
Imagem: divulgação
Em 17X Nelson – onde os canalhas pagam por seus crimes, 18 jovens artistas desfilam por 50 personagens em variadas situações.
De 1º a 30 de novembro no Espaço Barra Funda, com um ponto de vista inédito, o diretor Nelson Baskerville (@nelsonbaskerville) dirige seu olhar contemporâneo e provocador ao espetáculo 17x Nelson – onde os canalhas pagam por seus crimes (@17xnelson) em que reúne fragmentos originais das 17 peças de Nelson Rodrigues, das mais conhecidas do público até as mais estudadas pela crítica. No palco, 18 artistas de diferentes formações e experiências, interpretam 50 personagens. De imoral a imortal, o maior – e mais polêmico – dramaturgo brasileiro passa por um período de renovação entre as novas gerações e vive um boom de montagens e releituras sobre a sua obra. O diferencial do espetáculo está na narrativa ao mostrar, em quase todas as cenas, que os canalhas sofrem as consequências, com a falha trágica de cada anti-herói. A peça dialoga com o momento político sem a ambição de ser panfletária ou didática. Apenas revela o lado hediondo que todo ser humano possui.
- Foto: divulgação
Uma trilogia de 20 anos e o recorte afiado da tragédia brasileira
Esta é a terceira edição de um projeto artístico criado em 2005 por Nelson Baskerville Baskerville e a AntiKatártiKa Teatral (AKK), que marcou a cena cultural ao revisitar a obra de Nelson Rodrigues de forma inovadora. As anteriores foram O Inferno de Todos Nós (família como foco, parte 1, 2005) e Se não é eterno, não é amor (amor e morte – parte 2, 2012). Para Baskerville, a obra de Rodrigues mantém uma urgência inegável na sociedade brasileira. “Nos anos 40, o dramaturgo começou a detectar esse tipo brasileiro, racista sem parecer ser racista, homofóbico sem parecer homofóbico, misógino sem parecer, ou seja, uma vida onde as pessoas usam máscaras. Em suas peças, Nelson faz cair essa máscara, e é este o olhar mais apurado que mostramos agora em 17 vezes Nelson.”
O diretor relaciona o tema da peça ao momento atual do país: “Estamos vivendo realmente o final de uma tragédia, e espero que dessa vez os canalhas paguem por seus crimes”. Baskerville defende ainda a relevância perene da obra rodriguiana, que continuará a estudar e encenar “até morrer”. Explorar as complexidades da alma humana, na opinião de Baskerville, é o que torna Nelson Rodrigues um autor obrigatório para a educação brasileira. “Já disse várias vezes, Nelson Rodrigues tinha de ser estudado nas escolas, assim como o inglês é alfabetizado com Shakespeare; o francês, com Molière, o alemão, com Goethe. O ensino médio deveria ter uma matéria sobre Nelson Rodrigues para entendermos a sociedade”, diz o encenador.
Nesta montagem, a ordem das peças não segue uma linha cronológica como nas duas primeiras edições da trilogia. “A passagem de uma peça para outra é praticamente sem intervalo”, explica Nelson. Trata-se de um “grande desfile de personagens e situações”. O diretor explica que, desta vez, a disposição das cenas foi determinada pela própria encenação e pela dinâmica do elenco, formado em sua maioria por jovens atores. Ele acredita que a juventude do elenco fortalece a veiculação da obra do “maior autor brasileiro”. “O papel aqui do encenador é realmente abrir o olhar, a mente, dos jovens artistas para a obra do Nelson, que sempre estará em voga, sempre será moderna e contemporânea.”

Foto: divulgação
Várias ambientações no cenário e trilha sonora da ópera ao eletrônico
O cenário, idealizado pelo próprio Baskerville, é composto por estruturas móveis que funcionam como um andaime, permitindo a criação de várias ambientações em poucos segundos. Já os figurinos, assinados por Davi Parizotti, mesclam elementos de diferentes décadas, dos anos 40 a 80, com uma “mistura de elementos de época com contemporâneos”, dialogando com a proposta de uma obra sempre atual. A trilha sonora, tão eclética quanto a obra de Nelson, vai da ópera ao eletrônico, passando pela música brasileira e o tango.
