que possuem uma escrita forte, pujante e necessária. Daí veio a semente do “Vem pra Cá! Sarau”, cuja primeira edição aconteceu em 30 de janeiro de 2024, no Largo da Prainha, ao lado da Casa de Escrevivências, da Conceição Evaristo. Em março daquele ano, tivemos, como destaque, a presença de Helô Teixeira e Dandara Suburbana, duas mulheres inspiradoras. De lá para cá, tivemos inúmeras mulheres inspiradoras, vários saraus passaram a frequentar o Vem pra Cá, e nós também a comparecer aos mais variados saraus, fazendo intercâmbio entre poetas de todo o Rio de Janeiro. Em comemoração ao 1º aniversário do Vem pra Cá, organizamos a Antologia Vem pra Cá – Conexões, com 45 autores/frequentadores, que foi lançada na Bienal do Livro do Rio 2025. Muitas dessas autoras também escrevem para crianças.

 

7. Você integra coletivos como o Mulherio das Letras, REBRA e APPERJ. Qual a importância dessas redes para fortalecer a voz das mulheres na literatura brasileira contemporânea?

Antes de integrar o coletivo literário feminista Mulherio das Letras, eu já participava da REBRA, lá pelo início dos anos 2000. Participei das antologias de 2002 a 2006. Sempre tive um espírito inquieto, inconformado com as dificuldades de as mulheres ocuparem seu devido espaço no meio editorial, nos concursos, nas feiras. Se é difícil para um homem ter seu livro publicado, multiplique por mil, milhão, a possibilidade para uma mulher, mais ainda para uma preta. O meio literário é comandado por homens brancos. O meio editorial também. Os saraus, em sua grande maioria, na zona sul e capitaneados por homens. Daí a importância de um coletivo como o Mulherio das Letras, que já alcançou a marca de quase 8.000 integrantes, entre escritoras, poetas, revisoras, tradutoras, editoras, diagramadoras, preparadoras de livros. Esse coletivo surgiu em 2017, num barzinho na FLIP, justamente numa conversa acerca das dificuldades das mulheres no meio. Aquela meia dúzia de mulheres se reuniu, multiplicou e teve origem o Iº Encontro Nacional do Mulherio das Letras, em João Pessoa, tendo como mentora Maria Valéria Rezende. Desde então, o coletivo, formado e agrupado no Facebook, ganhou corpo e vem divulgando e marcando terreno das mulheres na literatura contemporânea. A cada ano, um encontro numa cidade diferente, procurando abranger todas as regiões do país, que têm características distintas e problemas comuns a todas (ano passado foi em Belém, este ano será em Florianópolis), com rodas de conversa, oficinas, feiras de livros, palestras e saraus.
Em relação à APPERJ, é uma entidade que existe há 36 anos, e que vem promovendo a poesia em diversos pontos da cidade do Rio de Janeiro e em todo o estado, através de concursos, festivais, mostras, oficinas, sem falar na parceria com o INCA voluntário e a União dos Cegos, sempre no mês de setembro — o “APPERJ em Movimento” — onde são oferecidas leituras de poesia nos espaços de saúde mencionados. É um espaço fundamental para a propagação da escrita carioca e fluminense.
É importante ressaltar a necessidade de abrir espaço para ler e ouvir as mulheres, sejam brancas, pretas, periféricas, homoafetivas, trans, assexuais, porque por séculos vêm sendo silenciadas, suas existências e escritos apagados. Suas histórias são reais, sua poesia é vibrante, sua capacidade é incontestável. Temos diversas descrições da literatura, contudo, em nenhuma delas, consta o gênero, a orientação sexual ou a condição social como limitantes.
“Literatura” é uma palavra com origem no termo em latim littera, que significa letra. É uma forma de expressão artística que utiliza a linguagem para criar obras que exploram a imaginação, a criatividade e as experiências humanas.
“A literatura é uma modalidade artística que tem como matéria-prima a palavra, usada na construção de histórias ou na expressão de emoções e ideias. O texto literário, diferentemente do texto não literário, possui caráter subjetivo e conotativo”.
“A Literatura é a arte que usa a linguagem escrita como meio de expressão, seja em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos e práticos; sendo o conjunto de obras escritas ou orais às quais reconhecemos um valor estético”.

 

SOBRE POETRIX

Poetrix (s.m.) é poema com um máximo de trinta sílabas métricas, distribuídas em apenas uma estrofe, com três versos (terceto) e título que, quanto à sua forma e conteúdo, deve ser composto conforme dispõe a Academia Internacional Poetrix em seu texto institucional: DIRETRIZES DA AIP – Como compor um bom Poetrix.

www.academiapoetrix.org

 

SOBRE A AUTORA

Lilian Maial. Foto: Divulgação.

Médica, Escritora, Poeta e Produtora Cultural. Idealizadora e anfitriã do Vem pra Cá Sarau, em parceria com Rozzi Brasil, e coorganizadora e revisora da antologia Vem pra Cá – Conexões, editora Conejo, 2025. Prêmio AIP de literatura 2023, com o livro de poetrix Equilátero. Ocupa a cadeira 12 na Academia Internacional Poetrix. Integrante do Mulherio das Letras, da REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras), da AILB (Academia Internacional de Literatura Brasileira) e da APPERJ (Associação de Poetas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro). Organizadora e anfitriã do VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras, no Rio de Janeiro, em 2023, juntamente com outras integrantes do grupo. Autora de 15 livros, sendo 7 de poesia, 1 de minicontos de realismo fantástico, 6 livros infantis e 1 livro técnico de Perícia Médica Administrativa, além de ter participado de dezenas de antologias no Brasil e exterior.

www.lilianmaial.com

@lilian.maial 

@lilian.maial

 

COMO ADQUIRIR O LIVRO

A compra dos livros é diretamente com a autora, pelo seu Instagram ou Facebook, ou por e-mail (lilian.maial@gmail.com).
A partir do dia 27, também na Livraria Blooks.

 

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