Nelson X Nelson
Além das primeiras montagens do 17x Nelson (2005 e 2012), Baskerville também dirigiu outras peças do dramaturgo como “Os Sete Gatinhos” (2012) e, mais recentemente, “Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária” (2025), no Teatro de Contêiner. Formado pela EAD-USP em 1983, atuou e foi assistente de direção de Fauzi Arap, integrou o grupo TAPA e foi professor por 20 anos no Teatro Escola Célia-Helena. Na televisão, participou de produções como “Maysa”, “Viver a Vida” e “Em Família” (TV Globo); “O Negócio” (HBO); “Carcereiros” e “Onde Está Meu Coração” (Globoplay); “Coisa Mais Linda” e “Sintonia” (Netflix). No cinema, atuou em filmes como “Doutor Gama”, “Madame Durocher” e “Paterno”. Nelson Baskerville é ator, diretor, autor teatral e artista plástico. Reconhecido com alguns dos mais importantes prêmios do teatro brasileiro, como o Shell 2011 de Melhor Diretor por “Luis Antonio-Gabriela”, além do APCA, CPT e o Prêmio Governador do Estado de São Paulo pelo mesmo espetáculo. Em 2025, dirigiu “A Médica”, de Robert Icke, indicado a Melhor Espetáculo pela APCA. 2025 MÍDIA KIT
Nelson Baskerville
- Foto: divulgação
- Foto: divulgação
- Foto: divulgação
- Foto: divulgação
Elenco plural
O elenco apresenta nomes com trajetória consolidada no audiovisual e no teatro, revelações em seus primeiros trabalhos nos palcos e criadores multiplataformas. Essa combinação imprime ao 17x Nelson um caráter único, reafirmando o espetáculo como espaço inédito de interpretação de Nelson Rodrigues.
Preparação artística
Brunna Martins é atriz, formada pelo Centro de Artes Célia Helena, tendo trabalhado em diversas séries e novelas, como “Hard” da Max; “Chiquititas” do SBT, “Um lugar ao sol” da TV Globo e a série “Wander da Max, com estreia para 2026. Formada pela SP Escola de Teatro, em direção teatral, Brunna começou o trabalho de preparação artística no teatro e preparação de elenco no audiovisual, também preparando individualmente atrizes e atores para testes e trabalhos. Em 2024 iniciou a assistência de direção junto ao diretor Nelson Baskerville, participando de “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, com temporada no Teatro de Contêiner. Foi diretora assistente do espetáculo “A Médica”, texto de Robert Eicke, com direção de Nelson Baskerville. Junto ao diretor já somam mais de cinco trabalhos, incluindo oficinas de montagens e de autoficção.
Para salvar a plateia é preciso encher o palco de assassinos, adúlteros, de insanos, e, em suma, de uma salada de monstros.
São os nossos monstros, dos quais eventualmente nos libertamos, para depois recriá-los.
(Nelson Rodrigues)
Ficha técnica
- Texto: Nelson Rodrigues
- Direção: Nelson Baskerville
- Preparadora Artística: Brunna Marques
- Coreografia: Nelson Baskerville
- Trilha Sonora: Nelson Baskerville
- Iluminação: Fe Azevedo e Manu Nahas
- Operação de Luz: Luis Henrique Santos
- Operação de Som: Luis Henrique Santos
- Figurino: David Parizotti
- Design e Ilustração: Isabela Durão
- Assessoria de Imprensa – Arteplural (@artepluralweb)/ M Fernanda Teixeira e Maurício Barreira
- Arte e Comunicação Digital: Isabela Pazzetti e Amanda Gonzaga
- Produção executiva: Leonardo Miranda
- Direção de produção: Isabela Pazzetti
- Assistente de Produção: Luana Melo e Carol Rainatto
- Realização: A7 Features LTDA.
SERVIÇO
Espetáculo: 17x Nelson – onde os canalhas pagam por seus crimes.
- Estreia: 1º de novembro às 19 horas
- Temporada – 1/11 a 30/11
- Sessões- sábados e domingos
- Horário – Sábado, às 19h | Domingo, às 20h. (Esse horário ainda está em confirmação)
- Duração: 120 min
- Lotação: 65 pessoas
- Classificação: 18 anos
- Local: Espaço Barra – Rua Barra Funda, 519 – São Paulo
- Ingressos: R$60, inteira | R$30, meia – Clique aqui


































